Ainda não se conhece o resultado das primárias do Livre, mas o deputado Jorge Pinto já tem data para apresentar a sua candidatura presidencial. A votação de membros e simpatizantes no candidato que pretendem apoiar terminou esta quinta-feira às 12h00 e os resultados apenas serão divulgados sexta-feira, depois da Assembleia do Livre, órgão máximo entre congressos, analisar os resultados. No entanto, o mesmo Jorge Pinto não só dá como certa a sua candidatura, como anunciou a data de apresentação da mesma ainda antes de os militantes e simpatizantes do Livre votarem.

Na terça-feira, começou a ser comunicada nas redes sociais a data para apresentação de candidatura de Jorge Pinto, que acontece esta sexta-feira, em Amarante, pelas 17h30. Ora, este anúncio aconteceu 24 horas antes de se iniciar o processo de votação no Livre — uma espécie de primárias que surge depois de a direção ter sinalizado que queria apoiar Jorge Pinto, o que motivou reservas junto de alguns integrantes do próprio partido.

Ora, confrontado pelo Observador com esta sobreposição de etapas, Jorge Pinto garante que não se trata de nenhuma tentativa de condicionamento da vontade dos militantes do Livre. “Era muito pior se não apresentasse a candidatura e fosse dar entrevistas (como já estão, aliás, agendadas na comunicação social), antes de poder ter a oportunidade de explicar de viva voz às pessoas o que é que me move e o que é que me faz querer avançar”, defende o deputado.

Ao mesmo tempo, Jorge Pinto diz estar “muito confiante” de que a decisão das primárias será apoiá-lo, ainda que garanta que avançará em qualquer cenário com a candidatura presidencial. “Confio nas pessoas, nos meus camaradas e estou muito confiante que a decisão deles será de apoiar a minha candidatura — coisa que, aliás, faz sentido, porque é um candidato partidário, que eles conhecem bem”, diz.

“Tiveram a oportunidade de me fazer perguntas ainda durante esta semana, numa sessão de duas horas. Tanto quanto sei mais nenhum candidato o fez antes de apresentar a sua candidatura. Portanto, seguindo as boas práticas do Livre — transparência, diálogo direto com os seus membros — eu, ainda antes de apresentar a minha candidatura, dei a oportunidade a todos os meus camaradas a colocarem-me perguntas”, explica Jorge Pinto ao Observador.

Até agora, a organização e logística da candidatura tem também sido realizada sem o apoio do Livre. Jorge Pinto conta que foi o próprio a ligar ao presidente da Câmara de Amarante, a sua cidade natal, para conseguir um espaço para a apresentação. “Quando houver o apoio oficial do partido, que espero que venha a haver, é aí que o partido já estará envolvido. Neste momento, estamos a trabalhar com uma pequena equipa que juntei e que me tem ajudado nesta fase inicial”, concretiza.

Entre os elementos mais próximos de Jorge Pinto, que está alinhado com a direção de Rui Tavares, existe a convicção de que o deputado terá uma maioria confortável nas primárias. Ainda assim, mesmo se não for o nome mais votado no referendo interno, a Assembleia do Livre pode decidir apoiá-lo. Seria algo inédito desde a fundação do partido — nunca foi contrariada uma decisão que tenha resultado de umas primárias.

A Assembleia do Livre decidiu na segunda-feira que a consulta interna sobre presidenciais permitiria o voto em candidatos que não Jorge Pinto, mas o seu nome será o único a aparecer no boletim. Depois de responderem se apoiam ou não a candidatura do deputado do Livre, os membros e simpatizantes são questionados sobre se o Livre deve apoiar “outro candidato” que cada eleitor considere que se insere na sua “área política”.

Aos que tiverem respondido afirmativamente a essa questão é pedido para escreverem o nome do candidato que querem que o Livre apoie, com a condição de que este tenha apresentado publicamente a intenção de entrar na corrida a Belém. Assim, poderão ser votados nomes como o ex-deputado comunista António Filipe, a antiga coordenadora do Bloco Catarina Martins ou António José Seguro.

O antigo secretário-geral socialista deverá ter pelo menos um voto nas primárias, sendo que Ricardo Sá Fernandes anunciou ao Observador que o iria apoiar nas presidenciais. No entanto, após ser conhecido este apoio, não surgiu publicamente mais nenhuma voz do Livre em defesa de outro candidato presidencial que não Jorge Pinto.