Era o “chefe”, o número dois do regime e um dos principais rostos da Guarda Revolucionária. Esta terça-feira ficou marcada pela morte de Ali Larijani, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, um dos cargos com mais peso no sistema político dos clérigos xiitas. É mais um dos altos dirigentes iranianos a morrer na sequência da Fúria Épica. E não foi o único: Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, foi também assassinado durante os ataques aéreos israelitas.
O Irão prometeu vingar a morte dos dois responsáveis pelo regime e intensificou a ofensiva aérea contra território israelita. Como resultado, um casal de 70 anos morreu durante um bombardeamento em Ramat Gan, nos subúrbios de Telavive. O número de mortos em Israel subiu para 14. O país acusou o regime iraniano de ter levado a cabo ataques a zonas residenciais.
Noutro ponto quente do conflito, Telavive prosseguiu e expandiu esta terça-feira a operação terrestre no sul do Líbano, continuando a mobilizar reservistas para aumentar a ofensiva contra o país vizinho. As Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês) garantiram que estão a destruir infraestrutura do Hezbollah, que, por sua vez, assegurou que continua a atacar território israelita com sucesso. Os combates em solo libanês fizeram mais de um milhão de deslocados internos, assim como o número de mortos superou os 900.
Pode recordar os acontecimentos de segunda-feira aqui.
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta terça-feira, dia 17 de março:
Irão
- As IDF eliminaram, num ataque aéreo, Ali Larijani, um dos principais rostos do regime iraniano e que estaria a assumir o controlo do país após a morte do antigo Líder Supremo, Ali Khamenei. Israel descreve-o como o “líder de facto do regime de terror iraniano” e saudou que tivesse sido “eliminado”. O Irão confirmou a morte do chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Outros membros da família de Larijani — uma das mais poderosas na República Islâmica — também terão sido mortos.
- Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, que tem como objetivo assegurar a segurança interna, também foi morto esta terça-feira num ataque israelita, assim com o seu número dois, Ghassem Ghoureishi. Estes dois homens foram acusados por Israel de terem suprimido os protestos que irromperam nas ruas iranianas nos últimos anos.
- O Irão prometeu uma “resposta decisiva, dissuasora e destruidora” contra Israel pela morte dos quadros do regime esta terça-feira.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, recusou que a morte de Ali Larijani e de Gholamreza Soleimani vá ter qualquer impacto no regime.
- Israel e Estados Unidos voltaram a atacar a infraestrutura onde o Irão desenvolve mísseis balísticos. As IDF atacaram um local no sul da cidade de Shiraz, que já tinha sido bombardeado durante a Guerra dos Doze Dias.
- Os ataques à indústria de defesa iraniana repetiram-se esta terça-feira com a confirmação de que um armazém de munições foi destruído em Sirjan. As IDF deram ainda conta de que atacaram outro ponto em Tabriz, onde o Irão estaria a fabricar mísseis.
- Além da morte do líder da Basij, os Estados Unidos e Israel bombardearam várias posições da milícia armada, em especial em Teerão. 300 comandantes desta força que pertence à Guarda Revolucionária terão sido mortos esta terça-feira.
- A Guarda Revolucionária iraniana informou que uma família — incluindo duas crianças com menos de três anos — morreu durante um ataque israelo-americano à cidade de Arak.
- Um projétil atingiu o complexo da central nuclear iraniana de Bushehr. Neste sentido, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi, reiterou o apelo “para a máxima contenção durante o conflito para evitar o risco de um acidente nuclear”.
- Ouviram-se várias explosões perto do Palácio Sadabad, um dos principais monumentos nacionais iranianos.
- O governador de Teerão, Mohammad Sadegh Motamadian, contabilizou que 12 mil edifícios em Teerão ficaram danificados desde o início da operação militar “Fúria Épica”.
- O Irão anunciou a detenção de 10 “mercenários” acusados de espionagem.
- O líder parlamentar iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, voltou a avisar numa publicação no X que a “situação do Estreito de Ormuz não vai regressar” à normalidade antes da guerra.
- Os Estados Unidos anunciaram que usaram munições de penetração profunda contra instalações fortificadas de mísseis iranianos perto do Estreito de Ormuz.
Israel e no Líbano
- O território israelita foi alvo de numerosos mísseis iranianos (alguns com munições de fragmentação) esta terça-feira à noite, como retaliação à morte de Ali Larijani e Gholamreza Soleimani. Telavive foi a cidade mais atingida, sendo que um casal na casa dos 70 anos acabou por morrer na sequência de um bombardeamento.
- O Irão também atacou outras partes do território controlado por Israel esta terça-feira, incluindo Jerusalém e a cidade de Holon, em que uma estação ferroviária acabou destruída.
