O suspeito de matar o físico Nuno Loureiro e outras duas pessoas na Universidade Brown, em ataques separados, foi encontrado morto em New Hampshire, disseram as autoridades norte-americanas, notando tratar-se de um cidadão português. Como consequência, os EUA vão suspender o programa de Vistos de Diversidade.
Cláudio Neves Valente, de 48 anos, ex-aluno da Brown, foi encontrado morto na noite de quinta-feira com um ferimento de bala autoinfligido, anunciou o chefe de polícia de Providence, no estado norte-americano de Rhode Island, Oscar Perez, em conferência de imprensa. O corpo foi encontrado num armazém em Salem, New Hampshire, detalharam ainda as autoridades.
Segundo Oscar Perez, quando foi encontrado, junto de Cláudio Valente estava uma mochila e duas armas de fogo. Nas proximidades estava um veículo onde as autoridades terão encontrado provas que correspondem ao ataque na Universidade Brown, adianta a BBC. Até ao momento as autoridades acreditam que Cláudio Valente terá agido sozinho.
Autoridades descobriram o corpo de Cláudio Valente num armazém, em Salem
Cláudio Valente estudou na escola Secundária Maria Lamas, em Torres Novas, adianta a SIC. O português terá viajado para os EUA para estudar Física na Universidade Brown há mais de 20 anos. Atualmente o português vivia em Miami, tendo-se mudado para Boston no mês passado, adiantam as autoridades citadas pelo Washington Post.
Os investigadores acreditam que Valente é responsável pelo ataque na Universidade Brown e pelo assassinato do professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o português Nuno Loureiro, morto a tiro em casa, em Brookline, na segunda-feira, de acordo com a procuradora federal de Massachusetts, Leah B. Foley.
As autoridades ainda terão de analisar as provas recolhidas nos dois locais dos crimes, no entanto garantem ter “100% de certezas de que este é o alvo certo”, afirmaram as autoridades em conferência de imprensa, lê-se na CNN. “Este caso está encerrado do ponto de vista da investigação das pessoas envolvidas”, disse o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha.
Nuno Loureiro entrou no MIT em 2016 e foi nomeado, no ano passado, para liderar o Centro de Ciência de Plasma e Fusão, onde trabalhou para promover tecnologias de energia limpa e outras investigações. O centro, um dos maiores laboratórios do MIT, tinha mais de 250 pessoas a trabalhar em sete edifícios quando o português assumiu a direção.
De acordo com as informações das autoridades, citadas pela CNN Internacional, os dois portugueses estudaram juntos entre 1995 e 2000, no Instituo Superior Técnico, em Lisboa.
Segundo a reitora da Universidade Brown, Christina Paxson, Cláudio Valente esteve também matriculado na mesma instituição americana que Nuno Loureiro entre 2000 e 2001, tendo sido admitido na pós-graduação para estudar Física a partir de setembro de 2000. Mas “não tem nenhum vínculo atual com a universidade”, acrescentou.
Como as autoridades chegaram até Cláudio Valente
Duas pessoas morreram e nove ficaram feridas no ataque a tiro ocorrido no sábado na Universidade Brown. Mas a investigação a este ataque mudou de rumo na quinta-feira, quando as autoridades disseram que estavam a investigar uma possível ligação entre o ataque em Brown e a morte de Nuno Loureiro, de 47 anos.
Inicialmente, o FBI indicou não ter conhecimento de uma ligação entre o ataque em Brown e a morte de Nuno Loureiro. No entanto, foram as dicas de civis que alteraram esta convicção. Uma pessoa próxima do suspeito apresentou-se às autoridades após a conferência de imprensa de quarta-feira e ajudou “a desvendar” o caso, detalhou o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha.
Esta pessoa levou as autoridades “até ao carro [usado por Cláudio Valente], o que nos levou ao seu nome, o que nos levou às fotografias dessa pessoa a alugar o carro e que correspondiam à roupa do atirador em Providence, por sua vez que correspondia à mochila que vemos aqui”, disse Peter Neronha. As autoridades entenderam que os dois casos, afinal, estavam relacionados quando cruzaram as informações da testemunha com imagens de videovigilância, concluindo que o mesmo carro tinha sido avistado nos dois locais.
De acordo com as autoridades, citadas pela BBC, Cláudio Valente “usava um telemóvel que era difícil de rastrear”. O português “era sofisticado a esconder o rasto”, afirmou Leah B Foley, procuradora dos EUA de Massachusetts. Além disto, o suspeito colocou uma matrícula do estado de Maine sobre outra da Flórida, para ocultar a identidade.
Ainda permanecem “muitas incógnitas” em relação ao motivo dos ataques, referiram as autoridades, adiantando que até ao momento não é possível perceber o porquê do ataque na universidade americana nem o porquê de a aula de economia ter sido o seu alvo.
Embora os responsáveis da Universidade Brown afirmem que existem 1.200 câmaras no polo universitário, o ataque ocorreu numa área mais antiga do edifício de Engenharia “que tem poucas – ou nenhuma – câmaras”, escreveu a agência de notícias Associated Press (AP).
Os investigadores acreditam que o atirador entrou e saiu por uma porta que dá para uma rua residencial, o que pode explicar a razão pela qual as câmaras da universidade não capturaram o autor do crime.
EUA suspendem atribuição de vistos de diversidade
Os Estados Unidos decidiram suspender o programa de Vistos de Imigração por Diversidade, após Cláudio Valente ser identificado como portador de um ‘green card’ ao abrigo deste programa. O anúncio foi feito pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, na rede social X.
“O atirador da Universidade Brown, Claudio Manuel Neves Valente, entrou nos Estados Unidos por meio do programa de vistos de imigração por diversidade (DV-1) em 2017 e recebeu um green card. Este indivíduo hediondo jamais deveria ter tido permissão para entrar no nosso país. Em 2017, o presidente Trump lutou para acabar com esse programa“, começou por escrever a americana.
E acrescentou: “Por ordem do Presidente Trump, ordendei imediatamente a suspensão do programa DV-1 para garantir que nenhum outro americano seja prejudicado por este programa desastroso.”
The Brown University shooter, Claudio Manuel Neves Valente entered the United States through the diversity lottery immigrant visa program (DV1) in 2017 and was granted a green card. This heinous individual should never have been allowed in our country.
In 2017, President Trump…
— Secretary Kristi Noem (@Sec_Noem) December 19, 2025
Notícia atualizada às 7h59 com mais informação