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Ciclismo. O desporto do povo. Aquele que mais faz vibrar as gentes em julho e agosto, quando as temperaturas sobem e, ao início da tarde, as espreguiçadeiras são substituídas pelo sofá. É o único desporto que passa, literalmente, à porta de qualquer um, sem olhar a idade, género e ou estratos sociais. Sem discriminações. Vai das grandes cidades ao interior do país e é capaz de atravessar as aldeias mais remotas. Não se paga bilhete e não há limites de lotação. Qualquer um pode chegar perto daqueles que são os seus ídolos. E quem não gostaria de ouvir o treinador da sua equipa partilhar a tática antes da fase final de uma partida decisiva? No ciclismo isso é possível, embora o avançar do tempo tenha começado a restringir a abertura das equipas à comunicação social.
2025 começou há pouco mais de dois meses. Como não podia deixar de ser, o desporto português tem dado cartas neste início de ano. Uma modalidades em maior destaque é o ciclismo que, na pista, na estrada e até no gravel, trouxe várias alegrias para o nosso país nas primeiras semanas da nova temporada. Iúri Leitão é o nome em maior evidência e, depois de se sagrar campeão olímpico com Rui Oliveira, começou o ano a vencer o Trofeo Palma, na estrada, e a sagrar-se campeão europeu de pontos e scratch, na pista. Mais: Ivo Oliveira, Rui Oliveira e Maria Martins não quiseram ficar atrás e trouxeram de Heusden-Zolder mais quatro medalhas para Portugal, resultado que permitiu igualar a melhor participação de sempre.
No que respeita à estrada, Portugal tem, em 2025, oito ciclistas no World Tour, a divisão máxima da disciplina. É o maior número dos últimos anos e há muito que não se viam as principais equipas do circuito a “pescarem” em Portugal. Os casos de doping intensificaram-se num desporto já por si fragilizado e o caso da W52-FC Porto foi uma espécie de bomba-relógio para o ciclismo português. Ainda assim, volvidos três anos, a modalidade parece estar a recuperar. Que o digam Afonso Eulálio ou Julius Johansen, atletas que representam, respetivamente, Bahrain-Victorious e UAE Team Emirates-XRG, mas na temporada passada estavam na terceira divisão, a correr em Portugal, pela mão de Feirense (atual estrutura do Feirense-Beeceler) e Anicolor (agora Anicolor-Tien 21).
António Morgado (Emirates) também quis dar cor ao bom início de ano e conquistou o Grande Prémio de Castellón e a Figueira Champions Classic, prova que, a par da Volta ao Algarve – que terminou com João Almeida no segundo lugar –, traz as melhores equipas e os melhores ciclistas ao nosso país. Neste momento, pode estar a perguntar-se como é que uma corrida de um dia, que não tem transmissão em sinal aberto, e uma prova de meia semana que, até há meia dúzia de anos nem sequer tinha transmissão, são mais atrativas que a mítica Volta a Portugal, mas a resposta é simples: interesses e falta de condições. A Grandíssima é voltada para o pelotão nacional e serve como a principal prova do calendário, aquela que motiva os patrocinadores e os corredores, seja através da transmissão da RTP ou da presença de milhares de espectadores na estrada. O facto de ter 12 dias (dez etapas, com prólogo e um dia de descanso) também faz com que seja praticamente impossível ter equipas de outra craveira – embora a Movistar tenha escolhido Portugal em 2021 –, dada as limitações da União Ciclista Internacional (UCI), que atribui uma licença excecional à organização portuguesa.
▲ António Morgado tornou-se no primeiro português a vencer a clássica da Figueira da Foz
Figueira Champions Classic
Desta forma é expectável que a clássica da Figueira da Foz e a Algarvia, por esta ordem, estejam acima da Volta a Portugal, que surge classificada na parte inferior da tabela no que respeita à sua categoria. E não é só na estrada que um país que, há 15 anos, tinha apenas Nelson Oliveira e Rui Costa como porta-estandartes e dava os primeiros passos depois de construir um velódromo, dá frutos. Acontece o mesmo no gravel, disciplina que, a par do ciclocrosse e da pista, “anima” os últimos meses de um ano e os primeiros do seguinte, altura em que a estrada está em fase de pré-temporada. Recentemente, Tiago Ferreira ficou na segunda posição na prova de Castellón do circuito mundial, tendo sido batido apenas por um tal de… Alejandro Valverde. Apesar de não passar, para muitos, de um desconhecido, Tiago sagrou-se campeão do mundo de XCM em 2016, e é um dos poucos atletas portugueses patrocinados pela Red Bull, a par de nomes como Miguel Oliveira (MotoGP), Gustavo Ribeiro (skate) ou Hélder Nunes (hóquei em patins).
