A Iniciativa Liberal deu esta quarta-feira a marca “Capital do Móvel” como exemplo do abandono do Estado e o candidato local disse ter feito o registo formal e entregue à autarquia, sem indicar, no entanto, que o pedido fora indeferido.
Em 2024, o líder da IL de Paços de Ferreira pediu o registo da designação “Capital do Móvel” no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), porque a posse da marca havia caducado por falta de pagamento, mas a Câmara local opôs-se formalmente e o instituto decidiu considerar improcedente o pedido dos liberais.
O tema local chegou esta quarta-feira à política nacional através da líder da IL, Mariana Leitão, que visitou duas indústrias de móveis em Paços de Ferreira e na freguesia de Freamunde, e indicou a disputa sobre a marca “Capital do Móvel”, como um exemplo de abandono do poder público.
“Foi criada uma marca, a Capital do Móvel, em Paços de Ferreira” e essa referência “agregava todos os profissionais e todos os empresários à volta dela e a certa altura, por sucessivos desinvestimentos e inclusivamente pelo governo socialista, na altura, a tomar conta dos desígnios da Câmara, deixou a marca completamente ao abandono, chegando-se inclusivamente à situação limite de se perder o registo por caducidade, por falta de pagamento”, afirmou Mariana Leitão.
O registo contou com três renovações desde a sua criação oficial, em novembro de 1991, acabando caducado em junho de 2023, por não ter sido efetuado o pagamento da sua revalidação.
Perante a situação, em junho de 2024, Joel Machado, coordenador do núcleo territorial da IL e atual candidato liberal à autarquia, fez o pedido ao INPI, a que se opôs a autarquia local.
Em janeiro deste ano, o INPI recusou o pedido de registo da marca, devido à oposição da autarquia, que tem sido a proprietária da designação e alegou que a referência só poderia ter um registo coletivo.
Hoje, o candidato liberal à Câmara de Paços de Ferreira da IL justificou a posição da estrutura local.
“Então, em reunião de coordenação da Iniciativa Liberal, decidimos avançar com esse pedido de registo, que é uma forma de chamar a atenção do município para aquilo que ignorou nos últimos anos. A partir desse momento, eles vieram novamente pedir o registo da marca e nós obviamente cedemos”, explicou o candidato, nunca referindo que o seu pedido fora considerado improcedente.
Mas no início do ano, o núcleo distribuiu um comunicado, confirmando esse mesmo indeferimento. No dia 10 de janeiro, o “notificou o Coordenador da Iniciativa Liberal que o pedido de registo da marca foi recusado, um desfecho que já esperávamos”.
Hoje, Mariana Leitão disse que Joel Machado, “para garantir que a marca não era usurpada, fez o registo da mesma para garantir que depois a entregava ao município”.
A situação “mostra que mesmo aquilo que nós temos de bom e mesmo que aquilo que devemos preservar muitas vezes se perde por inércia, por incompetência ou mesmo até por esquecimento dos governos”, disse a líder da IL.
“Há muitas indústrias que aqui empregam muitas pessoas e que são, de facto, um motor de crescimento e de desenvolvimento”, pelo que esse esforço “não pode ficar ao abandono nem pode ficar esquecido”, defendeu.
Por isso, “o sinal” que quiseram dar “ao visitar duas indústrias é mostrar, de facto, que quando se consegue captar investimento, quando se consegue garantir condições para estas pessoas operarem, instalarem-se no nosso país, singramos todos”, empresas, pessoas e concelhos.
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