Mais de 150 mil casas foram inundadas em Moçambique nas cheias deste mês, bem como quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com informação até às 07h00 (05h00 de Lisboa) desta segunda-feira, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram já 652.189 pessoas, equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

Segundo os dados desta segunda-feira, estão atualmente ativos 99 centros de acomodação, com 99.907 pessoas, incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 7 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 364 escolas, três pontes e 1.336 quilómetros de estrada.

No registo do INGD aponta-se ainda para 285.720 hectares de área agrícola afetados, colocando em causa a atividade de 214.046 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Esta segunda-feira prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.

Estão envolvidos nestas operações mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

Japão envia ajuda de socorro

Entretanto, o Japão anunciou esta segunda-feira o envio de equipamentos de socorro de emergência.

“Tendo em conta a perspetiva humanitária e as estreitas relações entre o Japão e Moçambique, o Japão decidiu prestar assistência de emergência à República de Moçambique para apoiar as pessoas afetadas pelas fortes chuvas”, lê-se numa informação do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês.

Trata-se de uma resposta ao pedido do Governo de Moçambique, para fornecer bens de socorro de emergência, como tendas, cobertores, tanques de plástico, purificadores de água e lonas, apoio que será prestado através da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), em resposta aos danos causados pelas fortes chuvas das últimas semanas.