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1.500 beagles retirados de um canil no Wisconsin. O que está por trás da operação de resgate que envolveu mais de mil ativistas?

Ridglan Farms, no Wisconsin, fazia cirurgias sem anestesia geral. Acordo com o estado previa encerramento até julho, mas não travou invasões em março e abril.

Resgate de Beagles, Wisconsin
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▲Foto: Operação de resgate em março resultou na detenção de 27 pessoas.

Wayne Hsiung / Facebook

▲Foto: Operação de resgate em março resultou na detenção de 27 pessoas.

Wayne Hsiung / Facebook

1.500 beagles estão no centro de uma polémica nos Estados Unidos, após terem sido resgatados, em abril, de um canil em Wisconsin. Tudo aconteceu quando mais de mil ativistas invadiram o Ridglan Farms, um centro de investigação licenciado para realizar testes de medicamentos veterinários, por alegados maus-tratos a animais.

A operação resultou na mobilização de meios policiais, que usaram gás-pimenta para dispersar a multidão e detiveram ativistas, como Wayne Hsiung, advogado e cofundador do Direct Action Everywhere, que, de acordo com o Wall Street Journal, está acusado de invasão de propriedade, juntamente com mais 63 pessoas.

O resgate aconteceu quando já se negociava há vários meses — e sem qualquer ligação ao protesto — um acordo entre o canil, um centro de resgate canino, a Big Dog Ranch Rescue, e uma organização não-governamental, ONG Center for a Humane Economy, revelou, esta semana a Associated Press. O centro encarregou-se de encontrar lares para 1.000 beagles, enquanto a ONG está a trabalhar para encontrar um lar para os restantes 500.

Acordo entre o canil e o estado na raiz da operação de resgate

Em outubro do ano passado, uma investigação levada a cabo pelo Estado descobriu que cirurgias aos chamados “olhos de cereja” — feitas a cães e gatos quando há um deslocamento da glândula da terceira pálpebra — eram feitas sem anestesia geral. Além disso, o condado de Dane ponderou revogar a licença dada ao canil.

“Rotineiramente permitiam que pessoas sem formação veterinária realizassem a cirurgia”, explica-se no relatório da investigação, que adianta que o não recurso à anestesia geral “resultava em dor para os animais e possível dor no pós-operatório”, algo considerado pelo Conselho estatual de Veterinária e pelo Departamento estatual de Agricultura como fora dos “padrões atuais de cuidados veterinários do Estado”.

O canil, à época, negou as acusações, afirmando que, por se tratar de um “procedimento” em vez de uma “cirurgia”, tal tarefa “poderia ser delegada a outro trabalhador sob a direção de um veterinário”, conforme consta na investigação. No entanto, a Ridglan e o estado chegaram a um acordo: o canil concordava “em encerrar as suas operações de venda e criação de cães para comercialização” até julho e a empresa não seria multada ou condenada.

No entanto, o acordo não impediu que ativistas tenham invadido a propriedade por duas vezes — em março e em abril. Um movimento que, de acordo com o Wall Street Journal, representa uma nova forma de ativismo, chamada “resgate aberto“.

Os ativistas “anunciam os seus planos e executam-nos em plena luz do dia, praticamente convidando à prisão”, explica o jornal norte-americano, que esclarece que esta nova forma de ativismo permite que as acusações da prática de crimes sejam contestadas nos tribunais e nas redes sociais, “argumentando publicamente que estão a salvar, e não a roubar, os animais”.

“Temos o direito legal de resgatar estes animais”, afirmou o advogado e ativista Wayne Hsiung, quando foi detido, que segundo o Wall Street Journal, invadiu a Ridglan Farms pela primeira vez em 2017, e resgatou três cães. Para Hsiung, o acordo feito entre o canil e o estado seria uma forma da Ridglan “sair impune num acordo repleto de falhas jurídicas potenciais”, e levou o ativista a invadir o local, pela primeira vez, em março.

[Ao décimo dia em Nova Iorque dá-se o homicídio brutal. As últimas horas, o que aconteceu no quarto 3416 e a confissão de Renato sobre como matou Carlos Castro. O acesso aos ficheiros da investigação permite reconstituir toda a investigação ao crime. Ouça o quinto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio]

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