O grupo Paramount Skydance não desistiu de comprar a Warner Bros/Discovery (WBD) e anunciou que vai avançar para a justiça para obrigar a WBD a divulgar os pormenores da proposta da Netflix, marcando uma nova etapa na batalha entre os grupos para a compra para a empresa. O grupo avançou ainda que vai tentar uma nova estratégia, tentando convencer os acionistas da empresa a mudar o conselho de administração para diretores favoráveis à última proposta de cerca de 93 mil milhões de euros apresentada em dezembro do ano passado.

Na semana passada, a proposta de 93 mil milhões de euros da Paramount foi rejeitada, com o grupo a preferir a oferta da Netflix que já tinha sido aceite. Numa carta aberta aos acionistas da Warner Bros./Discovery, o CEO da Paramount, David Ellison, prometeu que não ia desistir e que estava “empenhado em levar adiante” a sua oferta pública de aquisição à Warner Bros/Discovery.

O Wall Street Journal descreveu o processo atual entre a Paramount e a Warner Bros/Discovery como uma “proxy fight“. De acordo com a CNN Internacional, neste tipo de tática, o comprador tenta “apelar diretamente aos acionistas para que derrubem a administração por dentro ao oferecer, por ação, “um valor superior ao cotado em bolsa”.

No comunicado, Ellison afirmou que a Paramount vai apresentar um grupo de administradores aos acionistas da WBD favoráveis à sua proposta, algo que o CEO do grupo comprador apresenta como sendo do “melhor interesse financeiro” para a empresa que quer adquirir. Além disso, o executivo lembrou que o valor por ação oferecido — 30 dólares por cada uma — é bastante superior ao preço cotado em bolsa, ou seja, 12,54 dólares.

“A WBD tem apresentado razões cada vez mais inovadoras para evitar uma transação com a Paramount, mas o que nunca disse, porque não pode, é que a transação da Netflix é financeiramente superior à nossa oferta real“, continuou o CEO.

A batalha pela WBD intensificou-se no mês passado quando, após uma aparente vitória da Netflix para a aquisição da empresa, a Paramount Skydance avançou para uma oferta hostil direcionada diretamente aos acionistas da Warner Bros/Discovery. A resposta do conselho de administração da empresa surgiu na forma de uma recomendação, tomada após uma deliberação “unânime” e que pedia aos acionistas para resistirem à investida da Paramount para comprar as suas ações.

O que é que a Warner Bros tem para abrir uma guerra de milhões entre a Paramount e a Netflix?

A 22 de dezembro, a Paramount lançou uma contraproposta, que não muda os valores por ação, mas incluía uma garantia pessoal de 34,6 mil milhões de euros do pai do CEO da Paramount, o bilionário Larry Ellison, que co-fundou a empresa de informática Oracle. Novamente, a investida do grupo foi rejeitada pela WBD, com o presidente do conselho de administração, Samuel Piazza Jr., a alegar que “continua a ser inferior ao acordo de fusão com a Netflix em vários pontos-chave”.

Ellison, na carta, discordou da posição da administração e alegou que os acionistas não têm todas as informações necessárias para avaliar a proposta da Netflix e que “precisam dessas informações para tomar uma decisão de investimento informada” e que essas são exigidas pela lei do estado norte-americano de Delaware

“Apresentámos uma ação esta manhã no Tribunal de Chancelaria de Delaware para solicitar que o tribunal simplesmente ordene à WBD que forneça essas informações para que os acionistas tenham o que precisam para tomar uma decisão informada“, acrescentou.

“O melhor resultado para vocês e para nós seria se o conselho da WBD exercesse o direito que tem, nos termos do acordo com a Netflix, de negociar com a Paramount. Se isso acontecer, estaremos abertos e dispostos a colaborar de forma construtiva para garantir o melhor caminho a seguir para a WBD e para cada um de vocês”, concluiu Ellison.