O antigo presidente da Câmara de Santo Tirso Joaquim Couto foi esta quarta-feira acusado pelo vice-provedor da Misericórdia local de ter acedido ilegalmente à base de contactos para enviar ‘e-mails’ a anunciar a sua candidatura às eleições na instituição.

A denúncia foi feita à Lusa por Ricardo Baptista, que revelou ter sido um dos “800 irmãos” da Santa Casa que receberam um ‘e-mail’ do endereço 2026joaquimcouto@gmail.com, contendo um panfleto com o anúncio da candidatura e as medidas de Joaquim Couto para o ato eleitoral que deverá ocorrer em dezembro para um mandato de quatro anos.

“O Dr. Joaquim Couto é irmão da instituição e, como qualquer irmão, tem todo o direito de se candidatar e fá-lo, de certeza, com a ideia de que poderá ser o melhor para a instituição”, sublinhou o vice-provedor, frisando que o problema reside no “acesso indevido à base de dados, que contém dados pessoais de todos os irmãos, os quais foram contactados de forma indevida”.

Questionado pela Lusa de que forma teve acesso à base de dados, Joaquim Couto respondeu que foi “presidente da Assembleia Geral da Misericórdia entre 2009 e 2023” e que “está aberto um processo eleitoral normal, ordinário, das eleições para a Santa Casa da Misericórdia”.

Confrontado com a informação avançada pelo vice-provedor de que a mesma base de dados “é de 2026 e só foi criada após o ataque informático que a instituição sofreu em junho”, Joaquim Couto respondeu apenas que Ricardo Baptista “faz o que entender”.

O vice-provedor, que assumiu poder vir a ser também candidato no próximo ato eleitoral, deu nota de “muitos irmãos indignados pela receção do e-mail e acesso a dados que são pessoais” e lembrou que ainda “não foi aberto o processo eleitoral” e que a situação “pode criar uma má imagem da Santa Casa”.

A fuga de informação está a ser investigada pelos serviços da Misericórdia, disse.