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A França está contra o plano da União Europeia de facilitar a compra dos mísseis britânicos pela Ucrânia, conta o Telegraph, defendendo que o investimento seja feito dentro de território europeu. Os Storm Shadow são mísseis de cruzeiro de longo alcance — sem expor diretamente os pilotos ao fogo inimigo — concebidos para atingir com elevada precisão alvos estratégicos bem defendidos, a partir de aeronaves.

Esta posição, adiantada pelo jornal britânico, surge na sequência de uma proposta conjunta de 11 países da UE para que Kiev pudesse beneficiar do empréstimo de 90 mil milhões de euros para a compra de armas britânicas — algo que, no caso concreto dos mísseis Storm Shadow, os responsáveis por este manifesto acreditam ser uma opção válida para reforçar a defesa ucraniana.

Paris pretende, por outro lado, que o dinheiro seja gasto dentro do espaço comunitário, em consonância com o plano atual da UE, que dá prioridade às indústrias de defesa da Europa e da Ucrânia, independentemente das urgências defensivas de Kiev, numa altura em que diplomatas britânicos estão em negociações com representantes do grupo das 11 capitais, adianta o mesmo jornal. Uma compra fora do bloco europeu abriria portas a outros ‘vendedores’. Entre eles, explica o mesmo jornal, os Estados Unidos da América, dos quais o Executivo francês parece, agora, mais afastado diplomaticamente, depois de Trump ameaçar anexar a Gronelândia, seja “da maneira fácil”, seja “da maneira difícil”.

No entanto, documentos a que o The Telegraph teve acesso a Ucrânia estima que serão necessários, em 2026, 24 mil milhões de euros em equipamento militar fabricado fora da UE. Grande parte desse valor é precisamente para a compra de material norte-americano: sistemas de defesa antiaérea Patriot, para detetar, rastrear e intercetar mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e aeronaves inimigas.

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Para contornar os entraves, está a ser proposto um sistema de prioridades de quatro níveis na compra de material, em que o Reino Unido está no terceiro lugar, à frente dos EUA, caso consiga suprir as necessidades de Kiev. Em primeiro lugar, o espaço comunitário. Em segundo, a Ucrânia.

“Estamos a tentar fazer duas coisas”, disse uma fonte diplomática ao jornal britânico. “Primeiro, garantir que o sistema é suficientemente aberto para que o Reino Unido possa estar confortavelmente incluído. Segundo, assegurar que o ónus administrativo para os ucranianos, para chegarem a esse nível da cascata, não é demasiado pesado”, afirmou.

O interesse em colocar o Reino Unido à frente dos EUA, lê-se no artigo, é o facto de Londres liderar a “Coligação das Vontades”, que prevê o destacamento de tropas para a Ucrânia, na eventualidade de um acordo de paz. Porém, Paris tem uma forte presença na mesa onde os diplomatas britânicos se sentam para negociar. Ainda assim, adianta o mesmo meio, há forças de contrapeso na eventual influência francesa: Estónia, Letónia, Lituânia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Polónia, Roménia, Chéquia e Países Baixos.

*Texto editado por Cátia Andrea Costa