O Exército criou, num investimento de cerca de 587 mil euros, uma rede móvel tática 4G/5G para assegurar comunicações em zonas sem cobertura ou com redes degradadas, anunciou esta quarta-feira à Lusa o chefe do Estado-Maior do Exército.

“É também mais um passo na capacitação do Exército para o Apoio Militar de Emergência”, afirmou o general Eduardo Mendes Ferrão, destacando a importância de dispor de soluções próprias e rapidamente projetáveis quando as infraestruturas civis estão indisponíveis.

A nova capacidade, desenvolvida em parceria com a MEO e financiada através da Lei de Programação Militar, foi demonstrada durante uma visita do CEME ao ARTEX26/OPEX26, no Campo Militar de Santa Margarida, no concelho de Constância, distrito de Santarém.

Segundo Mendes Ferrão, “situações recentes, como o apagão e a tempestade Kristin, demonstraram a importância” de existirem soluções que permitam assegurar comunicações, comando e coordenação quando as redes civis estão degradadas ou deixam de funcionar.

A Rede Móvel Tática 4G/5G pode funcionar de forma autónoma relativamente às redes móveis comerciais, assegurando localmente serviços de voz, dados, vídeo e geolocalização, e recorrer a comunicações por satélite quando é necessário estabelecer ligação ao exterior.

Essa ligação permite interligar a rede móvel tática com outros sistemas, incluindo a rede telefónica pública, segundo informação prestada pelo Exército à Lusa.

A solução dispõe de configurações “ManPack”, orientadas para uma rápida projeção e mobilidade no terreno, e de uma versão instalada em atrelado, equipada com gerador próprio e com maior capacidade e autonomia energética.

O Exército não quantificou, para já, o tempo necessário para instalar e colocar o sistema em funcionamento, a área de cobertura ou o número de utilizadores que podem estar ligados em simultâneo.

A capacidade foi adquirida e demonstrada, estando a apresentação oficial marcada para 14 de outubro, igualmente no Campo Militar de Santa Margarida.

O Exército admite replicar futuramente a tecnologia e aumentar progressivamente a área coberta, evoluindo para um conceito de “bolhas em rede”, através da interligação de diferentes sistemas.

Orientada em particular para o Apoio Militar de Emergência, a capacidade poderá assegurar comunicações entre estruturas de comando e equipas mobilizadas no terreno e apoiar a coordenação com as entidades envolvidas na resposta a uma emergência.

“Temos de retirar ensinamentos dessas experiências e antecipar necessidades futuras”, afirmou Mendes Ferrão, acrescentando que o objetivo é o Exército estar “melhor preparado para apoiar as autoridades, reforçar a resposta em situações de emergência” e garantir uma atuação mais rápida junto das populações.

O CEME salientou ainda que o projeto traduz uma opção de investimento “na engenharia portuguesa” e no desenvolvimento de sistemas em Portugal, tendo a solução sido concebida e desenvolvida no país por engenheiros portugueses, a partir das necessidades identificadas pelo Exército.

“O conhecimento da MEO permitiu ao Exército dar os primeiros passos neste tipo de comunicações”, indicou ainda o ramo.

O ARTEX26 decorre associado à campanha europeia de experimentação operacional HEDI OPEX26-1, promovida no âmbito da Agência Europeia de Defesa, que utiliza o Campo Militar de Santa Margarida para testar tecnologias em condições operacionais realistas.

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