A Polícia Metropolitana de Londres, o maior corpo policial do Reino Unido, determinou que todos os seus agentes têm de declarar aos superiores hierárquicos se pertencem à Maçonaria ou a outras organizações semelhantes, uma decisão que levou a Grande Loja Unida da Inglaterra a procurar junto da justiça britânica interpor uma providência cautelar para evitar a entrada em vigor da nova norma.
De acordo com o The Guardian, a medida foi tomada pelos responsáveis da Polícia Metropolitana para promover a confiança naquela força policial e para mitigar os receios de que a pertença a organizações como a Maçonaria possa traduzir-se em atos de corrupção por parte dos seus membros.
O objetivo, diz a Polícia Metropolitana, é que qualquer agente que pertença ou já tenha pertencido a uma “organização hierárquica que requeira que os seus membros se apoiem e protejam mutuamente” seja obrigado a declará-lo aos seus superiores hierárquicos. Trata-se, diz o The Guardian, de um problema há muito identificado na polícia: há vários anos que correm suspeitas de possíveis casos de corrupção dentro da polícia relacionados com contactos e relações pessoais que têm origem na Maçonaria, embora nunca tenha havido provas definitivas desses casos. O jornal dá ainda conta de que há pelo menos um caso recente em investigação que terá no seu centro ligações à Maçonaria.
Um caso em particular tem alimentado estas suspeitas há várias décadas: o homicídio do investigador privado Daniel Morgan, em 1987, marcado por situações de corrupção interna com o objetivo de impedir a captura dos autores do crime. O The Guardian recorda que um relatório oficial publicado em 2021 viria a mencionar como a pertença de alguns agentes à Maçonaria viria a manchar todo o caso com suspeitas de que aquela organização teria estado envolvida nos esforços de encobrimento do homicídio.
Na decisão conhecida no início do mês, o comissário da Polícia Metropolitana, Mark Rowley, tornou obrigatória a declaração da pertença a este tipo de instituições com o objetivo de fazer uma demonstração pública de confiança. A decisão foi tomada depois de ter sido feita uma consulta interna aos agentes e aos funcionários da instituição. Dois terços dos inquiridos concordaram com a obrigatoriedade, por considerarem que o tema “afeta a perceção pública da imparcialidade policial”. Ainda assim, a instituição garante que a decisão não impede nenhum agente de aderir à Maçonaria — apenas o obriga a declarar essa pertença.
O líder da Grande Loja Unida de Inglaterra, Adrian Marsh, classificou a decisão como “injustificada” e disse que os responsáveis da Maçonaria estavam a planear uma resposta. “Os nossos valores de integridade, amizade, respeito e serviço são fundamentais na Maçonaria e nunca foram tão importantes”, afirmou. “Consideramos esta ação injustificada e estamos a ponderar cuidadosamente uma resposta apropriada.”
Alguns dias depois, a GLUI enviou uma carta à Polícia Metropolitana a dar nota de que pretendia agir judicialmente contra a decisão caso a força policial não recuasse na sua norma “ilegal, injusta e discriminatória”. Na véspera de Natal, aquela instituição maçónica interpôs junto da justiça londrina uma providência cautelar de modo a impedir que a norma produzisse efeitos, acusando a Polícia Metropolitana de “discriminação religiosa” contra os maçons e de alimentar teorias da conspiração.
Em resposta, a Polícia Metropolitana divulgou um comunicado recordando que “dois terços dos agentes e funcionários inquiridos concordam que esta política é necessária” e considerando que “a maioria do público também concordaria”. Lembrando os apelos feitos ao longo dos anos para uma política do género, a força policial disse que não agir em conformidade “causaria mais danos à confiança, não apenas entre o público, mas também entre os outros agentes e funcionários”.
“As vítimas têm de saber que quando nos fazem denúncias, os agentes que as investigam foram transparentes em relação a quaisquer potenciais conflitos de interesse. Ao mesmo tempo, os agentes e os funcionários têm de saber que, quando reportam infrações cometidas por colegas, elas são investigadas pelos seus méritos, sem oportunidade para que lealdades secretas interfiram”, diz a Polícia Metropolitana. “Temos de priorizar a manutenção da confiança vital acima dos desejos de qualquer organização de manter o segredo.”
We will robustly defend our decision to require officers and staff to declare if they are Freemasons.
Our response to the decision by the Grand Lodge of England to seek an injunction blocking the implementation of the policy is below. pic.twitter.com/TaajGFpbW2
— Metropolitan Police (@metpoliceuk) December 29, 2025