1.500 beagles estão no centro de uma polémica nos Estados Unidos, após terem sido resgatados, em abril, de um canil em Wisconsin. Tudo aconteceu quando mais de mil ativistas invadiram o Ridglan Farms, um centro de investigação licenciado para realizar testes de medicamentos veterinários, por alegados maus-tratos a animais.
A operação resultou na mobilização de meios policiais, que usaram gás-pimenta para dispersar a multidão e detiveram ativistas, como Wayne Hsiung, advogado e cofundador do Direct Action Everywhere, que, de acordo com o Wall Street Journal, está acusado de invasão de propriedade, juntamente com mais 63 pessoas.
O resgate aconteceu quando já se negociava há vários meses — e sem qualquer ligação ao protesto — um acordo entre o canil, um centro de resgate canino, a Big Dog Ranch Rescue, e uma organização não-governamental, ONG Center for a Humane Economy, revelou, esta semana a Associated Press. O centro encarregou-se de encontrar lares para 1.000 beagles, enquanto a ONG está a trabalhar para encontrar um lar para os restantes 500.
Acordo entre o canil e o estado na raiz da operação de resgate
Em outubro do ano passado, uma investigação levada a cabo pelo Estado descobriu que cirurgias aos chamados “olhos de cereja” — feitas a cães e gatos quando há um deslocamento da glândula da terceira pálpebra — eram feitas sem anestesia geral. Além disso, o condado de Dane ponderou revogar a licença dada ao canil.
“Rotineiramente permitiam que pessoas sem formação veterinária realizassem a cirurgia”, explica-se no relatório da investigação, que adianta que o não recurso à anestesia geral “resultava em dor para os animais e possível dor no pós-operatório”, algo considerado pelo Conselho estatual de Veterinária e pelo Departamento estatual de Agricultura como fora dos “padrões atuais de cuidados veterinários do Estado”.
O canil, à época, negou as acusações, afirmando que, por se tratar de um “procedimento” em vez de uma “cirurgia”, tal tarefa “poderia ser delegada a outro trabalhador sob a direção de um veterinário”, conforme consta na investigação. No entanto, a Ridglan e o estado chegaram a um acordo: o canil concordava “em encerrar as suas operações de venda e criação de cães para comercialização” até julho e a empresa não seria multada ou condenada.
No entanto, o acordo não impediu que ativistas tenham invadido a propriedade por duas vezes — em março e em abril. Um movimento que, de acordo com o Wall Street Journal, representa uma nova forma de ativismo, chamada “resgate aberto“.
Os ativistas “anunciam os seus planos e executam-nos em plena luz do dia, praticamente convidando à prisão”, explica o jornal norte-americano, que esclarece que esta nova forma de ativismo permite que as acusações da prática de crimes sejam contestadas nos tribunais e nas redes sociais, “argumentando publicamente que estão a salvar, e não a roubar, os animais”.
“Temos o direito legal de resgatar estes animais”, afirmou o advogado e ativista Wayne Hsiung, quando foi detido, que segundo o Wall Street Journal, invadiu a Ridglan Farms pela primeira vez em 2017, e resgatou três cães. Para Hsiung, o acordo feito entre o canil e o estado seria uma forma da Ridglan “sair impune num acordo repleto de falhas jurídicas potenciais”, e levou o ativista a invadir o local, pela primeira vez, em março.
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