- O Hezbollah deu conta de que atacou 19 posições e bases militares israelitas no norte de Israel (e também nas áreas ocupadas pelas IDF) no sul do Líbano. A milícia xiita assegurou que destruiu tanques, radares e bases militares de Telavive.
- O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, elogiou os militantes do Hezbollah no “confronto contra a agressão israelo-americano”. O responsável da milícia sublinhou ainda que as hostilidades podem terminar em território libanês se Israel cumprir algumas exigências: as tropas israelitas têm de abandonar o país, Israel tem de libertar vários reclusos de guerra e tem de se empenhar na reconstrução do Líbano.
- Na operação terrestre que desencadeou no sul do Líbano, Israel informou que destruiu vários postos militares do Hezbollah, assim como os locais onde o grupo lançava mísseis e rockets. As IDF deram ainda conta de que mataram vários militantes da milícia xiita no sul do Líbano.
- Os bastiões do Hezbollah no sul de Beirute voltaram a ser bombardeados. As IDF voltaram a emitir ordens de evacuação para os residentes que vivem a sul da capital libanesa.
- Pelo menos 17 pessoas morreram na sequência dos bombardeamentos israelitas em Beirute e no sul do Líbano.
- A agência de notícias libanesa informou que as IDF levaram a cabo um ataque a um bairro residencial na cidade libanesa de Baalbek.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Sa’ar, declarou que Israel venceu a guerra no Irão. “Já ganhámos”, afirmou, acrescentando que o regime iraniano estava “dramaticamente enfraquecido”. “É claro para nós e para os nossos vizinhos, mas vamos continuar até ao ponto que a missão está completa”, assinalou, mencionando que uma possível mudança de regime terá de ser feita pela população iraniana.
- O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, desejou “ao povo bravo do Irão” um feliz Nowruz — as celebrações do Ano Novo Persa, que se estão a aproximar. O líder do Executivo acredita que o “bem vai triunfar sobre o mal”, esperando que o próximo ano “seja de liberdade” para os iranianos.
- Os Estados Unidos terão, segundo avançado a Reuters, procurado que o regime da Síria iniciasse uma ofensiva contra o Hezbollah no leste do Líbano, sendo que Damasco estaria reticente em avançar. A Casa Branca veio desmentir essa notícia.
Nos países do Golfo
- Voltaram a ouvir-se explosões no Dubai esta terça-feira. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos garantiu estar a responder às ameaças iranianas de mísseis (10) e drones (45).
- Um drone atingiu o porto de Fujairah, no norte dos Emirados Árabes Unidos e uma infraestrutura utilizada para a exportação de petróleo.
- Um cidadão paquistanês morreu nos Emirados Árabes Unidos devido à queda dos destroços de um míssil em Abu Dhabi.
- Caiu um míssil no deserto do Qatar. O emirado informou, no entanto, ter intercetado 13 drones e dois mísseis balísticos iranianos.
- Um fogo começou numa zona industrial do Qatar após destroços de um míssil terem atingido a região.
- A Arábia Saudita diz ter intercetado 35 drones iranianos e um míssil balístico contra o seu território.
- O Kuwait deu conta de que intercetou 13 drones iranianos e mísseis balísticos.
- O Ministério da Administração Interna do Kuwait anunciou que deteve dois libaneses e 14 cidadãos kuwaitianos acusados de elaborar um “golpe de sabotagem” no país.
- Já o Bahrain anunciou que intercetou dois drones iranainos.
Resto do mundo
- O diretor do Centro Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, apresentou a demissão ao Presidente norte-americano, Donald Trump, em protesto contra a guerra que o país e Israel travam contra o Irão. “Não posso, em boa consciência, apoiar a guerra que se trava no Irão. O Irão não representava qualquer ameaça iminente à nossa nação e é evidente que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby nos Estados Unidos”, escreveu, numa carta ao chefe de Estado.
- A Casa Branca desvalorizou a demissão, alegando que tinha “provas” de que o Irão ia levar a cabo um ataque preventivo contra os Estados Unidos.
- Os Estados Unidos e Israel voltaram a atacar posições das milícias xiitas iraquianas em cidades como Bagdade e Kirkuk. Em retaliação, as milícias pró-iraquianas continuaram os ataques contra as bases norte-americanas no Iraque.
- O Governo iraquiano condenou o ataque à embaixada norte-americana no Iraque da passada segunda-feira, assim como o hotel onde costumam ficar hospedados diplomatas dos Estados Unidos. Foram designados pelo Executivo em Bagdade como “ataques terroristas”.
- O Governo alemão veio criticar a invasão terrestre do Líbano por Israel e também considerou que uma mudança de regime no Irão é “improvável”.
- A Índia e a Turquia receberam luz verde por Teerão para que as suas embarcações transitem no Estreito de Ormuz.