A campanha para a segunda volta ainda não arrancou oficialmente, mas António José Seguro quis marcar o dia com uma visita a duas unidades de saúde familiar em Odivelas, para manter à tona a prioridade da saúde e as “exigências” nesta área. Mas mantém linha de não-agressão com o Governo, tentanto provar que do seu lado haverá “estabilidade política.”
Numa fase de diferenciação face ao adversário, o candidato começou logo com a contabilização de apoios à sua candidatura — e sobretudo a sua origem. Rui Moreira e José Miguel Júdice já disseram que, na segunda volta das presidenciais, votarão em Seguro. O socialista registou o facto de serem, respetivamente, os mandatários nacionais dos seus adversários na primeira volta Luís Marques Mendes e João Cotrim Figueiredo. Tendo em conta que os candidatos em si, na noite eleitoral, não deram qualquer indicação sobre um apoio na segunda volta, Seguro vai já agarrando o que tem no bolso nessa fase.
Não só se disse “muito feliz” com os dois apoios concretos, como também “com todos os apoios que têm chegado, quer da esquerda, quer da direita”. Uma tentativa de provar a capacidade da sua candidatura em chegar a todos. Nos últimos dias de campanha, na primeira volta, e já antecipando a passagem à segunda volta com André Ventura, Seguro apelou logo ao voto dos “democratas“, tentando agregar o maior número de eleitores possível. A linha mantém-se a mesma.
Mas há outra frente em que o socialista vai agora parecendo apostar mais para se diferenciar de Ventura: a promessa de estabilidade política. Esta manhã, em frente às duas USF que tinha acabado de visitar, Seguro foi confrontado com a sua relação com o Governo, nomeadamente se pretende pressionar o primeiro-ministro com a necessidade de resultados na área da saúde. Mas o candidato recusou vir para “pressionar” — embora também tenha voltado a dizer que vem “para exigir resultados.”
Nesta linha de argumentação, Seguro falou na necessidade de existir “cooperação institucional com os órgãos de soberania e, designadamente, com o Governo que tem o poder executivo”. E coloca um peso na “estabilidade política”, considerando-a “muito, muito, muito importante”. Mesmo num quadro em que à segunda volta passam dois candidatos apoiados pelos partidos da oposição.
Questionado sobre se o resultado mudará alguma coisa na forma como se tem referido ao primeiro-ministro, o candidato nega. “Eu vou continuar a fazer a campanha que fiz na primeira volta. A minha candidatura é suprapartidária e sempre será suprapartidária.
“A natureza do cargo de Presidente da República assim o exige. E eu quero honrar o voto que os portugueses me deram nesta primeira volta e ser merecedor da confiança de mais portugueses na segunda volta. E, portanto, serei sempre um Presidente superpartidário, um Presidente independente“, referiu.
A candidatura ainda está a estudar o plano para a segunda volta de campanha oficial, que começará depois de publicado o apuramento final da primeira volta. Ainda questionado pelos jornalistas sobre se está disponível para debater, frente a frente com André Ventura, o socialista empurrou a questão para outra altura e disse apenas que o seu “papel principal é dialogar com os portugueses”.