Inicialmente, seria um cidadão romeno. As autoridades italianas encontraram um corpo de um homem de 54 anos na Via Nerino, uma das principais ruas no centro de Milão na passada sexta-feira, que se teria atirado do quarto andar de um apartamento de férias. Mas era uma identidade falsa: a investigação veio revelar que se tratava, afinal, de um banqueiro ucraniano com o nome Alexander Adarich, que já integrou a lista de melhores empresários da Ucrânia.
A tese mais óbvia parecia ser a de um suicídio. Contudo, as investigações levadas a cabo pelas autoridades italianas revelaram um panorama muito mais complexo. Minutos antes de morrer, vários homens terão estado no apartamento onde estava Alexander Adarich — e os procuradores estão a tentar perceber quem eram e procuram localizá-los. Neste contexto, segundo o jornal italiano Corriere della Sera, a investigação preliminar aponta para a possibilidade de homicídio — com uma posterior simulação de suicídio.
O enigma ainda se adensou mais com a descoberta de várias identidades falsas de Alexander Adarich, uma das quais um documento com nacionalidade romena, a primeira identificação que as autoridades italianas atribuíram à vítima. Três documentos falsificados foram apreendidos, mas não é claro ou não se pertenciam ao banqueiro ou se foram colocados por alguém posteriormente.
Segundo o jornal La Repubblica, havia sinais de violência no corpo de Alexander Adarich, mais além dos ferimentos resultantes da queda. As autoridades desconfiam de que terá sido agredido antes de cair do quarto andar do apartamento de férias onde estava hospedado.
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O motivo da viagem do banqueiro ucraniano também está a levantar várias questões. Não é claro o que terá ido Alexander Adarich fazer a Itália. O quarto onde ficou a dormir na cidade italiana não foi nem sequer reservado online por ele — foi por outra pessoa cuja identidade ainda não é conhecida. O empresário estaria no apartamento reservado através da plataforma Airbnb apenas dois dias (de 22 a 24 de janeiro), mas apenas chegou a Milão (onde nunca tinha estado) no dia 23 de janeiro de manhã — dia em que acabou por morrer.
Por agora, as autoridades apontam como tese mais provável que o homem de 54 anos tenha vindo fechar algum negócio a Milão, mas ainda não é bem claro qual. Neste momento, estão a ser investigadas as contas bancárias de Alexander Adarich, mas a missão revela-se difícil já que o banqueiro tinha contas em várias países. Os investigadores já localizaram o paradeiro da mulher do empresário, mas não soube dar resposta às questões das autoridades.
Alexander Adarich nasceu em Pavlohrad, na província ucraniana de Dnipro. Começou a carreira no banco ucraniano PrivatBank em 1993 e chegou a vice-diretor do ramo da instituição bancária em Kharkiv. Em 2002, juntou-se ao banco UkrSibbank e transformou-o num dos mais importantes na Ucrânia, enquanto presidente do Conselho de Administração. Foi nesse cargo que foi considerado um dos 100 melhores empresários ucranianos em 2006. Trabalhou depois no banco Fidobank, que acabou por falir.