A presidente da Câmara Municipal de Yawata, Shoko Kawata, tornou-se oficialmente esta segunda-feira na primeira autarca no Japão a tirar licença de maternidade. A decisão foi anunciada a 21 de maio e gerou divisões na sociedade japonesa.
“Fiquei muito surpreendida em saber que sou a primeira autarca [a tirar licença de maternidade]. Fez-me pensar que até agora simplesmente não havia muitas jovens, ou mulheres em geral, a serem presidentes de câmara”, afirmou Kawata, de 35 anos, à Reuters. Apesar de as 16 semanas de licença de maternidade serem garantidas aos trabalhadores da autarquia, “não existia nenhum protocolo para a posição de presidente da Câmara”, o que levou Kawata “a criar um”.
No Japão, as mulheres podem receber até dois terços dos seus salários enquanto gozam de licença de maternidade e bónus pelo nascimento do filho, segundo a lei, mas, de acordo com o jornal japonês Asahi Shimbun, Kawata irá receber o seu salário integral, conforme a legislação aplicada aos funcionários das autarquias.
“Não há previsão legal para reduzir o salário durante o exercício de funções interinas, e os funcionários municipais têm a garantia de receber o salário integral durante a licença de maternidade”, justifica ao jornal. De acordo com a câmara municipal, das 22 autarquias em que homens tiraram licença de paternidade enquanto presidentes ou vice-presidentes, apenas três previam a redução salarial.
A decisão de tirar esta licença, anunciada em maio, gerou divisões na sociedade japonesa. Até 17 de julho, a autarquia recebeu 94 mensagens a favor da licença de maternidade e 73 contra, segundo o Asahi Shimbun.
“Pessoas que nunca ouviram falar de mim só souberam de mim através de notícias focadas na licença de maternidade. Algumas pessoas criticaram-me online, alegando que não estava a fazer o meu trabalho e que só estava aqui para tirar a licença de maternidade. Foi dececionante”, lamenta a autarca à Reuters.
No entanto, Shoko Kawata garante que a população da cidade que governa a apoia, apesar das críticas online.
No entanto, à Reuters, e apesar da maioria dos residentes com quem falou ter concordado com a decisão, uma pessoa entrevistada pela agência de notícias manifestou-se contra o pagamento do salário integral durante a licença de maternidade.
“Eu sou mulher, e já dei à luz, por isso, acredito que, como um direito da mulher, ela deve poder tirar licença de maternidade. No entanto, em relação ao salário, não concordo que receba 100% durante a licença”, afirmou Chie Fujita, residente em Yawata.
Shoko Kawata vai ficar sob licença de maternidade até novembro, sendo que as suas funções serão assumidas pelo vice-presidente, Shigehito Nose.
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