O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deixou, este domingo, várias críticas à atuação do homólogo australiano, Anthony Albanese, após o ataque na Praia de Bondi, em Sydney, que causou pelo menos 16 vítimas mortais, durante as festividades da Hanucá, uma celebração judaica.

Benjamin Netanyahu começou por lembrar que enviou uma carta a Anthony Albanese, em agosto, para lhe dizer que a “sua política estava a atirar achas para a fogueira do antissemitismo”. O primeiro-ministro israelita referia-se ao facto de a Austrália ter reconhecido o Estado Palestiniano há quatro meses, numa altura em que vários países também o fizeram, incluindo Portugal.

“O antissemitismo é um cancro e difunde-se quando os líderes permanecem em silêncio. Peço que se substitua a fraqueza por ação e a atitude de apaziguamento por firmeza”, afirmou Benjamin Netanyahu, num evento este domingo à tarde na celebração do Hanucá na cidade de Bet Shemesh, em que apontou baterias contra o homólogo australiano: “Em vez disso, substituiu fraqueza por fraqueza e apaziguamento por apaziguamento”.

O primeiro-ministro israelita referiu que o governo australiano “nada fez para parar” a difusão “do antissemitismo na Austrália“. “Não fez nada para conter as células cancerígenas que estavam a proliferar dentro do país”, prosseguiu Benjamin Netanyahu, frisando que Anthony Albanese “não agiu”. “Deixou que a doença se propagasse e o resultado foram os ataques horríveis contra judeus que vimos hoje.”

Regressando ao tópico do reconhecimento do Estado Palestiniano, o primeiro-ministro israelita indicou que esse ato “recompensou o Hamas pelo massacre horrível que levou a cabo a 7 de outubro”. Ao fazê-lo, acusou Benjamin Netanyahu, o governo australiano “deu legitimidade aos atiradores”: “[Anthony Albanese] não fez nada para eliminar os centros de terror”.

Para Benjamin Netanyahu, esta postura vai “levar” a mais episódios como ocorreram este domingo. “O lugar seguro para os judeus em todo o mundo é onde o governo, as Forças Armadas e as forças de segurança os protegem”.

Albanese não responde a críticas de Netanyahu, mas promete “erradicar” antissemitismo

Questionado numa conferência de imprensa, o primeiro-ministro australiano preferiu não comentar as declarações do homólogo israelita. Anthony Albanese assinalou apenas que este é um momento de “união nacional, para os australianos se unirem e é precisamente isso que estamos a fazer”.

Sobre o facto de as autoridades terem descurado a segurança dos judeus, Anthony Albanese defendeu que as forças de segurança fizeram um “trabalho extraordinário”, prometendo a realização de uma investigação. “O meu governo vai continuar a estar ao lado dos judeus australianos e vamos continuar a combater o antissemitismo de todas as formas.”

O primeiro-ministro da Austrália reconheceu que se tratou de um “ataque” que atingiu “deliberadamente a comunidade judaica no primeiro dia do Hanucá”. “A comunidade judaica está magoada hoje e os australianos uniram-se em redor dela. O antissemitismo é um flagelo e devemos erradicá-lo juntos”, prometeu Anthony Albanese.