As terras raras, um conjunto de elementos químicos essenciais para a produção de tecnologia e armamento, têm estado em muitas das decisões deste segundo mandato de Donald Trump. A Gronelândia tem-nas. O Canadá tem-nas. A Ucrânia também. Mas a China é quem tem os maiores depósitos.

Os Estados Unidos também têm depósitos significativos. E uma das suas empresas, a USA Rare Earth, é detentora de licenças de exploração de terras raras nos Estados. Está a desenvolver uma mina de dimensões em Sierra Blanca, no Texas, que, segundo o Financial Times, contém 15 dos 17 elementos químicos que compõem as terras raras e está a planear abrir uma unidade de produção de ímanes em Stillwater, Oklahoma, de onde é originária. Em bolsa a empresa está avaliada em 3,7 mil milhões de dólares.

É, agora, avançada a notícia de que a Administração Trump pretende injetar 1,6 mil milhões de dólares (cerca de 1,4 mil milhões de euros) em dívida e ações da companhia, o que seria o seu maior investimento no setor. No ano passado, o governo norte-americano investiu em pelo menos seis empresas de minérios, de acordo com o jornal britânico. Ficou com 15% na MP Materials, 10% na Trilogy Metals, 10% na Lithium Americas, além da aquisição de 10% na Intel e da golden share na US Steel Corporation.

A notícia de que a Administração Trump iria entrar na USA Rare Earth surgiu no sábado. A ação da empresa subiu 9% na sexta-feira e 40% na última semana. Se o zoom for feito ao mês a subida é de 70%.

Ao FT, fontes anónimas indicaram que a Administração Trump ficará com 16,1 milhões de ações da USA Rare Earth e warrants (dão ao detentor a possibilidade de conversão) para mais 17,6 milhões a 17,17 dólares cada. Pagará 277 milhões de dólares por uma posição acionista. A empresa está a cotar nos 24,77 dólares. A empresa receberá ainda um financiamento em dívida garantida de 1,3 mil milhões de dólares, que chegará de uma linha de crédito criada pelo Departamento do Comércio no âmbito do Chips Act, aprovado em 2022.

O Financial Times noticia, ainda, que em paralelo a companhia contratou a Cantor Fitzgerald, uma firma de investimento que foi detida pelo secretário do Comércio Howerd Lutnick e que agora é gerida pelos seus filhos, para garantir um financiamento adicional de mil milhões de dólares. Esta será, aliás, uma das condições para o investimento público: de conseguir um adicional privado de pelo menos 500 milhões.

Os negócios deverão ser anunciados na segunda-feira.