O cabeça de lista do Partido Liberal Social (PLS) à Câmara do Porto, Luís Tinoco Azevedo, criticou esta quinta-feira o PS e o PSD no tema da descentralização, defendendo que o Governo não deve nomear gestores de empresas intermunicipais.
“Há todo um modelo que está pensado de forma centralizada. A Metro do Porto é um exemplo concreto, e muito presente, de um problema maior, que é as empresas intermunicipais, com impacto gigantesco na nossa vida quotidiana, serem nomeadas pelo governo central, e não pelos municípios onde essas empresas municipais atuam”, criticou Luís Tinoco Azevedo, em declarações à Lusa.
O exemplo da Metro do Porto, cujo novo presidente, Emídio Gomes, foi nomeado pelo Governo social-democrata em funções, é para Tinoco Azevedo um caso paradigmático, porque a “influência partidária” nas nomeações leva a conflitos como os do antecessor, Tiago Braga, nomeado pelo PS, com o atual autarca, Rui Moreira.
“Já ouvi Pedro Duarte a acusar, e acho que bem, Manuel Pizarro de a Metro ter sido uma empresa ao serviço do PS. Por outro lado, temos uma posição do PSD e do Pedro Duarte não de tentar tornar a Metro e as intermunicipais independentes de influência partidária, e servirem verdadeiramente de forma independente e transparente os munícipes, mas sim colocarem lá os seus dirigentes, passando a ser uma empresa do PSD”, apontou.
Emídio Gomes tomou posse na quarta-feira como presidente da Metro do Porto, depois de ter sido eleito segunda-feira, em assembleia-geral da empresa.
Questionando a forma “centralizada” como os dois partidos do arco da governação nacional têm gerido as empresas intermunicipais, o PLS considera que este método cria um “desalinhamento estrutural”.
“Temos uma proposta relativamente simples, sendo difícil de ser aceite, porque o PS e o PSD há muito insistem nesta centralização e em manter o poder. Seria fazer estas nomeações para empresas intermunicipais em concurso público internacional, mais baseado em mérito e competência técnica e não tanto em cores partidárias, que é o que parece ser feito hoje em dia”, defendeu.
E prosseguiu: “Nenhum portuense consegue compreender o processo que houve, e o desalinhamento total entre Metro e autarquia, e achamos que o que está na raiz da causa desse desentendimento é uma nomeação, um processo que parte viciado pelo Governo central”.
O cabeça de lista do partido formado este ano defendeu uma visão “de baixo para cima, de municipalização: do munícipe para o município, e depois para as comunidades intermunicipais”, que devem receber as competências que têm sido transferidas para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, para ter “o poder mais próximo dos cidadãos”.
Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU – coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro – coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto – independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
As eleições autárquicas realizam-se a 12 de outubro.