Marina Gonçalves considera que as declarações de João Costa, antigo ministro da Educação do Governo socialista, sobre a responsabilidade do PS no menor desempenho de Portugal no PISA 2025 foram “muito mal” interpretadas. Em declarações à Rádio Observador, no programa Comissão de Inquérito, a deputada do PS rejeitou que o antigo ministro tenha retirado a responsabilidade ao atual Governo, apontando para outros fatores que terão afetado todos os países da OCDE.

“Acho que se interpretou muito mal as palavras de João Costa”, afirmou a deputada do PS. “O que disse foi que a responsabilidade não é deste Governo, como não é só do Governo de António Costa, do Governo do Partido Socialista”, esclarece. “Este período de avaliação tem uma pandemia no meio, que tem um impacto direto nos resultados do PISA. Não é só em Portugal, é em toda a Europa”, justifica Marina Gonçalves. “O Partido Socialista tem uma postura bastante diferente da do PSD. A culpa não é sempre dos outros. Nós, às vezes, também temos a nossa quota de responsabilidade e também a devemos assumir.”

“Agora, João Costa não disse que o problema foi do Partido Socialista e que o PSD está a fazer tudo bem. Aquilo que disse foi que devia haver um esforço”, interpreta a deputada. “Não devemos dizer que a responsabilidade é deste Governo, porque seria errado. Também não devemos dizer que a responsabilidade é do Partido Socialista. Há outros fatores, externos. E há fatores de política pública, que nos devem fazer sentar todos e trabalhar em prol da educação dos nossos alunos, da qualificação dos nossos jovens.”

A primeira declaração de João Costa sobre o tema foi dada à TSF na passada quarta-feira. “Estive oito anos e meio no Governo, seria absolutamente irresponsável da minha parte não assumir responsabilidade. (…) E também é evidente, o secretário de Estado tem razão: estando há dois anos no Governo e sendo os resultados de médio e longo prazo, não é este o Governo que se deve sentir responsável”, afirmou o antigo ministro da Educação, que preside atualmente ao Comité de Políticas Educativas da OCDE.

Contudo, em declarações à Rádio Observador também na passada quarta-feira, João Costa já havia rejeitado ter assumido responsabilidades. “O que eu quero dizer é que, quando alguém tem funções políticas, não pode descartar responsabilidades. É um bocadinho diferente”, afirmou o antigo ministro da Educação do Governo socialista, destacando que Portugal apresenta uma queda que também foi registada por outros países da OCDE. “O que eu quero dizer é: obviamente, qualquer pessoa que tenha tido funções públicas e que seja responsável não vai desatar a apontar para todos os lados menos para si próprio. Seria uma enorme desfaçatez”.

O relatório PISA 2025 divulgado na semana passada revela uma descida no desempenho dos alunos em Portugal, especialmente nos rankings de matemática e de leitura, que acompanha a quebra generalizada dos países da OCDE. Sobre os números, João Costa destacou que “estão vários países em choque com os resultados, a própria OCDE diz que este é o pior PISA a nível global desde 2006”, salientou, apontando a necessidade de “os países [se sentarem] à mesa”, com especialistas em educação e tecnologia para fazer frente aos desafios que explicam os atuais resultados: a preponderância das redes sociais, a emergência da Inteligência Artificial generativa e os efeitos a longo prazo da pandemia de Covid-19.