Eulália Silva, madrasta suspeita de matar a enteada de oito anos, ficou ferida na sequência de agressões com outras reclusas no sábado, confirmou o Observador com a advogada da prisioneira e com fonte prisional. A mulher foi para a enfermaria do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, e não regressará à ala comum da cadeia.

“Tratou-se de um desentendimento entre reclusas, inicialmente marcado por agressões verbais, que evoluiu para um episódio de agressão física, uma ocorrência que, infelizmente, não é inédita em contexto prisional, tendo a situação sido prontamente controlada”, descreveu a advogada Mónica Teixeira ao Observador.

A “troca de insultos” evoluiu para agressões físicas e, segundo a advogada, Eulália “desequilibrou-se e sofreu uma queda, da qual resultou uma pequena lesão na região periocular”. “Atendendo à localização da lesão, foi observada pelos serviços clínicos, por se tratar de uma zona particularmente sensível”. Fontes prisionais consultadas pelo Observador reiteram que as agressões, “com algumas reclusas” numa zona comum mas escondida, foram travadas rapidamente pelas guardas, que acabaram por levar a mulher ferida à enfermaria.

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A madrasta suspeita de matar a enteada de oito anos tinha chegado à ala comum do EP de Santa Cruz do Bispo há menos de um dia, depois de ter estado nas últimas semanas na zona de admissão. No pouco tempo que passou pela zona comum, numa cela sozinha, Eulália manteve uma postura “provocadora”, respondendo às ameaças das outras prisioneiras, garante fonte prisional. “Ela está tranquila e a ser seguida pelos clínicos. Está medicada”, acrescentou Mónica Teixeira, lembrando que o acompanhamento era mais fácil na zona de “admissão”, onde não está tão exposta a outras prisioneiras.

“Tanto quanto me foi transmitido, a minha constituinte não irá, neste momento, para a ala comum, pelo que regressará à área de admissão. Quanto à duração dessa permanência, não disponho de informação”, assumiu a advogada.

Ao Observador, Mónica Teixeira confirmou que já requeriu uma perícia psiquiátrica da sua cliente, tal como havia anunciado quando foram conhecidas as medidas de coação aplicadas a Eulália, mas ainda não recebeu o resultado. Desde que está a cumprir prisão preventiva, a suspeita só tem recebido visitas da advogada.

“Cumpre ainda salientar que o Estabelecimento Prisional atuou de forma imediata no controlo da situação, assegurando o acompanhamento e os cuidados considerados adequados através dos respetivos serviços clínicos. A este respeito, nada há a apontar quanto à atuação do Estabelecimento Prisional”, rematou Mónica Teixeira.

Eulália terá escondido o cadáver de Lara na Serra da Padrela, motivo pelo qual foi fortemente indiciada pelo crime de profanação de cadáver, além de homicídio qualificado. Lara foi encontrada morta, depois de ter sido levada pela madrasta das imediações da escola, no dia anterior ao aparecimento do corpo. A criança chegou de autocarro à EB1/J1 de Carrazedo de Montenegro, como habitualmente fazia, mas não entrou na escola, tendo sido raptada.

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A queixa foi feita pelo pai à GNR e os militares rapidamente reuniram suspeitas suficientes para entender que o caso teria que ser investigado pela PJ. Os inspetores localizaram Eulália em Macedo de Cavaleiros, de onde era natural, e ouviram a suspeita a confessar o crime. No entanto, a colaboração não foi constante e a mulher ainda tentou dificultar o trabalho dos inspetores. “Demorou algumas horas [a localizar o cadáver] porque ela indicou-nos vários locais onde não estava”, disse na altura David Martins, diretor da PJ de Vila Real.

Eulália acabou por guiar as autoridades até à acidentada Serra da Padrela, entre Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, onde estava o corpo de Lara. A PJ entende que a mulher agiu com vontade de vingar-se do pai de Lara, com quem tinha uma relação há cerca de cinco anos, depois de Carlos se ter divorciado da mãe da menina agora encontrada morta. Até esta semana, viviam os três numa casa em Celeirós, pequena aldeia da freguesia de Friões, no município de Valpaços.

“O que terá despontado esta situação terá sido o filho da [suspeita] — ele está institucionalizado em Bragança por mau comportamento”. Este fim de semana, o menor terá tido “um comportamento violento” e o padrasto interveio, segurando o braço do agressor. “A mãe não terá gostado dessa situação e terá sido isso que a terá levado a vingar-se na criança”, relatou o diretor da PJ de Vila Real.

Apesar de a PJ ter encontrado fortes indícios da “prática dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver”, o tribunal entendeu que não se encontram “suficientemente indiciados factos suscetíveis de integrar a prática do crime de profanação de cadáver imputado pelo Ministério Público, sem prejuízo do que possa resultar do ulterior desenvolvimento da investigação”.

À saída do tribunal, quando foram conhecidas as medidas de coação, a advogada Mónica Teixeira confirmou a aplicação da medida de coação mais grave à sua cliente e destacou a colaboração com a justiça. “Ela colaborou. Tentou colaborar, desde que caiu nela, e ajudar ao máximo na investigação e na recolha de toda a verdade material para o processo”. O fim da sessão ficou marcado por alguns tumultos, com vários populares presentes a forçarem a barreira policial de escolta da madrasta.

“Confessou muitos dos factos que estavam neste processo e mostrou arrependimento. Não sabe por que o fez, não era essa a intenção dela. (…) Ela queria retirar a menina da escola e assustar o pai. [Intenção] não era [magoar] a menina. As coisas descontrolaram-se”.

[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]