O primeiro hiperdesportivo concebido em Portugal e por portugueses terminou a fase de testes em pista e iniciou os ensaios em estrada. Depois de rodar no traçado de Portimão, o Adamastor Furia enfrenta agora as estradas e ruas das cidades portuguesas, o que levou o protótipo #001 a passar a exibir a matrícula 400001 emitida pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) para automóveis ainda não homologados, de forma a poder lidar com o piso irregular, o pára-arranca das filas de trânsito, os arranques em subida e verificar, também, se o motor mantém a temperatura correcta, mesmo a circular muito lentamente em ciclo citadino. Só então o IMT certificará o modelo para que este possa iniciar o período de vendas, em que as 60 unidades que serão produzidas serão comercializadas por 1.600.000€, antes de impostos.
O chassis do Furia foi construído como os de F1 (e o do Valkyrie), em carbono cozido em autoclave, para maximizar rigidez e minimizar o peso
Quando a jovem marca portuguesa se tornou um construtor de automóveis em 2019, com o lançamento do P003RL (de road legal), um roadster com carroçaria aberta em material compósito e chassi tubular, animado por motores Ford sobrealimentados 2.7 ou 3.5 V6, ou com quatro cilindros 2.0 ou 2.3, tornou-se evidente que a Adamastor não estava a brincar em serviço e que pretendia intrometer-se entre os grandes fabricantes de desportivos. Homologado para circular em estrada, mas a piscar o olho a quem pretendia um modelo para track days, o P003RL anunciava um peso de somente 850 kg e um preço a partir de 90.000€ (mais impostos).
▲ O Adamastor Furia em testes de pista no Autódromo Internacional do Algarve. Fotos: João Guedes — @joguedez
Com o seu segundo modelo, o Furia, a Adamastor elevou ainda mais a fasquia, colocando-a a um nível quase estratosférico, pois visa concorrer com hipercarros como o Aston Martin Valkyrie (1155 cv e 1270 kg) ou o Mercedes-AMG One (1063 cv e 1770 kg). Reunindo técnicos das diferentes especialidades, com chassi e carroçaria integralmente construídos em fibra de carbono, as formas do Furia foram determinadas pela aerodinâmica, tendo sido concebido com base no software Siemens NX CAD. O resultado foi um hiperdesportivo com óbvias semelhanças com o Valkyrie, o mais sofisticado dos modelos deste tipo, ou não tivesse sido desenhado por Adrian Newey, o mago da aerodinâmica da F1. Dada a aposta de ambos os modelos na eficiência aerodinâmica e no baixo peso — a mais recente criação do Adamastor anuncia um peso de apenas 1100 kg —, não espanta as semelhanças no aspecto final…
O construtor português promete propor o Furia em versão de competição, para disputar a categoria GT e correr nas 24 Horas de Le Mans, ainda que a primeira a chegar ao mercado seja versão de estrada. Contudo, ambas montam o motor 3.5 V6 biturbo da Ford Performance, uma evolução da unidade que montada no Ford GT debitava 655 cv, mas que no Furia deverá superar ligeiramente 750 cv e 1000 Nm de binário, estando o motor instalado em posição central traseira, acoplado a uma caixa de velocidade sequencial. Isto permite à versão de estrada anunciar uma velocidade máxima ligeiramente acima de 300 km/h, 0-100 km/h em cerca de 2,5 segundos e 0-200 km/h em 7 segundos, valores ainda em fase de homologação.
O motor similar ao do Ford GT, mas no Furia com mais cerca de 100 cv, é montado em posição central traseira, sem electrificação e com tracção traseira. O ABS e o controlo de tracção são opcionais
Com este nível de performance, o Adamastor coloca-se no mesmo patamar de modelos como o Mercedes-AMG One (350 km/h, 0-100 km/h em 2,9 segundos), o Ford GT (347 km/h, 0-100 km/h em 3,0 segundos) e o Aston Martin Valkyrie (350 km/h, 0-100 km/h em 2,6 segundos) — este último até nas formas. Como antecipado, o Furia é capaz de gerar um grande apoio aerodinâmico mesmo sem recorrer a asas de dimensões generosas, com a Adamastor a reivindicar 1800 kg de apoio a 250 km/h, na versão de pista e 1000 kg na de estrada, contando sempre com uma sistema de travagem desenvolvido pela AP Racing. Tudo para justificar um preço de 1,6 milhões de euros (antes de taxas) para a versão de estrada, bem abaixo dos 2,5 milhões exigidos pelos Valkyrie e AMG One.