Três meses após António José Seguro anunciar a sua candidatura “apartidária” à Presidência da República, José Luís Carneiro propôs o apoio do PS ao candidato nas eleições presidenciais de janeiro de 2026, destacando que só o partido “determina o tempo político das suas decisões”. A Comissão Nacional do PS, já ao fim da tarde, votou favoravelmente a proposta, tendo havido apenas duas abstenções (nenhum voto contra).

“Esta proposta tem a nossa assinatura, fundamentalmente propõe o apoio a António José Seguro como candidato a Presidente da República”, afirmou o secretário-geral do PS ao lado do presidente do partido, Carlos César, na Comissão Nacional do PS, em Penafiel.

“Esse apoio em nada poderá colocar em causa a liberdade dos dirigentes, dos militantes, dos simpatizantes que sempre tiveram e continuarão a ter respeito da parte de quem dirige o PS, pela sua liberdade de opção. No respeito por uma liberdade que se expressa e que se exprime”, ressalvou Carneiro.

Sobre Seguro, o secretário-geral socialista disse que “tem provas dadas ao serviço dos valores democráticos e constitucionais.”

“António José Seguro, além de ter sido secretário-geral dos jovens socialistas, foi secretário-geral do PS”, recordou, notando também o seu percurso como deputado, “estando na origem de uma das importantes reformas no Parlamento”, bem como ministro adjunto de António Guterres.

Elogiou ainda o “respeito pelo tempo de maturação de quem decidiu avaliar se reunia ou não as condições para avançar com uma candidatura”, referindo-se a Seguro.

Carneiro diz que PS se afirmou como “única alternativa à Aliança Democrática” nas Autárquicas

Antes, Carneiro falou sobre o resultado das eleições autárquicas de domingo passado. Destacou as várias vitórias do partido, dando o exemplo da conquista da Câmara Municipal de Coimbra pela antiga ministra socialista Ana Abrunhosa.

“Os portugueses podem contar com o PS nas autarquias para responder às suas dificuldades”, garantiu. E assegurou: “O PS afirmou-se como a única alternativa à Aliança Democrática”, notando que ganharam 126 câmaras “sozinhos”, notando a diferença para o PSD, que diz ter vencido menos câmaras a solo.

Sobre o Orçamento do Estado para 2026, o secretário-geral do PS considerou que “há uma falta de credibilidade na proposta [do Governo] no que respeita ao equilíbrio orçamental”.

Destacou, por exemplo a “perda de rendimentos para as pensões mais baixas no decurso de 2026” e o défice da Administração Central, que “pode chegar aos 7 mil milhões de euros.

Mas assegurou: “Apresentámos a nossa alternativa sem colocar em causa a proposta orçamental.”

(Notícia atualizada às 19horas com decisão da Comissão Nacional)