O negócio foi realizado a 3 de fevereiro de 2023 e está em causa a venda de uma vivenda no Vale das Andorinhas, na zona da Malveira (concelho de Mafra). De acordo com a escritura de compra e venda consultada pelo Nascer do Sol, Carlos Santos Silva pagou 775 mil euros a Pedro Pinto de Sousa, irmão de José Paulo Pinto de Sousa (arguido da Operação Marquês). Os Pinto de Sousa são primos de José Sócrates.

De acordo com o semanário, estará em causa um alegado negócio simulado que repete alegados esquemas de branqueamento de capitais investigados na Operação Marquês e que visavam fazer chegar fundos a José Sócrates.

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No centro da operação imobiliária estará uma simulação de uma dívida em Angola. O empresário angolano Anjos Ferreira adquiriu uma sociedade angolana chamada Salinas do Tchiome Lda a José Paulo Pinto de Sousa e a Miguel Bataglia, sobrinho de Hélder Bataglia (igualmente arguido na Operação Marquês). Na sequência da compra dessa empresa fundada em 2012,  Anjos Ferreira terá ficado com uma dívida para com o primo de José Sócrates e Miguel Bataglia, segundo o Nascer do Sol.

Em relação à dívida para com José Paulo Pinto de Sousa, o empresário angolano entregou dois imóveis como dação em pagamento: o T4 na Ericeira no qual José Sócrates vive (operação que ocorreu em 2018) e a vivenda no Vale das Andorinhas, na Malveira (negócio concluído 2021). A primeira foi escriturada por 380 mil euros, enquanto que a segunda foi avaliada na escritura por 600 mil euros.

Segundo o Nascer do Sol, o negócio da vivenda do Vale das Andorinhas terá sido precedido de um esquema para ocultar os nomes de Anjos Ferreira e de José Paulo Pinto de Sousa. O empresário cedeu a dívida à sua mulher Irina Diniz Ferreira e José Paulo cedeu o seu crédito ao seu irmão Pedro Pinto de Sousa e a dação em pagamento foi escriturada em novembro de 2021. Pouco mais de um ano depois, Carlos Santos Silva comprou a casa ao primo de José Sócrates.

Recorde-se que o Ministério Público imputa em regime de co-autoria três crimes de corrupção passiva a José Sócrates e Carlos Santos Silva, sendo que este último é acusado de ser o alegado testa-de-ferro que terá escondido cerca de 34 milhões de euros na Suíça que pertencerão ao ex-primeiro-ministro. Com a decisão de não pronúncia tomada em abril de 2021, o juiz Ivo Rosa decidiu levantar o arresto desses fundos e de vários imóveis muito valiosos (como a famosa casa de Paris) e devolver tudo a Santos Silva.

A decisão de Ivo Rosa foi revertida em janeiro de 2024, José Sócrates, Carlos Santos Silva e mais 16 arguidos foram pronunciados para julgamento — que começou em julho de 2025 — mas os arrestos não vieram a ser repostos.

Sócrates nega tudo. “Carlos Santos Silva nem me pagou um cafezinho”

Em declarações à CNN Portugal, José Sócrates negou a imputação do semanário Nascer do Sol. Diz nada ter a ver , “absoluto”, com “qualquer negócio entre terceiros sobre compras de casas e outras transações.”

O ex-primeiro-ministro faz questão de recordar que os dois, Sócrates e Santos Silva, foram “presos em 2014” e assegura que, desde essa altura, “o engenheiro Santos Silva não me paga nem sequer um cafezinho”.

“São lamentáveis estes métodos do Ministério Público para perseguir pessoas, plantando nos jornais suspeitas infundadas que inventam contra mim – é o único método que conhecem. Por exemplo em relação à compra e venda das casas da minha mãe, já ficou mais do que provado de que foi tudo legítimo, suspeitas infundadas”, afirma.