Manifestantes interromperam esta segunda-feira uma visita do Rei de Inglaterra à catedral de Lichfield para questionar o monarca sobre as ligações entre o seu irmão, o Príncipe André, e Jeffrey Epstein, o empresário que geriu uma rede de tráfico de menores e prostituição. Carlos cumprimentava as várias pessoas reunidas à porta da igreja, quando uma voz se levantou mais alto.

“Há quanto tempo é que sabe sobre André e Epstein? Pediu à polícia para encobrir André?“, gritou um dos manifestantes, enquanto Carlos apertava a mão, trocava algumas palavras e acenava às várias dezenas de pessoas reunidas em Lichfield, localidade no centro de Inglaterra, a norte de Birmingham. A intervenção foi recebida com vaias da multidão e gritos de “cala-te” e “vai-te embora“, mas sem qualquer reação por parte do monarca.

A equipa do Rei aproximou-se do local, afastando Carlos dos manifestantes para o outro lado da rua, onde estavam mais pessoas. Apesar dos gritos da pequena multidão, um outro manifestante ainda questionou o monarca sobre se a família real devia poder ser alvo de uma discussão no Parlamento.

A questão foi feita depois de, na semana passada, o Governo ter impedido os deputados britânicos de escrutinar os títulos e a residência de André, em resposta a um pedido dos Liberais Democratas para levar a plenário uma discussão sobre o direito de André continua a viver numa mansão em Windsor, nos alojamentos da família real, contextualiza a BBC.

Passados seis anos desde a morte de Jeffrey Epstein, a sua relação com o irmão mais novo do Rei de Inglaterra voltou a ser alvo de escrutínio devido à publicação do livro de memórias póstumo de Virginia Giuffre, que acusou André de abuso sexual e que menciona o membro da família real no livro “Nobody’s Girl: A Memoir of Surviving Abuse and Fighting for Justice“.

Depois da publicação do livro, André — que já não desempenhava um papel ativo como membro sénior da família real — abdicou de todos os seus títulos, incluindo o de Duque de Iorque. No entanto, o Príncipe continua a viver em Windsor, ao abrigo de um contrato em vigor até 2078.

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