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Empresários próximos de Orbán enviam fortunas para o estrangeiro

Empresários próximos de Orbán estão "sob pressão" e desviam fundos para o estrangeiro, antes da tomada de posse de Magyar, que promete recuperar bens e investigar origem de riquezas.

epa12884498 A handout photo made available by the Hungarian PM's General Department of Communication Hungarian Prime Minister Viktor Orban (C), leader and prime ministerial candidate of the ruling Fidesz party (C) talking to media after casting his vote during the general election in Budapest, Hungary, 12 April 2026.  EPA/AKOS KAISER/HUNGARIAN PM GENERAL DEPARTMENT OF COMMUNICATION 

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A mera criação desta entidade representa uma ameaça para essas fortunas, mas também para a liberdade pessoal dos oligarcas, disse Szabolcs Panyi, jornalista e editor do portal de investigação VSquare

AKOS KAISER/HUNGARIAN PM GENERAL DEPARTMENT OF COMMUNICATION/EPA

A mera criação desta entidade representa uma ameaça para essas fortunas, mas também para a liberdade pessoal dos oligarcas, disse Szabolcs Panyi, jornalista e editor do portal de investigação VSquare

AKOS KAISER/HUNGARIAN PM GENERAL DEPARTMENT OF COMMUNICATION/EPA

Empresários próximos do primeiro-ministro cessante da Hungria, Viktor Orbán, estão a transferir fortunas para o estrangeiro antes da chegada ao poder do conservador Péter Magyar, noticiou esta terça-feira a imprensa húngara.

Por seu lado, a polícia húngara anunciou ter iniciado investigações sobre alegados casos de desvio de fundos de dinheiro público e pediu à população que partilhasse informações com as autoridades.

O portal independente húngaro avançou que empresários próximos de Orbán estão “sob pressão contra o tempo” e tentam por isso transferir ativos para o estrangeiro, nomeadamente Emirados Árabes Unidos, Singapura e Hong Kong, entre outros.

Durante os 16 anos de poder do ultranacionalista Orbán, vários empresários acumularam fortunas significativas, incluindo familiares e amigos próximos do próprio primeiro-ministro, como a oposição e organizações não-governamentais (ONG) húngaras têm vindo a denunciar há anos.

Orbán sofreu uma pesada derrota eleitoral a 12 de abril frente a Magyar, cujo partido (Tisza) vai ter uma maioria de dois terços no novo parlamento, o que lhe dará amplos poderes de alterações legislativas.

Nem Putin, nem JD Vance ajudaram. O que causou a derrota estrondosa de Viktor Orbán

Além disso, o futuro primeiro-ministro anunciou a criação de um Gabinete Nacional para a Recuperação e Proteção do Património, dedicado a investigar como estas riquezas foram acumuladas, e promete recuperar esses bens.

A mera criação desta entidade representa uma ameaça para essas fortunas, mas também para a liberdade pessoal dos oligarcas, disse Szabolcs Panyi, jornalista e editor do portal de investigação VSquare, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

“Os oligarcas de Orbán estão a tentar transferir a riqueza para o estrangeiro, enquanto o regime se desintegra”, disse Panyi nas redes sociais, referindo-se ao “modo pânico” entre os afetados.

Segundo fontes ligadas ao Governo cessante, vários jatos privados estariam a partir da Hungria e da vizinha Áustria para transportar dinheiro e “bens de valor” para países no Médio Oriente, Singapura, Hong Kong e até para a Austrália, disse o jornalista de investigação.

De acordo com uma investigação recente do jornal britânico The Guardian, o Uruguai também está entre esses destinos.

O portal económico húngaro G7 indicou na segunda-feira que, segundo dados do final de 2024, das 100 empresas húngaras com maior volume de caixa, pelo menos 29 estão claramente ligadas a círculos próximos do governo de Orbán.

“No final de 2024, estas entidades tinham mais de 2.740 milhões de euros em ativos imediatamente disponíveis”, afirmou o G7.

A ONG Transparência Internacional classificou a Hungria como o país mais corrupto da UE nos últimos quatro anos.

As alegações de corrupção chegam ao círculo mais próximo do primeiro-ministro, como o próprio genro, István Tiborcz, e um amigo de infância, Lorincz Mészáros, que durante a década e meia de Orbán no poder fez fortuna, calculada no ano passado em 4.450 milhões de euros em 2025.

Segundo analistas locais, Magyar venceu as eleições legislativas em parte porque centrou a campanha no combate à corrupção e prometeu recuperar os bens “roubados”.

O novo parlamento húngaro deverá tomar posse no fim de semana de 9 e 10 de maio, anunciou Magyar pouco depois da vitória eleitoral.

[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]

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