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O PSD acusou esta quinta-feira o Tribunal de Contas (TdC) de “clara tentativa de condicionamento” dos deputados ao publicar no seu site oficial um vídeo a atacar a proposta do Governo de revisão da lei daquele tribunal.

Esta crítica foi transmitida pelo vice-presidente da bancada social-democrata Alexandre Poço, numa conferência de imprensa, na Assembleia da República, em que manifestou desagrado por o TdC estar a ultrapassar as suas funções jurisdicionais.

Tribunal de Contas. Proposta de lei do Governo cria “zonas de vazio que geram mais espaço para a corrupção”

Perante os jornalistas, Alexandre Poço separou dois planos em termos de comunicação do TdC. Disse que, “no plano institucional, durante uma audição parlamentar, ou através de emissão de um parecer, é legítimo que o tribunal possa dar a sua opinião sobre um processo legislativo em curso”.

Porém, para o dirigente da bancada do PSD, outra coisa diferente e “incompreensível” é quando o TdC, através do seu website oficial, “lança um vídeo de propaganda política a atacar uma opção legítima do Governo”.

Um ato que só pode ser classificado “como uma clara tentativa de condicionamento político em relação à futura análise e discussão, por parte dos deputados, da reforma do TdC — reforma que, em breve, estará em discussão no parlamento”, declarou.

A proposta do Governo de nova lei do Tribunal de Contas, entre outros aspetos, permite às autarquias e serviços públicos dispensar de visto prévio contratos acima de 10 milhões de euros, desde que tenham mecanismos de controlo internos que incluam auditorias periódicas.

Hoje, em conferência de imprensa, a presidente do Tribunal de Contas (TdC), Filipa Urbano Calvão, afirmou que a solução do Governo vertida na proposta para alterar a lei da instituição é “verdadeiramente inconstitucional” e suscita “séria preocupação” dos pontos de vista institucional e financeiro.

Para a presidente do TdC, está em causa “a forma como o Estado Português protege a transparência, a legalidade e a integridade da gestão dos recursos públicos”.

Na conferência de imprensa, Alexandre Poço recusou-se a fazer críticas a estas declarações proferidas pela presidente do TdC, bem como em relação às reservas manifestadas pelo antigo primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, em relação a essa proposta do atual Governo.

“Uma coisa é a emissão de um parecer, de uma opinião dentro ou fora do quadro institucional. Outra coisa é um vídeo de propaganda política que constitui uma clara tentativa de condicionamento da ação política na sequência de uma decisão legítima do Governo”, acentuou o vice-presidente da bancada do PSD.

Alexandre Poço reforçou a sua tese de que “é natural que possam existir diferentes opiniões sobre a reforma” do TdC — e “o PSD lida bem com esse facto”.

“Para nós, PSD, é totalmente legítimo, seja através da emissão de um parecer, seja através da participação numa audição parlamentar, que o TdC também dê a sua opinião. Mas é estranha esta tentativa de condicionamento político com um vídeo publicado nas redes do próprio tribunal. E se tiverem o cuidado de ver esse vídeo então irão observar que é uma linha de ataque político a uma proposta do Governo com o objetivo de condicionar a discussão política em curso”, insistiu.

O vice-presidente da bancada do PSD colocou depois uma questão: “Qual é o enquadramento institucional que existe para um órgão importante no funcionamento do Estado fazer um vídeo destes?”.

“Não tenho memória de um organismo do Estado fazer uma intervenção – e um organismo particularmente relevante para a boa condução dos dinheiros públicos, na gestão da contratação pública e na análise de decisões que implicam o dinheiro dos contribuintes -, utilizar os seus meios, os seus recursos, para fazer um condicionamento político”, afirmou.

Alexandre Poço salientou que “o PSD não está a querer colocar nenhum garrote às opiniões”, mas questiona “o enquadramento institucional deste vídeo”.

Um enquadramento institucional que “não é saudável para a boa relação entre as diferentes instituições do Estado”, acrescentou.

A proposta do Governo para a revisão da lei de organização do Tribunal de Contas vai ser discutida no parlamento, em plenário, na próxima quarta-feira, sessão em que também sobem a debate projetos do Chega e Iniciativa Liberal sobre matéria conexa.

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