Um homem matou oito crianças — sete dos seus próprios filhos e um primo delas — num ataque a tiro, em Shreveport, estado do Louisiana, no sul dos Estados Unidos. Outras duas pessoas, duas mulheres adultas, ficaram feridas, e foram hospitalizadas com ferimentos graves — incluindo a sua mulher. O atacante, Shamar Elkins, com problemas de saúde mental relatados pelos familiares, roubou um carro depois do ataque e acabou por ser morto durante a perseguição pela polícia.

Os meios norte-americanos falam de crianças que tinham entre um a 14 anos, citando o porta-voz da polícia local, Christopher Bordelon. A NBC revela que a cena do crime é “ampla”, uma vez que ocorreu em três locais, incluindo duas casas diferentes.

“Temos três cenas de crimes diferentes”, explicou Bordelon em conferência de imprensa: o ataque a tiro em si aconteceu numa primeira casa; houve outro ataque com tiros “relacionado” numa rua próxima e uma casa ao lado para onde “uma das vítimas correu depois do ataque”. Elkins agiu sozinho, segundo a polícia. Acredita-se que tenha usado várias armas, já que os polícias encontraram uma pistola na residência e uma pistola tipo rifle com o atirador.

O massacre terá tido origem numa disputa doméstica por volta das 5h da manhã (11h em Lisboa), motivada pelo processo de separação do atacante e da sua mulher, que deveriam apresentar-se em tribunal no dia seguinte, segundo Crystal Brown, prima de uma das mulheres feridas, em declarações ao The Washington Post. Após balear uma mulher no rosto, avança a polícia, o suspeito deslocou-se a uma residência vizinha onde executou as oito crianças. Nem as tentativas de fuga pelas janelas travaram o ataque: Elkins perseguiu as vítimas até ao telhado, onde o corpo de uma criança viria a ser encontrado pelas autoridades.

“O responsável, depois de deixar a cena do crime, roubou um carro aqui perto”, continuou Christopher Bordelon. Foi nessa sequência que os polícias começaram a “perseguir” o carro, tendo acabado por atirar e matar o homem, que segundo a polícia seria “o único” atacante.

Embora as autoridades ainda não tenham confirmado um motivo do crime (e a investigação esteja em curso), o círculo próximo de Elkins descreve um quadro de instabilidade mental e desespero. Sob o peso da separação de Shaneiqua Pugh, o agressor terá confessado a familiares que se sentia a afogar em “pensamentos sombrios”, admitido intenções suicidas, de acordo com o New York Times. Entre lágrimas, deixou um aviso: “Algumas pessoas não conseguem recuperar-se dos seus demónios”.

“Esta é a situação mais trágica que já vivemos em Shreveport”, afirmou o autarca da cidade, Tom Arceneaux. Enquanto a cidade lamenta pelas famílias das vítimas, o passado do agressor começa a ser revelado através de registos judiciais e militares.

Com um historial que inclui condenações por condução sob o efeito de álcool (2016) e posse ilegal de arma (2019) — crime pelo qual se declarou culpado —, Shamar Elkins possuía também formação militar. O percurso militar de Elkins, confirmado pelo Exército dos EUA, numa conferência de imprensa citada pelos media norte-americanos, inclui sete anos de serviço na Guarda Nacional do Louisiana (2013-2020). Como especialista em sistemas de comunicações e apoio de fogo, o agressor detinha formação técnica específica, embora os registos oficiais indiquem que nunca chegou a ser destacado para missões antes de abandonar as forças.

A vizinhança permanece em choque perante a ausência de sinais de alerta que pudessem antever a tragédia. Fred Montgomery, que reside em frente à casa onde ocorreu o crime, recorda à CBS News a normalidade da véspera: “Ontem à noite, ele estava sentado na varanda, eu acenei para ele, ele acenou de volta, as crianças estavam no quintal… E então, esta manhã, acordamos com tudo isso”.

Este retrato de um quotidiano aparentemente estável é partilhado por Willie Vasher, antigo colega de Elkins na empresa de logística na qual trabalharam, cujos filhos eram amigos das crianças do agressor. Para Vasher, nada na conduta de Elkins fugia à norma, descrevendo-o como o exemplo de um “pai dedicado típico” também ao New York Times.

A única fenda na aparência de normalidade era o stress latente. Vasher recorda um tique obsessivo: Elkins arrancava os próprios cabelos, um hábito nervoso que lhe deixava falhas visíveis no couro cabeludo e que a própria mãe também testemunhara.

Contudo, no rasto digital que deixou, citado pelo jornal nova-iorquino, a imagem projetada era de harmonia familiar. Numa das últimas fotografias publicadas na sua página de Facebook, há apenas duas semanas, o atirador surge rodeado pelos filhos com uma descrição: “Com todos os meus filhos, que dia abençoado”.