O homem acusado de planear o assassinato falhado de Gurpatwant Singh Pannun, cidadão norte-americano e advogado ligado a um grupo que defende a independência do Punjab, no norte da Índia, declarou-se culpado esta sexta-feira num tribunal dos Estados Unidos, segundo a Reuters. Nikhil Gupta, de nacionalidade indiana, assumiu responsabilidade por três crimes — homicídio por encomenda, conspiração para cometer homicídio por encomenda e conspiração para lavagem de dinheiro — num esquema em que terá atuado como intermediário, alegadamente a mando de um responsável do governo indiano.

O governo de Nova Deli rejeitou as acusações contra Gupta, que datam de 2023. À data, o arguido residia na Índia, mas acabou por ser extraditado para os Estados Unidos em 2024, depois de ser intercetado na República Checa. À chegada aos EUA, declarou-se inicialmente inocente, mas agora Gupta arrisca-se a cumprir até quarenta anos de prisão.

De acordo com os procuradores norte-americanos citados pela agência noticiosa, Nikhil Gupta conspirou com um funcionário do governo indiano para matar Pannun, residente nos Estados Unidos e detentor de dupla nacionalidade (dos Estados Unidos e do Canadá), devido à sua atividade política em defesa da criação de um Estado sikh soberano. O grupo a que pertence, o Sikhs For Justice, é classificado pelas autoridades indianas como uma ameaça extremista.

O caso decorre num contexto internacional sensível, marcado também pelo homicídio de Hardeep Singh Nijjar, um defensor da independência sikh morto a tiro em junho de 2023 no Canadá, à saída de um centro cultural sikh em Surrey, no estado canadiano da Colúmbia Britânica. Organizações sikhs classificaram Nijjar como ativista de direitos humanos, enquanto o governo indiano o descrevia como criminoso. O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, afirmou posteriormente que existiam “alegações credíveis” de uma possível ligação de agentes indianos ao crime, acusações que a Índia negou veementemente.

Canadá e Índia enfrentam crise diplomática. Assassínio de líder separatista sikh no centro da desavença

Em 2024, as autoridades norte-americanas acusaram um antigo agente dos serviços secretos da Índia de ter coordenado, à distância, uma tentativa falhada de assassinato de outro ativista sikh em Nova Iorque, crítico do governo de Nova Deli, num plano que envolvia cúmplices dentro e fora da Índia desde 2023, segundo a Reuters. A sucessão de processos judiciais e investigações em diferentes países tem contribuído para um agravamento das tensões diplomáticas em torno da atuação da diáspora sikh e das alegadas operações extraterritoriais atribuídas à Índia.

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