A Williams foi a versão mais memorável do pequeno Clio, lançada em 1993 e animada por um motor 2.0 atmosférico com 150 cv e um chassi apurado pela Renault Sport, em que sobressaía um eixo dianteiro mais largo. Agora, passados mais de 30 anos, surge a ideia de recuperar o conceito do pequeno desportivo atrevido, o RS Williams, concebido com base na mais recente geração do modelo francês, que chegou ao mercado no final de 2025.
A proposta começa por surpreender e até apaixonar pelas suas formas, mostrando um Clio com uma frente mais agressiva, generosos alargamentos na carroçaria para alojar os eixos mais largos, à frente e atrás, enquanto a traseira é contemplada com uma imensa asa e um exuberante “extractor”. Se bem que muitos dos potenciais clientes gostassem de encomendar de imediato este novo desportivo da Renault, a realidade é que este Clio RS Williams não é obra do construtor francês, mas sim de um respeitável artista que divulgou as imagens através do Instagram e que assina David Baylis Design.
O desconhecido estilista não se limitou a criar o seu desportivo, tendo igualmente imaginado a mecânica, que assenta num motor 2.0, desta vez sobrealimentado para atingir 300 cv. E nem é difícil adivinhar a origem desta unidade, uma vez que, apesar de anunciar 2.0 litros, o seu rendimento corresponde ao fornecido pelo motor 1.8 sobrealimentado com que a Renault equipava o Mégane RS Trophy-R, o que lhe permitia atingir 262 km/h e 0-100 km/h em 5,4 segundos e ter sido, durante muito tempo, o desportivo tracção à frente mais rápido no Nürburbring.
Um Clio RS Williams como este faria todo o sentido na gama do construtor gaulês, permitindo-lhe rivalizar com modelos como o Toyota Yaris GR, com 280 cv e tracção integral. A Renault poderá não estar muito receptiva a lançar uma versão do seu modelo mais popular a gasolina, sem electrificação e a emitir quase 200g de CO2/km, mas fabricar uma série limitada a uns poucos milhares de unidades não beliscaria a emissão média do construtor, que em 2026 já vai poder contar com os eléctricos R5, R4 e Twingo para reduzir a pegada de carbono. De recordar que a produção do Clio Williams em 1993 apontava para somente 3800 unidades, mas a popularidade “empurrou-o” para cima das 17.000. Não é impossível que a Renault avance com uma versão desportiva do Clio, que dê um boost à imagem do modelo e ajude a atrair clientes para as versões mais acessíveis. E, caso isso aconteça, não se esqueçam do David Baylis…