O candidato da Nova Direita à Câmara de Sintra defendeu esta terça-feira, em Monte Abraão, apoios na habitação para profissionais de saúde, como forma de fixar médicos e enfermeiros no concelho, e propôs o aumento da taxa turística.
“Temos aqui um novo hospital, que é mais um recurso, o que é bom, são mais 60 camas, mas temos um hospital que não tem médicos, não tem enfermeiros suficientes” para a demanda no concelho, afirmou Júlio Ferreira, sobre a unidade construída pela autarquia de Sintra na freguesia de Algueirão-Mem Martins.
O cabeça de lista à câmara e Assembleia Municipal da Nova Direita falava à Lusa durante uma ação de campanha junto à estação ferroviária de Monte Abraão, juntamente com vários candidatos às freguesias, incluindo Tiago Fortes, principal nome para a união de Massamá e Monte Abraão.
“O valor que foi investido naquele hospital se calhar teria sido melhor utilizado” para “fixar os profissionais e assim dávamos um apoio maior aqui ao Amadora-Sintra [Hospital Fernando Fonseca], que neste momento” tem urgências obstetrícias fechadas “várias vezes e não temos profissionais suficientes”, apontou.
Perante o investimento municipal de 64 milhões de euros na nova unidade, Júlio Ferreira propõe dar preferência em termos habitacionais aos profissionais de saúde, e com “ajudas de custo” entre dois e cinco anos, para fazer com que queiram “realmente trabalhar” nos centros de saúde e no Hospital de Sintra.
Além de benefícios fiscais, a Nova Direita defende que a câmara deve também tornar o licenciamento urbanístico mais célere, para que estes profissionais possam fixar residência no concelho.
Além disso, o candidato defendeu o aumento da taxa turística “para 10 euros”, por período de estadia, para fugir ao “turismo de malas às costas” e apostar no “turista que vem gastar”, porque “se vai estar a usufruir das infraestruturas” e “do património”, esse “usufruto tem que contribuir” para “a melhoria de vida de todos os sintrenses”.
Junto à estação, os candidatos entregaram folhetos e uma ou outra caneta, e a uma mulher que assegurou ser “muito certinha” e “contra não votar”, Júlio Ferreira explicou que são todos “da zona” e há quatro anos estavam “no sofá”, mas embora nenhum seja político, decidiram que estão “cansados” da situação.
E perante a informação de que se chamava Ferreira, o candidato à câmara pelo “partido das famílias” aproveitou para comentar que ainda tinham em comum “uma linhagem ou alguma coisa assim” e apelar para que “vote na família”.
“Uma das coisas que nós queremos melhorar aqui são os transportes. Sei que não é de todo a nossa vertente na mudança, mas depende sempre da câmara”, admitiu Tiago Fortes, acrescentando querer “fazer pressão na câmara” para “voltar a ter o comboio a sair de Monte Abraão.
Os comboios oriundos de Sintra, explicou, quando param em Massamá e Monte Abraão já “não têm lugares” vagos, e “muitas vezes, pessoas que já estão perto da reforma, idosas, têm que ir de pé até Entrecampos ou até Oriente, até que encontrem lugares para se poderem sentar”.
Por seu lado, Júlio Ferreira disse que “se a CP não tem condições para fazer comboios em hora de ponta de cinco em cinco minutos” tem que se “abrir a exploração da linha ferroviária e também da linha rodoviária para os privados”.
O candidato à câmara defendeu ainda a criação de uma nova via para transportes públicos no Itinerário Complementar 19 (IC19), que liga Lisboa a Sintra, como forma de reduzir os automóveis particulares, e a abolição de portagens na Autoestrada 16 (CREL-Cascais).
O atual executivo da Câmara de Sintra, no distrito de Lisboa, presidido por Basílio Horta, que cumpriu três mandatos e não se pode recandidatar, tem cinco eleitos do PS, três do PSD, um do CDS-PP, um da CDU e um independente (ex-Chega).
Concorrem à câmara, em 12 de outubro, Ana Mendes Godinho (PS/Livre), Marco Almeida (PSD/IL/PAN), Pedro Ventura (CDU, coligação PCP/PEV), Maurício Rodrigues (CDS-PP/PPM/ADN), Rita Matias (Chega), Tânia Russo (BE) e Júlio Ferreira (Nova Direita).