O Classe G da Mercedes pode ser encarado por alguns clientes como demasiado grande, volumoso e até com linhas algo antiquadas. Mas, para muitos outros, transborda personalidade e, se não é o SUV mais eficiente em asfalto, impressiona pela sua invejável capacidade para enfrentar os mais difíceis obstáculos em todo-o-terreno. No entanto, o peso e o preço elevados do Classe G afastam muitos potenciais compradores, o que levou a Mercedes a conceber um Baby Classe G, similar nas formas, mas mais pequeno para ser mais leve e acessível. E puramente eléctrico ou, pelo menos, era esta a estratégia original.
Os reduzidos volumes de vendas dos modelos eléctricos da Mercedes levaram o construtor alemão a duvidar da solução de lançar modelos exclusivamente a bateria, optando em vez disso por propor versões a combustão como complemento às eléctricas, isto enquanto tal for permitido pela Comissão Europeia. É um facto que os eléctricos da marca da estrela não têm entusiasmado os clientes como seria de esperar mas, em abono da verdade, o construtor nunca apostou de forma decidida na mobilidade eléctrica, por exemplo concebendo plataformas específicas para carros a bateria para serem mais eficientes — mas que obrigam a grandes investimentos em fábricas —, ou produzindo os próprios acumuladores para maximizar os lucros, uma vez que estes são a peça mais cara a bordo, o que também obriga a investimentos chorudos.
Com esta alteração da estratégia, o Baby Classe G tem revelação prevista para o final de 2026, para chegar em força no início de 2027. Além das versões eléctricas, já previstas inicialmente, o mini Classe G será proposto com mecânicas híbridas, muito similares às utilizadas pelo novo CLA. A base é o motor 1.5 sobrealimentado da Horse, a divisão da Renault especializada em motores a combustão, em que os franceses têm como sócios os chineses da Geely e os sauditas da Aramco, com estes motores utilizados pela Mercedes a serem fabricados na China. A este motor com quatro cilindros em linha está acoplada uma unidade eléctrica com uma potência típica de uma mecânica mild hybrid (30 cv), mas com uma bateria com uma capacidade que tradicionalmente podemos encontrar num full hybrid, privilegiando mais a eficiência do que a potência.
Mercedes CLA híbrido é um alemão com um pé na China e outro em França
Ao contrário do que é habitual noutros modelos da marca, o Baby G adotará uma mecânica híbrida e não uma híbrida plug-in, para conseguir ser mais acessível, sendo que, a avaliar pelos valores praticados pelas versões eléctricas e híbridas do CLA, a diferença de preço entre ambas as motorizações pode ficar abaixo das expectativas. Basta recordar que o CLA 180 híbrido é proposto por 48.150€, com o CLA 200 EQ eléctrico a exigir apenas mais uns “pozinhos” (49.450€).
De acordo com o revelado à Autocar, o Baby G deverá aproximar-se dos 4,68 metros de comprimento, similar pois ao SUV eléctrico EQB da Mercedes, mas não tão longe como se esperava dos 4,82 m do tradicional Classe G. Tudo indica igualmente que o mini Classe G herdará a bateria com 85 kWh de capacidade do CLA 350 4Matic EQ, bem como os seus dois motores, para assegurar um comportamento à altura fora de estrada. A verificar-se esta partilha de baterias e de motores com o mais potente dos CLA, não será impossível que o Baby G venha a declarar em WLTP uma autonomia de superior a 700 km, uma vez que o CLA 350 4Matic EQ reclama para si autonomias de 769 km.