João Cotrim de Figueiredo insistiu no discurso de encerramento da sua campanha, esta noite em Braga, num apelo ao voto útil de todos os que não querem António José Seguro na Presidência da República.
“O voto útil não é truque. É um acto consciente de quem percebe o que está em causa. De quem quer garantir que a segunda volta não é uma escolha entre Seguro e Ventura, entre o sono e o pesadelo”, comparou.
O candidato foi ainda mais explícito ao recomendar as razões para não votar nos outros três candidatos mais bem colocados nas intenções de voto. “Façam o vosso voto contar. Não desperdicem nos que não passarão à segunda volta, como Marques Mendes e Gouveia e Melo. Não desperdicem nos que não ganham a ninguém na segunda volta como André Ventura”.
“Votar Marques Mendes, Gouveia e Melo ou André Ventura é eleger Seguro. É isso que querem? Então peço o vosso voto para ser eu a passar à segunda volta”, reforçou Cotrim de Figueiredo, perante mais de 300 apoiantes, no último jantar-comício da campanha.
“Esta candidatura não é um fenómeno de marketing. É um fenómeno cívico, um despertar coletivo”, contrapôs o candidato, refutando algumas das críticas que lhe foram dirigidas. E mostrou-se confiante no resultado de domingo: “Apesar dos ataques brutais, esta candidatura vai conseguir chegar à segunda volta (…). Já ninguém nos pára.”
A confirmação da queixa contra a ex-assessora. E ainda o ataque aos jornalistas
Depois de uma primeira semana de campanha sempre a crescer até chegar ao 2º lugar nas intenções de voto, esta última semana de campanha de João Cotrim de Figueiredo ficou marcada pela controvérsia sobre as suas declarações em relação a André Ventura, com avanços e recuos sobre o facto de não excluir votar no presidente do Chega no cenário de não passar à segunda volta; também pela polémica alegação de assédio da ex-assessora da IL; e pelo ataque explosivo do candidato aos jornalistas pela forma como a questão lhe foi colocada, por no entender do candidato o caso não ter sido investigado ao fim de 4 dias, e também por ter a “campanha sequestrada” pelo tema sem conseguir espaço mediático para outros assuntos.
João Cotrim de Figueiredo confirmou esta sexta-feira de manhã em Guimarães que já foi apresentada a queixa contra a ex-assessora da IL que o acusou de assédio sexual.
O candidato acrescentou ainda que não vai apresentar queixa contra órgãos de comunicação social, apesar de ontem ter acusado os jornalistas de serem cúmplices do seu assassinato político.
Questionado sobre se a forma “irascível” como atacou os jornalistas compromete o perfil presidencial, respondeu: “Acho que não. Quem não se sente não é filho de boa gente”.
Cotrim nega ter sabido da queixa à IL: “Não posso continuar com a minha campanha sequestrada”
E a uma pergunta sobre a forma como, caso seja eleito, pretende lidar com a pressão que o cargo exige, respondeu: “Da mesma maneira que eu lidei com pressões bastante maiores ao longo da minha vida. E, no final, obtendo resultados. Foi da forma que, em cada momento, me pareceu mais adequada.”
Rui Rocha ausente do jantar mas faz desafio nas redes sociais
Uma ausência notada no jantar de encerramento da campanha, em Braga, foi a de Rui Rocha, sucessor de Cotrim de Figueiredo na liderança da Iniciativa Liberal, deputado eleito pelo distrito de Braga, precisamente.
Apesar de não ter comparecido, ao contrário do que aconteceu com outros deputados da Iniciativa Liberal, Rui Rocha divulgou esta sexta-feira um vídeo nas redes sociais a desafiar os eleitores de Braga a darem a vitória a Cotrim de Figueiredo na primeira volta das eleições presidenciais no próximo domingo.
Todo este último dia da campanha do candidato Liberal foi passado no Minho, com duas ações em Guimarães. De manhã, no mercado municipal, o candidato liberal conretizou a comparação que tinha feito na véspera, entre um que Seguro dá sono e um Ventura que é um pesadelo: “O sono é algo que nos adormece e que não nos dá particular energia nem movimento. E um pesadelo é aquilo que nos inquieta e que nos preocupa e que nos deixa ansiosos.”
Num balanço desta campanha para a primeira volta, afirmou: “Chegar da forma como nós chegámos a esta campanha e acabar acima dos 20%, que é aquilo que vai acontecer, é, de tal forma raro na política portuguesa, que merecerá, provavelmente, ser inspiração para outras batalhas políticas do futuro.” Apesar desta referência aos 20%, frisou que o objetivo é passar à segunda volta.
Os planos para a campanha da 2ª volta, onde espera contar com o apoio de Marques Mendes
À tarde, após a visita a uma empresa têxtil de Guimarães, João Cotrim de Figueiredo disse aos jornalistas que já tem planos para a campanha para a segunda volta das presidenciais: “Não há um excesso de confiança aqui, é só porque se começasse a pensar nisso só no fim de semana provavelmente não seria tão bem, portanto já começámos já, o pior que pode acontecer é não utilizarmos isso”.
No cenário de passar à segunda volta, o candidato Liberal espera contar com o apoio do adversário da AD: “Acho que Marques Mendes tem a responsabilidade suficiente e a experiência suficiente para acabar por vir, recomendar o voto na minha candidatura”.
Numa das últimas declarações à imprensa antes das eleições, questionado sobre se se arrepende de alguma coisa nesta campanha, o candidato respondeu negativamente: “Eu não sou muito de arrependimentos, arrependo-me mais de não corrigir alguns erros do que de os fazer”. E congratulou-se por ter sido possível “fazer política séria, sem a tornar maçadora e roubando espaço eleitoral e político àqueles que querem fazer da política um mero circo de ódios e de ressentimentos”.
No fim do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, Cotrim de Figueiredo considerou inevitável que o sucessor tenha “um novo tipo de atitude política, sobretudo de relacionamento com as populações: não lhes esconder coisas, não lhes mentir, não lhes prometer o que não se pode entregar, não lhes dizer que há transições que vão ser fáceis quando não vão, que há sacrifícios que podem ser necessários antes de as coisas ficarem melhor”.