O Volt quer que as escolas sejam espaços ligados à comunidade em Lisboa, como forma de melhorar a vida das populações em freguesias “esquecidas” como Santa Clara, considerando que falta boa vontade à autarquia na área da educação.

“[Santa Clara] é esquecida em tudo. Não só nos transportes, mas mesmo na qualidade de vida. Em termos de jardins, de escolas, de creches, jardins de infância. Ou seja, quando falamos de equipamento nesta zona, que contribui sempre para termos alguma qualidade de vida na cidade, estas pessoas não usufruem dessa realidade ou destes serviços”, afirmou este sábado José Almeida.

O candidato do Volt à presidência da Câmara Municipal de Lisboa nas eleições de 12 de outubro falou com a agência Lusa no Parque da Torrinha, enquanto decorriam os preparativos para a apresentação da lista de Ronaldo Rodrigues à junta daquela freguesia, uma iniciativa que vai decorrer durante a tarde com a presença de músicos locais em formato de “mini-festival”.

Para José Almeida, a questão da educação é muito relevante em Santa Clara, uma freguesia com “uns índices muito baixos de aproveitamento escolar”.

“As escolas aqui vão-se degradando, desde a alimentação das crianças à falta de condições no espaço da escola para se protegerem do sol ou da chuva. Há falta de equipamento para a prática desportiva dentro da escola, para a prática de atividades culturais, e nós temos a perfeita noção de que há muito trabalho por fazer. É precisa é alguma abordagem criativa e pragmática, e é isso que não se sente, infelizmente, na Câmara”, apontou.

Licenciado em Estudos Europeus e dirigente associativo na Alta de Lisboa, o candidato propõe, assim, que a escola seja em toda a cidade um “espaço ligado à comunidade”.

“Isso tem muitas vantagens: protege a escola, porque há sempre situações de algum desgaste da própria escola que é preciso garantir e salvar, mas também permite realizar atividades de natureza desportiva, culturais, criando as mesmas oportunidades para estas crianças”, argumentou.

Esse envolvimento da comunidade permitiria também “ter aulas de apoio escolar dentro da escola”, uma vez que há pessoas e organizações disponíveis para o fazerem gratuitamente.

“Falta-lhes, por vezes, os recursos, e o recurso, muitas vezes, é uma sala de aula que serviria para isso, e, portanto, é só abrir a escola”, notou.

“O argumento da Câmara, muitas vezes, quando é confrontada com isto é sempre esta questão: quem é que garante a segurança naquele período? Quem é que garante os auxiliares? Quem é que garante a limpeza? E, tantas vezes, tem sido dito à Câmara que há sempre alguém disponível para resolver isso”, completou.

Para Almeida, não há “boa vontade” da parte da autarquia, que olha para “a dimensão da educação meramente como uma questão de gestão de património”.

Segundo o candidato do Volt, a melhoria das condições nas infraestruturas traduzir-se-ia num “melhor aproveitamento escolar” por parte destas crianças, com efetivas “repercussões na sua vida pessoal, em termos de emprego, futuro, etc.”.

Além de Almeida, concorrem à Câmara de Lisboa o atual presidente, Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/IL), Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), João Ferreira (CDU-PCP/PEV), Ossanda Líber (Nova Direita), Adelaide Ferreira (ADN), Tomaz Ponce Dentinho (PPM/PTP), Luís Mendes (RIR) e Bruno Mascarenhas (Chega).

Atualmente, o executivo municipal integra sete eleitos da coligação “Novos Tempos” – PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança, sete eleitos da coligação “Mais Lisboa” – PS/Livre, dois da CDU e um do BE.