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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu, na quarta-feira, uma possível “abordagem mais branda” na política de imigração interna no país, mas manteve um tom duro na frente externa, com ameaças ao líder supremo do Irão, que “deveria estar muito preocupado” e o diagnóstico de “grandes problemas” feito a Cuba, com quem afirma estar em conversações. Das críticas e ameaças, escapou Delcy Rodríguez, a Presidente interina da Venezuela que “tem feito um ótimo trabalho”.
Na entrevista à NBC, o Presidente voltou a alertar para o que descreve como uma recente “grande ameaça” iraniana, garantindo que Teerão estaria a semanas de obter uma arma nuclear antes da intervenção norte-americana, embora tenha sublinhado que as negociações continuam em curso. “Dentro de um mês, eles teriam uma arma nuclear”. Agora, garantiu, “já não a vão ter mais”, referindo ter “ouvido dizer” que os iranianos estariam a tentar retomar o programa nuclear.
“Eles tentaram voltar ao local. Nem sequer conseguiram chegar perto, estava tudo completamente destruído. Mas eles estavam a pensar em começar num novo local, noutra parte do país. Nós descobrimos isso. Eu disse: ‘Se o fizerem, vamos fazer-vos coisas muito más’.”
Questionado sobre se Ali Khamenei, o líder supremo do Irão, devia estar preocupado, Trump respondeu de forma clara: “Ele deveria estar muito preocupado”.
Sobre o apoio dos EUA aos manifestantes iranianos, afirmou que os acontecimentos recentes o comprovam. “Nós apoiámo-los. Aquele país está uma confusão agora por nossa causa. Nós entrámos, destruímos o programa nuclear deles. Se eu não o tivesse eliminado, não teríamos paz no Médio Oriente, porque os países árabes nunca teriam conseguido fazer aquilo. Eles tinham muito, muito medo do Irão”, defendeu.
Noutra frente da política externa norte-americana, Trump elogiou a liderança interina da Venezuela e comparou a situação ao Iraque pós-Saddam Hussein. “Lembra-se que no Iraque eles livraram-se de toda a gente, não tinham generais, não tinham povo, não tinham ninguém para governar? Acabou por ser uma confusão. E foi daí que surgiu o ISIS. Foi muito mal gerido”, disse, defendendo que, no caso da Venezuela, a transição “está a ser muito bem gerida”.
Ainda sobre Caracas, Trump voltou a mencionar de forma vaga uma arma alegadamente usada na captura de Nicolás Maduro, conhecida como Discombobulator. “Bem, não me é permitido falar sobre isso. Mas deixa-me dizer-te uma coisa: sabe o que acontece? Nenhum dos equipamentos [dos inimigos] funciona. É isso que acontece. Ficou tudo desorientado.”
E acrescentou: “Vamos colocar as coisas desta forma. Não perdemos nenhum equipamento numa situação muito difícil — e eles são bons lutadores num cenário difícil. Tratava-se de uma base militar.”
Em contraste com os elogios a Caracas, Trump traçou um cenário sombrio para Cuba. Questionado sobre a permanência do atual Governo cubano, limitou-se a dizer que o país está com “grandes problemas” depois da detenção do Presidente Nicolás Maduro: “O dinheiro deles vinha da Venezuela, o petróleo deles vinha da Venezuela, transformavam o petróleo em dinheiro, etc., etc. E nada disso está a acontecer”.
Apesar disso, revelou que Washington tem mantido contactos com Havana. “Estamos a conversar com Cuba”, afirmou, acrescentando que as “dezenas de milhares” de pessoas que foram forçadas a sair do país poderão agora ter a opção de regressar. “Há anos que falam sobre isso acontecer; agora está a acontecer”.
“Queremos abrir as portas para as pessoas que querem visitar. Acho que a maioria das pessoas quando está aqui quer ficar aqui. Espero que não as percamos. Mas elas vão ter opções. E vão poder voltar, ver os seus entes queridos, ver a sua família, os seus amigos.”
Depois do tom de ameaça em relação ao Irão, a entrevista mudou abruptamente de registo quando o jornalista introduziu um tema bem diferente: “Senhor Presidente, o salão de baile aqui, quero que me mostre.” A conversa desviou-se então para um novo projeto arquitetónico na Casa Branca, com Trump a descrever a ideia de construir um arco “maior do que o Arco do Triunfo de Napoleão”.
Com o foco na política interna, Trump reclamou méritos pela economia norte-americana e disse querer alargar a sua política de imigração a várias cidades. “Temos cinco cidades que estamos a analisar com muita atenção, mas queremos ser convidados”, afirmou a Tom Llamas, do NBC Nightly News, sem especificar quais.
O Presidente reconheceu não estar “feliz” com o assassinato de dois cidadãos norte-americanos por agentes federais, Renee Nicole Good e Alex Pretti, classificando os casos como “muito tristes” e defendendo que os agentes também se sentem afetados. “Aprendi que talvez possamos usar um pouco mais de brandura, mas ainda precisamos ser firmes.”
Quando lhe pediram para apontar um favorito à sua sucessão no Partido Republicano, Trump animou-se, mas evitou comprometer-se, preferindo distribuir elogios: “O JD [Vance] é fantástico, e o Marco [Rubio] é fantástico”.
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