O que esperar do contingente português em 2025 e o desenvolvimento do ciclismo
Em 2025, António Morgado, Ivo Oliveira, João Almeida e Rui Oliveira (Emirates), Nelson Oliveira e Rú ben Guerreiro (Movistar), Rui Costa (EF Education-EasyPost) e Afonso Eulálio (Bahrain) são os representantes portugueses no principal escalão do ciclismo de estrada, juntando-se ainda Iúri Leitão (Caja Rural-Seguros RGA) na segunda divisão (Pro Continental). Os nove prometem continuar a dar muitas alegrias. Robbie McEwen, antigo sprinter australiano que conquistou 12 vitórias em etapas do Tour, outras 12 no Giro e venceu a camisola dos pontos na Grande Boucle em 2002, 2004 e 2006, é um dos que acredita nesta reafirmação do ciclismo português além-fronteiras. Na qualidade de comentador do Eurosport, canal que, em Portugal, vai transmitir pela primeira vez todas as provas do World Tour, partilhou com o Observador esperar “grandes coisas dos ciclistas portugueses”, que tiveram uma evolução “impressionante nas últimas épocas e estão a surgir em todas as disciplinas”.
“O ciclismo português ganhou um verdadeiro impulso e penso que está finalmente a obter o reconhecimento que merece no World Tour. Durante muitos anos, Portugal pareceu um pouco isolado do resto da Europa em termos de talento no ciclismo, com poucos ciclistas a chegarem ao World Tour. Rui Costa carregou a bandeira durante muito tempo, mas agora há um grupo sólido de ciclistas portugueses a emergir, o que é entusiasmante. Estou muito impressionado com o João Almeida e também estou entusiasmado com a evolução de ciclistas como o António Morgado nos próximos anos. Está a mostrar um grande potencial e vai ser interessante ver o seu progresso”, acrescentou, antes de dizer que, em 2025, “João Almeida pode estar no pódio de qualquer uma das Grandes Voltas”, sendo praticamente certas a sua segunda participação seguida na Volta a França e o regresso à Vuelta, depois de, no ano passado, ter desistido devido à Covid-19.
“Mostrou-nos muito nos últimos dois anos e tem sempre um desempenho sólido. É muito consistente. Penso que haverá uma altura em que não se limitará a ser consistentemente bom e terá algumas semanas em que será excecional. É possível terminar no pódio, tanto no Tour como na Vuelta. A Vuelta parece-me mais realista, mas o Tour também é possível. O que se passa com o Tour é que a tática da equipa vai desempenhar um papel importante. Com alguém como Tadej Pogacar como chefe de equipa, não podemos realisticamente aspirar a um lugar no pódio com o João. A certa altura, pode ser necessário apoiar o Pogacar, mas penso que a Vuelta é uma grande oportunidade para o Almeida se empenhar a sério. É claro que nunca se sabe o que vai acontecer no Tour. Se algo correr mal ao Tadej, vão precisar de um plano de reserva e o Almeida pode ser a melhor alternativa porque é sempre consistente e fiável”, explicou.
O recente desenvolvimento do ciclismo português surgem em paralelo com o que tem acontecido um pouco por todo o mundo. Atualmente, o ciclista não se foca apenas na sua especialidade, como é o caso de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) ou Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck), nem em aliar as Grandes Voltas às principais clássicas, como Pogacar ou Remco Evenepoel (Soudal Quick-Step), preferindo conjugar a estrada com outras variantes, como Iúri Leitão e os gémeos Oliveira. Para Robbie, este deverá ser o futuro da modalidade. “Temos ciclistas como [Tom] Pidcock, um atleta multidisciplinar que compete em BTT e ciclocrosse, Wout van Aert, que faz ciclocrosse e corridas de estrada, e Mathieu van der Poel, que é campeão do mundo de ciclocrosse e já foi de estrada. Estes ciclistas vêm de um passado de competição noutras disciplinas. Os ciclistas que conseguem correr em várias disciplinas tendem a ter uma vantagem em relação aos que se especializam apenas numa”, referiu.
▲ Robbie McEwen ganhou três vezes a camisola verde da Volta a França
Eurosport
“Claro que há ciclistas que se especializam em Grandes Voltas e nunca tocaram numa bicicleta de montanha e, mesmo assim, podem ser os melhores naquilo que fazem. Mas, do ponto de vista das competências, os ciclistas multidisciplinares têm uma verdadeira vantagem. Se falarmos de velocidades médias mais elevadas, de corridas a velocidades mais elevadas e do perigo de acidentes, parece que agora há mais acidentes, mas penso que isso se deve ao facto de os vermos mais, graças às câmaras por todo o lado. Sou um grande defensor de os jovens ciclistas experimentarem diferentes disciplinas. Ajuda-os a desenvolver melhor as capacidades do que se treinassem apenas na estrada. Isso terá um efeito de arrastamento, reduzindo o número de acidentes em corridas de estrada. Os ciclistas terão um melhor conjunto de competências para terem controlo num pelotão”, partilhou com o Observador.
