Julio Iglesias pediu o arquivamento da investigação que corre contra si por alegados crimes de agressão sexual e tráfico de pessoas denunciados por duas ex-funcionárias. O cantor — que reclamou ainda o “acesso direto” ao processo — viu, no entanto, os seus pedidos rejeitados pela Procuradoria-Geral espanhola, que recusou tanto o arquivamento, como a participação do artista na investigação em curso, noticiou o elDiario.es.
As duas ex-funcionárias de Iglesias apresentaram uma queixa na justiça espanhola a 5 de janeiro, alegando ter sido vítimas de várias formas de violência enquanto trabalhavam para o cantor, entre janeiro e outubro de 2021. Os abusos terão ocorrido nas propriedades do acusado na República Dominicana e nas Bahamas, incluindo agressões, assédio sexual, controlo dos telemóveis, restrições à liberdade de circulação e jornadas de trabalho excessivas, revelados pela investigação jornalística conduzida pelo elDiario.es e pela Univisión.
Julio Iglesias acusado de abuso sexual por duas ex-funcionárias. Governo espanhol exige investigação
Rebeca (nome fictício da empregada doméstica) alega ter sido pressionada a manter relações sexuais com Iglesias e acusa o cantor de penetrações, bofetadas e humilhações físicas e verbais. Laura (nome fictício da fisioterapeuta) denuncia insultos e toques indevidos.
O advogado de Iglesias, José Antonio Choclán, defendeu que, uma vez que a denúncia versa sobre atos alegadamente praticados fora de Espanha, “os tribunais espanhóis (e, por extensão, o Ministério Público da Audiência Nacional) não têm competência para investigar o incidente relatado”.
“É inaceitável que o Ministério Público espanhol assuma unilateralmente o poder de se tornar num ‘Procurador Universal’, e que os tribunais espanhóis (…) tenham o direito de escolher a jurisdição que melhor lhes convém”, declarou Choclán.
Em resposta, a procuradora-adjunta Marta Durántez defendeu que a investigação corre numa fase embrionária até chegar a uma “decisão devidamente fundamentada” sobre as alegações. “Não é apropriado neste momento admitir o comparecimento solicitado, visto que estamos numa fase inicial, na qual, prima facie (à primeira vista), devemos determinar a competência do Tribunal Nacional para apreciar os factos relatados”, lê-se no decreto assinado por Marta Durántez, segundo o El Mundo.
Embora o Ministério Público ainda não tenha decidido sobre a sua competência neste caso, a Women’s Link Worldwide, organização internacional de direitos humanos que apoiou as ex-funcionárias na apresentação da denúncia, confirmou esta semana que as duas mulheres serão ouvidas com o estatuto de testemunhas protegidas.
A defesa de Iglesias critica a atribuição do estatuto de testemunha protegida às duas mulheres, alegando que as próprias transformaram “o assunto num fenómeno mediático por vontade própria”. Por outro lado, indica que deve estar “inexoravelmente” presente nesta audiência “para provar a falsidade das acusações e defender a honra do cantor contra o exercício abusivo de ações criminosas e campanhas agressivas nos meios de comunicação social que o estão conduzindo a uma inevitável punição natural, fora do processo legal”.