Neste momento, está “em cima da mesa a possibilidade de adiar uma semana o [início do ano letivo do] ensino secundário”, anunciou na manhã desta terça-feira o ministro da Educação, acrescentando que “não faz sentido” estender esta medida a todos os ciclos de ensino. Fernando Alexandre adiantou ainda que já estão corrigidos mais de 20% dos exames de 2.ª fase e admitiu que o Júri Nacional de Exames tem tido dificuldade em identificar que professores estão disponíveis para classificar provas.

“Ouvimos sempre” os conselhos dos diretores das escolas “e procuramos tomar decisões com o máximo de informação e que seja o melhor para as famílias e alunos”, afirmou o ministro da Educação em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, argumentando assim o porquê de estar agora a admitir o adiamento do início do ano letivo para o 10.º, 11.º e 12.º anos. O adiamento está “em cima da mesa” porque “os professores do secundário estão num grande esforço, em que tiveram um processo de classificação na 1.ª fase muito exigente, agora estão a corrigir exames de 2.ª fase, reapreciações e vão ter ainda uma época especial”, disse.

As declarações de Fernando Alexandre surgem depois de a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) vincar que a tutela devia mesmo “repensar o arranque do ano letivo”. “Seria prudente” pensar neste adiamento, sublinhou ao Observador na passada segunda-feira Filinto Lima.

Nem 24 horas depois, o ministro Fernando Alexandre dizia aos jornalistas que o Ministério quer “que os professores cheguem às escolas com força e energia”. “Parece-me difícil pedir-lhes isso. Ouvindo o conselho das escolas, a avaliação que fazemos hoje é que, se tivermos de adiar o ensino secundário uma semana, isso não prejudica o calendário do ano letivo e beneficiará os alunos”, afirmou.

Exames de 2.ª fase. Correção já começou, mas há professores classificadores que não foram chamados, denuncia Missão Escola Pública

Apesar deste adiamento, Fernando Alexandre garante que a correção dos exames de 2.ª fase “está a decorrer com toda a normalidade”. “Já temos mais de 20% das provas corrigidas e elas só foram disponibilizadas ontem [segunda-feira]. A digitalização ficou toda concluída no fim de semana, sem problemas de maior identificados. Penso que temos todas as condições para que, como me comprometi, a 2.ª fase decorra com toda a normalidade.”

Contudo, o Observador noticiava na segunda-feira que alguns dos problemas da 1.ª fase estavam novamente a repetir-se (ainda que em menor número). Em causa está, por exemplo, a dificuldade em aceder à plataforma de correção. O Observador noticiava também que a 2.ª fase da correção começou sem que tivessem sido convocados todos os professores classificadores, dado que nem todos os diretores estão a conseguir aceder à plataforma onde devem indicar a disponibilidade dos professores — que neste momento está mais reduzida devido às férias que tinham marcadas.

O Ministério da Educação manteve-se em silêncio e optou por não responder às questões colocadas, mas esta terça-feira Fernando Alexandre vincou que “todos os professores vão ser importantíssimos” para esta fase, uma vez que há “muitas provas por corrigir e reapreciar”.

Anunciando que o número de reapreciações voltou a aumentar (de 15 mil para 20 mil pedidos), o responsável pela pasta da Educação garantiu que “não temos falta de disponibilidade” de professores classificadores. No entanto, “o que temos é um desafio dos agrupamentos do JNE em identificar essas pessoas”, disse, sem explicar o porquê e sem aludir a possíveis falhas no acesso à plataforma.

“Continuo a receber relatos de pessoas disponíveis [para corrigir] e que ainda não foram contactadas. Estou otimista, apesar dos desafios que temos para cumprir”, terminou o governante.