Ainda assim, existe quem esteja a fazer o caminho inverso, como os italianos Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) e Jonathan Milan (Lidl-Trek), que preferiram abdicar da temporada de pista para se focarem totalmente no arranque da época de estrada. “Tenho grandes expectativas para ambos. O que Milan mostrou até agora é simplesmente incrível. Espero que consiga manter essa forma nos próximos dois meses porque pode aparecer nas principais corridas da primeira metade desta temporada. Clássicas? Acho que todos pensam o mesmo e estou ansioso para vê-lo alcançar esse próximo nível. A Milano-Sanremo é uma corrida que se adequa às suas características. Tenho a impressão de que Ganna já está num nível muito bom, mas ainda tem espaço para melhorar. Acho que está a trabalhar de uma maneira realmente direcionada para os seus maiores objetivos, como a Paris-Roubaix. Estou animado para ver o que Ganna pode fazer no pavê porque a ciência diz-nos que deve ser capaz de estar entre os melhores”, disse McEwen.
▲ Jonathan Milan ganhou a camisola dos pontos na última edição do Giro
LUCA ZENNARO/EPA
O ciclismo moderno e o aparecimento de “novas super estrelas”
Como sprinter, Robbie McEwen bateu nomes como Erik Zabel, Mario Cipollini ou Alessandro Petacchi. Atualmente, as chegadas ao sprint são mais rápidas e discutidas por mais corredores, ideia que o ex-ciclista australiano corrobora. “No entanto, se comparares com as velocidades de Petacchi e Cipollini, não andam mais rápido. O que acontece é que há mais corredores capazes de ir tão rápido. Há alguns anos havia apenas um ou dois que podiam atingir essa velocidade. Agora há oito ou dez. Isso deve-se a métodos de treino e preparações mais direcionadas e todos melhoraram um pouco com a melhoria na aerodinâmica, além de ter havido um grande aumento na velocidade geral e na velocidade média ao longo das corridas. A velocidade máxima aumentou um pouco. Quando todos nas equipas e no pelotão podem beneficiar disso, as velocidades aumentam, mas não acho que isso precise de ser limitado. A UCI tem em vigor regulamentos sobre aerodinâmica, peso das bicicletas e esse tipo de coisas, e não acho que precisem de fazer ajustes. Uma das melhores coisas que as organizações podem fazer, em cooperação com a UCI, seria olhar para a maneira como os percursos são montados e onde fica a meta, o tipo de estrada, e evitar situações que levam a velocidades excessivas”, partilhou.
Quanto às diferenças entre os sprints do passado e os de agora, McEwen não vê “muitas diferenças”. “Milan lembra-me Tom Boonen quando entrava em sprints em grupo, porque parece descoordenado, mas tem muita potência. Gosto da emoção de um sprint, de ver corredores que conseguem tomar boas decisões táticas e que mudam a estratégia quando é necessário, dependendo de quem estão a enfrentar. É por isso que gosto de assistir ao Tim [Merlier]. Muitas pessoas criticam Philipsen, o que às vezes é justo. Foi isso que ele construiu ao longo das últimas temporadas, com algumas decisões que o colocaram em apuros. Gostava de vê-lo conseguir resolver isso. Sabemos que pode ser competitivo e sabemos que pode vencer. O sprint não mudou muito. São apenas atores diferentes“, referiu.
“As corridas estão mais rápidas? Não acho que seja preciso restringir a velocidade. É bom ver corridas rápidas e agressivas. É um pouco a nova onda de competir dos ciclistas. Temos o Mathieu van der Poel, o Remco [Evenepoel], o [Wout] van Aert, o [Tadej] Pogacar, ciclistas que gostam de atacar cedo e abrir a corrida. Gostam de andar de forma muito agressiva logo no início da corrida e isso leva a velocidades médias mais altas ao longo dos anos. Não acho que a velocidade, no geral, precise de ser abordada. É agradável de assistir. Corridas agressivas são boas para o desporto porque são boas para os espectadores e para os comentadores”, acrescentou, rematando que, em 2025, haverá uma “continuidade do ano passado” no que respeita ao sprint, com Merlier, Milan e Philipsen como favoritos, embora esteja “curioso para ver o regresso de Caleb Ewan ao pelotão, como vai estar e se consegue recuperar a sua força”.
