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Depois de Israel e os Estados Unidos terem atacado esta quarta-feira a maior reserva de gás do mundo — coração do sistema energético iraniano —, o Irão promete retaliar contra instalações de petróleo e gás em toda a região do Golfo Pérsico. Na mira de Teerão — que considerou o ataque às instalações de gás um “crime de guerra” que não ficará sem resposta — estarão “infraestruturas inimigas que anteriormente se pensava serem seguras” em todo a região do Golfo Pérsico, segundo a agência Fars, citada pela Al Jazeera.
Quatro secções das instalações petroquímicas de South Pars terão sido atingidas, tendo sido necessário interromper operações “para controlar e impedir a propagação do fogo”, de acordo com as autoridades iranianas. Apesar disso, a dimensão total dos danos permanece incerta. A televisão estatal, indicou que equipas de emergência foram mobilizadas para combater as chamas no local.
Um porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya, ligado à Guarda Revolucionária iraniana, deixou uma ameaça direta aos responsáveis pelos ataques, garantindo que “as infraestruturas de combustível, energia e gás” dos responsáveis pelo ataque “serão queimadas e reduzidas a cinzas assim que possível”. Num comunicado divulgado pela agência Mehr, citado pela estação de televisão do Qatar, reforçou o tom de aviso: “Este é um aviso firme e claro aos criminosos que atacaram parte da infraestrutura de combustíveis e energia do Irão, no sul do país”. “Declaramos ao exército cobarde e agressivo da América criminosa e ao regime sionista bárbaro e assassino de crianças que terão de atirar os vossos soldados para a água e deitar a vossa dignidade ao vento”, conclui a declaração.
Também o governador de Assaluyeh — um dos principais polos de gás e petroquímica do Irão, abastecido pelo campo de South Pars — considerou que o conflito entrou numa nova dimensão, afirmando que “o pêndulo da guerra oscilou” para uma “guerra económica em larga escala”. Eskandar Pasalar foi mais longe, ao descrever a ação de Israel e dos Estados Unidos como um “suicídio político”, defendendo que este momento marca uma “nova fase nas equações de guerra”. Citado pelo Financial Times, deixou ainda um alerta: “a segurança energética na região chegou a zero”.
O imenso campo de gás de South Pars/North Dome é a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irão partilha com o Qatar, que já reagiu condenando o ataque que o porta-voz do Governo qatari, Majed al-Ansari, qualifica como “perigoso e irresponsável”. “Atacar infraestruturas energéticas constitui uma ameaça à segurança energética global, bem como às populações da região”, afirmou na rede social X.
The Israeli targeting of facilities linked to Iran’s South Pars field, an extension of Qatar’s North Field, is a dangerous & irresponsible step amid the current military escalation in the region.
Targeting energy infrastructure constitutes a threat to global energy security, as…
— د. ماجد محمد الأنصاري Dr. Majed Al Ansari (@majedalansari) March 18, 2026
“Reiteramos, tal como temos vindo a salientar repetidamente, a necessidade de evitar ataques a instalações vitais. Apelamos a todas as partes para que deem provas de moderação, respeitem o direito internacional e trabalhem no sentido de uma desescalada, de forma a preservar a segurança e a estabilidade da região”, concluiu al-Ansari.
Os Emirados Árabes Unidos também condenaram o ataque, classificando-o como uma “escalada perigosa” que “representa uma ameaça direta à segurança energética global, bem como à segurança e estabilidade da região e da sua população”. Em comunicado, citado pela Al Jazeera, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país defendeu ainda a “necessidade de evitar, em qualquer circunstância, atacar infraestruturas vitais, sublinhando a importância de respeitar o direito internacional”.
A instalação fornece cerca de 70% do gás natural consumido no Irão, que o explora desde o final da década de 1990.
Israel já tinha atacado instalações iranianas neste local durante a guerra dos 12 dias, em junho de 2025. O país lançou novos ataques contra o Irão a 28 de fevereiro, em conjunto com os Estados Unidos, matando no primeiro dia o seu Líder Supremo, o aiatola Ali Khamenei, e desencadeando uma guerra que se alastrou a todo o Médio Oriente.