António José Seguro esteve esta tarde reunido com especialistas em política internacional, para se mostrar preparado para o complexo contexto com que terá de lidar, como Chefe de Estado, se chegar a Belém. E quando escolhe um tema para falar, evita todos os outros, sobretudo responder ao adversário que o acusava de fugir a debates.

Ficou marcado apenas um debate televisivo, entre Seguro e Ventura, para a próxima terça-feira. O adversário acha pouco e Seguro empurra o assunto para a sua equipa “que trata dessas questões da comunicação”. Desresponsabilizou-se pelo resultado final das negociações sobre os debates e quando questionado sobre se mais debates não seriam positivos até para debater assuntos internacionais, o candidato ironizou: ““Eu penso que será o 31º debate”.

Na primeira volta houve 28 debates a dois nas televisões e mais dois com todos os candidatos presentes (um nas rádios e outro na RTP), ou seja, André Ventura e António José Seguro só se enfrentaram uma vez. Na próxima semana será a segunda.

Seguro recusou falar mais desta questão e o mesmo sobre os apoios que chegam da direita — na altura das declarações o apoio de Marques Mendes já tinha sido noticiado, mas o candidato preferiu esperar por declarações do próprio –, o dia era para marcar a “atenção” e “cuidado” que diz estar a ter com a situação internacional. O tema esteve praticamente ausente nas suas intervenções durante as duas semanas de campanha oficial, mas o candidato nega que o traga agora como “prioridade” para se diferenciar de André Ventura, próximo de Donald Trump: “Penso que me fazem a justiça de que eu não preciso de fazer essa diferenciação.”

Depois de se ter reunido com oito especialistas em política internacional, saiu a defender a “manutenção das alianças quer da NATO quer da União Europeia”. Em declarações aos jornalistas, o candidato presidencial considera as questões da segurança e da defesa “essenciais” nesta fase, explicando que tem estado em contacto com “vários especialistas portugueses para perceber melhor e seguir com atenção aquilo que é necessário que o país possa fazer”.

Em defesa da manutenção das alianças, Seguro disse que o país precisa “de parceiros para garantir a defesa e a segurança e simultaneamente também de parceiros para garantir a prosperidade.” Mas também disse que “há muito trabalho de casa a fazer, quer no seio da União Europeia quer no seio do país” e, aqui, importa “garantir que o consenso que existe em termos das forças políticas do país se possa manter perante os desafios que tem pela frente”, avisou.

Na reunião que antecedeu estas declarações esteve Carlos Coelho, antigo eurodeputado do PSD, que é também um amigo próximo de António José Seguro. E também estiveram presentes Ana Santos Pinto (perita em geopolítica do Médio Oriente, política externa da UE e segurança internacional), Bernardo Ivo Cruz (ex-secretário de Estado da Internacionalização), Carlos Gaspar (investigador em relações internacionais), Heitor Barras Romana (investigador na área que foi adjunto no gabinete de José Luís Carneiro no MAI), o ex-ministro da Defesa Nuno Severiano Teixeira, Sónia Sénica (também especialista em relações internacionais) e a constitucionalista Teresa Violante, que foi apoiante da candidatura de Henrique Gouveia e Melo na primeira volta destas presidenciais.