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Yulia Tymoshenko, antiga primeira-ministra ucraniana e agora deputada, está a ser investigada pelas agências anticorrupção do país (NABU e SAPO) por um alegado esquema de suborno dentro do parlamento, noticiou o Ukrainska Pravda. Deputada rejeita acusações e diz que a operação está ligada à especulação sobre as eleições presidenciais iminentes.

De acordo com as fontes citadas pelo mesmo jornal, o  Gabinete Nacional Anti-Corrupção (NABU), juntamente com o Gabinete Especializado Anti-Corrupção do Procurador (SAPO), descobriu um esquema no qual a deputada oferecia benefícios indevidos a vários colegas de outras bancadas em troca de votos “a favor” ou “contra” projetos de lei específicos, nomeadamente em votações destinadas a aprovar a demissão do chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) e do ministro da Defesa, assim como para apoiar nomeações propostas por si.

Os investigadores referem, ainda, a existência de uma conversa alegadamente intercetada entre Tymoshenko e um deputado não identificado, na qual seria sugerido o uso da aplicação Signal para transmitir instruções de voto, com o objetivo de “enfraquecer a maioria” parlamentar detida por Zelensky.

Tymoshenko terá sido formalmente acusada depois de, na noite de terça-feira, as instalações do partido Pátria (Batkivshchyna), que tem 25 dos 450 deputados ucranianos no parlamento, terem sido alvo de buscas conduzidas pelas duas agências anticorrupção. O caso foi classificado de acordo com o Artigo 369.4 do Código Penal da Ucrânia (oferecer, prometer ou dar um benefício ilícito).

A deputada nega todas as acusações. Numa publicação no Facebook, Tymoshenko afirmou: “Declaro oficialmente que as gravações áudio publicadas não têm nada a ver comigo. Rejeito todas as acusações e provarei em tribunal que são infundadas“.

Tymoshenko confirmou, numa outra publicação, que o seu gabinete foi alvo de buscas, mas classificou a operação como politicamente motivada. “Isto não tem nada a ver com a lei ou com a legalidade”, escreveu, acrescentando que a ação estaria ligada à especulação sobre as próximas eleições. “Parece que as eleições estão muito mais próximas do que parecia e alguém decidiu começar a limpar a concorrência“, afirmou. Segundo a antiga primeira-ministra, as autoridades “não encontraram nada”, tendo apenas levado telemóveis de trabalho, documentos parlamentares e poupanças pessoais “totalmente declaradas” no registo oficial de património.

Yulia Tymoshenko foi uma das figuras centrais da política ucraniana no período pós-soviético, tornando-se conhecida durante a Revolução Laranja de 2004-2005, quando liderou protestos contra uma eleição considerada fraudulenta que deu a vitória a Viktor Yanukovych. Depois de perder as presidenciais de 2010 para Yanukovych, foi condenada, em 2011, a 30 meses de prisão por acusações de corrupção.

No ano passado, Tymoshenko apoiou uma proposta de lei, entretanto retirada por Zelensky após várias críticas, de que teria tirado poderes às agências anticorrupção ucranianas.

Volte-face. Zelensky ouve os protestos e anuncia nova lei para devolver poder às agências anticorrupção que tinha fragilizado na véspera

Na altura, o líder da Ucrânia foi sensível aos gritos nas ruas, às duras críticas e a preocupações da União Europeia. Menos de 24 horas após promulgar a polémica lei anunciou outra para reforçar o poder das agências anticorrupção.