According to the data, yesterday we had the fastest sprint finish ever at AlUla Tour as riders covered the last kilometre in only 41 seconds with the average speed of 87,8 km/h ???? #AlUlaTour
????: sbssportau
— Lukáš Ronald Lukács (@lucasaganronald) February 2, 2025
Relativamente ao aparecimento de novas estrelas, que sejam capazes de ombrear com Pogacar, Evenepoel e Vingegaard, Robbie considera que um desses nomes já está no pelotão: Juan Ayuso (Emirates). “Tem mostrado momentos muito fortes, mas por vezes questiono o seu temperamento. Quer claramente ser a estrela da sua equipa, mas se é isso que quer, talvez esteja na equipa errada neste momento. Em termos de verdadeiras super estrelas, somos privilegiados com o talento que temos neste momento. Ciclistas como Pogacar, Evenepoel e até Peter Sagan são talentos excecionais que entraram em cena e começaram imediatamente a ganhar as maiores corridas. Esse tipo de ascensão é raro e não acontece todos os anos. Há alguns bons jovens ciclistas, mas ainda não vi a próxima super estrela que vai ombrear com Pogacar, Evenepoel e Vingegaard. Há alguns sinais promissores, como Albert Philipsen, jovem dinamarquês da Lidl-Trek que impressionou no Tour Down Under. As pessoas já estão entusiasmadas com ele, mas também temos de nos lembrar que é apenas um miúdo, pelo que é importante gerir cuidadosamente o seu desenvolvimento”, finalizou.
O “sistema muito complexo” e “desequilibrado” da UCI
Outro dos temas da atualidade diz respeito ao ranking da UCI, que atribui licenças às 18 melhores em equipas a cada triénio. As próximas mudanças terão efeito no final deste ano e, neste momento, XDS Astana e Arkéa-B&B Hotels seriam despromovidas, com Lotto e Israel-Premier Tech a regressarem ao World Tour. “Quando se olha para os pontos nas diferentes provas, é impressionante. Podemos trabalhar arduamente numa prova por etapas, ao longo de cinco ou seis dias, e um ciclista pode participar numa corrida de um dia, que poderíamos chamar de nível secundário, e ainda assim fazer mais pontos do que alguém que trabalhou durante dias numa prova por etapas. Há um desequilíbrio no sistema. Penso que todo o sistema de pontos da UCI, e a forma como as classificações estão estruturadas para as diferentes corridas, será um trabalho durante muitos anos. Trata-se de um sistema muito complexo. Tenho pena dos organizadores das corridas”, começou por dizer McEwen.
????CLASIFICACIÓN 2023-25????
????@TeamEmiratesUAE
????@vismaleaseabike
????@soudalquickstep⬆️ASCENSO⬆️@lottocycling_ ????????@IsraelPremTech ????????
⬇️DESCENSO⬇️@arkeabbhotels ???????? (-2.690)@XDSAstanaTeam ???????? (-3.398)
????Semana 8 pic.twitter.com/YHMsQkFCYl
— UCI Points & Rankings (@Ranking_UCI) February 24, 2025
“Neste momento só temos três equipas World Tour no Gran Camiño, o que é muito menos face aos anos anteriores. É bom ver equipas como a Soudal Quick-Step, a Uno-X Mobility e a Movistar, mas, mesmo assim, o número de participantes é mais reduzido do que devia. É difícil para os organizadores das provas, porque sabem que em certas alturas do ano, dependendo do calendário, não vão ter o nível de competição que acham que merecem. Muito disso deve-se ao facto de as equipas andarem à procura de pontos, o que é impulsionado pelo sistema de despromoção da UCI, que torna as coisas muito cruéis. Algumas corridas não têm os resultados que merecem por causa disso. É interessante ver quais as equipas que lutam para se manterem na primeira divisão e quais as que descem. Se uma equipa não se portar bem, é despromovida e tem de lutar para voltar a subir, o que acrescenta uma componente competitiva”, acrescentou, antes de dar como exemplo o que aconteceu no futebol.
“O ciclismo é um pouco mais difícil do que o futebol neste domínio. Se uma equipa for despromovida no futebol, pode continuar a tentar lutar para voltar a subir. No ciclismo a despromoção pode levar a que os patrocinadores percam o interesse, o que torna mais difícil a recuperação de uma equipa. Não me importo com o sistema de despromoção, mas a forma como os pontos estão estruturados nas diferentes corridas leva, por vezes, a que as equipas conquistem pontos fáceis em corridas pequenas. Pode ser frustrante porque é como se estivessem a apanhar a fruta mais fácil, tornando mais difícil para os ciclistas das equipas mais pequenas conseguirem vitórias, o que afeta os patrocínios e a estabilidade geral das equipas. Para resolver este problema, as equipas do World Tour podiam ser obrigadas a participar apenas em determinadas corridas de nível inferior. Por exemplo, não deviam ser autorizadas a participar em corridas de nível 1.2 e terem como máximo o nível 1.1. Isso podia ajudar a evitar o problema das grandes equipas que ganham pontos fáceis. É uma situação complicada mas assistir à luta pela despromoção é divertido”, sugeriu.