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O exército israelita anunciou esta sexta-feira ter desmantelado mais de 4.300 instalações do grupo xiita Hezbollah e eliminado 1.400 elementos no Líbano desde o recomeço dos confrontos entre as partes em 2 de março.
Os soldados israelitas “desmantelaram mais de 4.300 instalações” e localizaram acima de 1.250 armas, incluindo rockets de longo alcance, mísseis antitanque, lança-foguetes RPG, engenhos explosivos improvisados e outros equipamentos militares, disse o exército em comunicado.
As forças de Israel assinalaram ainda que eliminaram cerca de 1.400 combatentes do Hezbollah em ataques aéreos e operações terrestres no sul do Líbano.
Segundo as autoridades libanesas, mais de 1.800 pessoas, incluindo 163 crianças, foram mortas no país desde o início de março.
Na quarta-feira, as forças israelitas realizaram dezenas de bombardeamentos em Beirute, no sul e no leste do Líbano, causando mais de 300 mortos e várias centenas de feridos.
Foi o dia mais sangrento desde o recomeço das hostilidades entre Israel e o Hezbollah e ocorreu em pleno arranque de um frágil cessar-fogo no acordado pelos Estados Unidos e pelo Irão, aliado do grupo armado libanês, para abrir espaço a negociações sobre o conflito que atinge a região do Golfo desde 28 de fevereiro.
A cedência de Netanyahu e o “dia mais sangrento” no Líbano. O que aconteceu no último dia de guerra?
Israel e Estados Unidos consideraram que a trégua não abrange o Líbano, apesar de a mediação paquistanesa ter indicado inicialmente o contrário.
Após pressão do Presidente norte-americano, Donald Trump, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou na quinta-feira que aceitou iniciar negociações com Governo libanês, com vista a desarmar o Hezbollah e estabelecer “relações pacíficas” entre os dois países.
Pelo menos 13 membros das forças de segurança libanesas foram mortos em ataques aéreos israelitas contra a sede da Direção Regional de Segurança do Estado de Nabatieh, no sul do país, de acordo com esta força policial, apesar de Israel insistir que as suas operações visam apenas o Hezbollah.
Em sentido contrário, nas últimas horas o Hezbollah lançou cerca de 30 ataques com foguetes a partir do Líbano contra Israel, causando danos materiais, indicou o exército israelita.
Os ataques visaram sobretudo o norte de Israel, na fronteira com o Líbano, onde prosseguem os combates entre o exército israelita e as milícias do grupo xiita.
Outros bombardeamentos na Galileia incluíram Banaa e Deir el-Assad, onde um edifício foi atingido e várias pessoas receberam assistência médica por ataques de pânico, disseram as autoridades.
O Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 2 de março, logo depois da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca foi verdadeiramente respeitado.
No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita, que, apesar disso, não parou com lançamentos de projéteis e drones contra o território israelita.
Ao longo das últimas semanas, Israel desencadeou uma forte campanha de bombardeamentos no Líbano, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no anterior conflito, levando a que acima de um milhão de pessoas estejam deslocadas.
A situação no Líbano constitui um dos pontos expectáveis nas negociações, previstas para sábado em Islamabad, entre os enviados norte-americanos e iranianos sobre a guerra no golfo Pérsico, a par do apoio financeiro e militar de Teerão a grupos armados no Médio Oriente, como o Hezbollah.
“A realização de negociações para pôr fim à guerra depende do cumprimento, por parte dos Estados Unidos, dos seus compromissos de cessar-fogo em todas as frentes, especialmente no Líbano”, avisou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou depois esta posição e apontou violações ao cessar-fogo em vigor, incluindo as operações militares israelitas no Líbano, exigindo a suspensão antes de se sentar à mesa das negociações com a delegação norte-americana na capital do Paquistão.
“Duas das medidas acordadas pelas partes ainda precisam de ser implementadas: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio dos ativos do Irão, antes que as negociações possam começar”, escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf na rede social X.
— محمدباقر قالیباف | MB Ghalibaf (@mb_ghalibaf) April 8, 2026
Ao mesmo tempo que resiste ao processo de desarmamento ordenado pelas autoridades libanesas, reforçado com a proibição anunciada na quarta-feira do porte de arma por grupos não estatais em Beirute, o Hezbollah distanciou-se de negociações com Israel.
“Não aceitaremos o regresso à situação anterior e apelamos aos responsáveis [libaneses] para que ponham fim a estas concessões gratuitas”, declarou o secretário-geral do movimento xiita, Naim Qassem, numa mensagem escrita à nação.