Sete novos santos foram canonizados pelo Papa Leão XIV no domingo, com o líder da Igreja Católica a considerar que eles são “lâmpadas capazes de difundir a luz de Cristo”. Entre os canonizados estão os primeiros santos da Venezuela e da Papua-Nova Guiné, segundo o Vatican News.
A canonização foi anunciada na cerimónia oficial na Praça de São Pedro, no Vaticano. “Estes fiéis amigos de Cristo são mártires pela sua fé, como o Bispo Inácio Choukrallah Maloyan e o catequista Pedro To Rot; são evangelizadores e missionários, como a Irmã Maria Troncatti; são fundadoras carismáticas, como a Irmã Vincenza Maria Poloni e a Irmã Carmen Rendiles Martinez; são benfeitores da Humanidade, com coração ardente de devoção, como Bartolo Longo e José Gregório Hernández Cisneros”, avançou o Pontífice.
Milhares de venezuelanos estavam na multidão, acenando bandeiras amarelas, azuis e encarnadas, porque Leão XIV canonizou os primeiros santos venezuelanos, muito queridos pela população católica, conta a reportagem da Catholic News Agency. Entre os novos santos está a venezuelana Maria Carmen Rendiles – uma irmã religiosa que nasceu sem braço esquerdo e fundou a ordem Servas de Jesus em Caracas em 1965 – e, também, José Gregório Hernández Cisneros, advogado que viveu no século XIX e que era conhecido como “doutor dos pobres”.
Pedro To Rot, da Papua-Nova Guiné, era um catequista leigo durante a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial. É o primeiro santo deste país, canonizado por ter resistido até ao fim à opressão das autoridades japonesas que permitiam poligamia, entre outras atividades consideradas repressivas. To Rot defendia valores cristãos como o matrimónio cristão e levava a cabo ações paroquiais em segredo.
Inácio Maloyan era um arcebispo da Arménia e foi executado durante o genocídio naquele país por recusar converter-se ao Islão. Nos seus últimos momentos, disse: “Considero o meu sangue derramado pela minha fé o desejo mais doce do meu coração. Se eu sou torturado pelo amor d’Ele que morreu por mim, estarei entre aqueles que têm alegria, e terei conseguido ver o meu Senhor e meu Deus”.
Já Vincenza Maria Poloni fundou as Irmãs da Misericórdia de Verona, Itália, e é lembrada pelo seu serviço incansável aos pobres, chegando muitas vezes a arriscar a própria vida perante a epidemia de cólera em 1836.
Também italiana, Maria Troncatti, era uma irmã salesiana que passou 44 anos como missionária entre o povo indígena Shaur, na Amazónia Equatoriana no princípio do século XX. Conhecida como “madrecita“, trabalhou como enfermeira, cirurgiã e catequista.
Um terceiro italiano é Bartolo Longo, advogado que renunciou à fé cristã, converteu-se ao satanismo, e só depois de se converter de volta ao catolicismo é que decidiu dedicar a sua vida toda a recitar o rosário. Chegou, ainda, a construir o santuário de Nossa Senhora do Rosário em Pompeia, hoje um dos lugares de peregrinação mais procurados entre católicos italianos.
No final da cerimónia, o Papa deixou apelos à paz em Mianmar, expressando a sua profunda tristeza pela violência no país, que se agravou desde 2021. Pedindo um cessar-fogo, o pontífice apelou a “que os instrumentos de guerra possam dar caminho aos da paz, através de um diálogo inclusivo e construtivo”.
Leão XVI rezou, também, pelo conflito na Terra Santa, na Ucrânia, e em todos os restantes lugares onde existem conflitos. “Que Deus dê aos líderes mundiais a sabedoria e perseverança de caminhar na busca de uma paz justa e duradoura”, rematou.
Texto editado por Edgar Caetano
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