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A Delta Force (Força Delta, em português) voltou ao centro do debate público, depois de ter sido chamada para executar a operação de captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado, em Caracas. A referência a esta força de elite, considerada a principal unidade de missões especiais das Forças Armadas dos Estados Unidos, reacendeu o interesse em torno da política externa militar norte-americana e da própria unidade — responsável por também deter o antigo líder do autoproclamado Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, numa missão em 2019.
Conhecida oficialmente por 1st Special Forces Operational Detachment — Delta, a Delta Force é uma unidade de missões especiais do Exército dos Estados Unidos e foi criada em 1977, no auge da Guerra Fria, para responder a ameaças de terrorismo internacional, com foco especial na captura ou eliminação de alvos relevantes e no desmantelamento de redes terroristas. Na prática, segundo o The Washington Post, é considerada uma força de “nível um”, reservada a operações mais sensíveis e de maior risco para a segurança nacional norte-americana. Dentro do meio militar, é comum ser tratada por “The Unit”, CAG ou Task Force Green, nomes que refletem o seu estatuto quase mítico e a cultura de secretismo que a envolve.
A sua existência é raramente reconhecida. Oficialmente, não existe. Os militares que a compõem, todos na casa dos 30 anos, são velhos demais para combates no terreno, mas demasiado jovens (e eficazes) para serem atirados para a reforma. Ninguém sabe quem são, nem mesmo as próprias famílias ou os mais altos nomes do Governo. Ninguém sabe onde estão, até porque podem ser enviados para milhares de quilómetros de casa em poucas horas.
A Delta Force está dependente, operacionalmente, do Joint Special Operations Command (JSOC, na sigla inglesa), a estrutura que coordena as forças especiais de elite dos Estados Unidos, e o apoio administrativo é assegurado pelo Comando de Operações Especiais do Exército. Especificamente, esta força realiza operações de alta intensidade, como resgates de reféns, ações em território considerado hostil e missões de reconhecimento especial, frequentemente em coordenação com a CIA.
Considerado um dos mais exigentes do mundo militar, o processo de recrutamento da Delta Force privilegia não só a resistência física, mas também a capacidade de adaptação extrema e a autonomia em ambientes hostis. O treino centra-se no combate em espaços confinados, tiro de precisão, vigilância técnica e planeamento de operações clandestinas. A unidade está organizada em esquadrões operacionais, divididos em equipas de assalto e reconhecimento que são capazes de serem mobilizadas para qualquer lado em poucas horas.
Escobar, Saddam Hussein e líder do estado islâmico: o histórico da Força Delta
Ao longo dos últimos anos, a Delta Force esteve associada a algumas das operações mais conhecidas da política externa militar dos Estados Unidos, ainda que quase sempre de forma não oficial. De acordo com o The Washington Post, em 1993, participou na captura de Mohamed Farrah Aidid, líder da Somália. No mesmo ano, participou na captura de Pablo Escobar na Colômbia. Também foi esta unidade que derrubou Saddam Hussein, antigo Presidente do Iraque, país em que entrou apenas seis semanas depois do 11 de setembro.
Em 2011, quando abandonou o Iraque, entrou noutra frente de combate: a luta contra o Estado Islâmico. Em 2015, foi a Força Delta que matou os jihadistas do grupo Abu Sayyaf, após ter estabelecido uma parceria com curdos iraquianos. Em 2019, a unidade teve um papel central na campanha contra o Estado Islâmico, incluindo a operação que resultou na morte de Abu Bakr al-Baghdadi, o antigo líder do autoproclamado Estado Islâmico.
Quando os membros da Delta Force morrem em ação, são frequentemente descritos em comunicados oficiais com designações genéricas, numa tentativa de preservar o anonimato da unidade. O secretismo que rodeia esta força norte-americana é, por isso, simultaneamente a sua maior força e a principal fonte de controvérsia.