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Ainda hoje as moedas e notas de banco são uma rara forma de dinheiro

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Ainda hoje as moedas e notas de banco são uma rara forma de dinheiro

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A maior ficção da história: o dinheiro

Já se compraram produtos com grãos de cevada. O historiador israelita Yuval Noah Harari explica a história do dinheiro no livro "Sapiens - História Breve da Humanidade".

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Yuval Noah Harari publicou pela Vogais a História Breve da Humanidade, oferecendo uma leitura diferente dos acontecimentos passados e presentes da história humana. A sua teoria é simples: o ser humano mantém-se como espécie porque acredita em ficções coletivas que são as que narrativas sociais que partilhamos. Harare coloca nesse campo da ficção a religião e o dinheiro, num dos capítulos desta obra. Começamos por publicar aqui o capítulo relativo ao dinheiro. Amanhã publicaremos o texto respeitante à religião.

O Cheiro do Dinheiro

Em 1519, Hernán Cortés e os seus conquistadores invadiram o México, até então um mundo humano isolado. Os Astecas, como as pessoas que aí viviam se chamavam a si próprias, rapidamente perceberam que os forasteiros mostravam um extraordinário interesse por um certo metal amarelo. De facto, pareciam nunca parar de falar nisso. O ouro não era desconhecido dos nativos — era bonito e fácil de trabalhar, pelo que usavam-no para fazer joias e estátuas e, ocasionalmente, usavam pó de ouro como meio de troca. No entanto, quando um asteca queria comprar alguma coisa pagava, por norma, em bagos de cacau ou rolos de tecido. Como tal, a obsessão espanhola pelo ouro parecia inexplicável. O que tinha de tão importante aquele metal que não podia ser comido, bebido ou tecido, e que era demasiadamente macio para ser usado em ferramentas e armas? Quando os nativos questionaram Cortés quanto ao motivo de os Espanhóis terem uma tal paixão pelo ouro, o conquistador respondeu: «Porque eu e os meus companheiros sofremos de uma doença do coração que só pode ser curada com ouro.»

No mundo afro-asiático, de onde vinham os Espanhóis, a obsessão pelo ouro era, de facto, uma epidemia. Até os mais amargos inimigos ansiavam pelo mesmo metal amarelo e inútil. Três séculos antes da conquista do México, os antepassados de Cortés e do seu exército tinham travado uma guerra religiosa sangrenta contra os reinos muçulmanos da Península Ibérica e do Norte de África. Os seguidores de Cristo e os de Alá mataram-se uns aos outros aos milhares, devastaram campos e pomares e transformaram cidades prósperas em ruínas fumegantes — tudo pela glória de Cristo ou de Alá.

No mundo afro-asiático, de onde vinham os Espanhóis, a obsessão pelo ouro era, de facto, uma epidemia. Até os mais amargos inimigos ansiavam pelo mesmo metal amarelo e inútil.

À medida que os cristãos iam, de forma gradual, ganhando vantagem, foram marcando as suas vitórias não só destruindo mesquitas e erigindo igrejas, como também emitindo novas moedas de ouro e de prata, que exibiam o sinal da cruz e agradeciam a Deus pela Sua ajuda no combate aos infiéis. No entanto, juntamente com esta nova moeda os visitantes cunharam outro tipo de moeda, à qual chamavam millares e que transmitia uma mensagem algo diferente. Estas moedas quadradas, feitas pelos conquistadores cristãos, tinham gravadas letras árabes que afirmavam: «Não existe outro Deus além de Alá e Maomé é o mensageiro de Alá.» Até os bispos católicos de Melgueil e Agde emitiram estas cópias fiéis das moedas muçulmanas e os cristãos tementes a Deus usavam-nas sem problemas.

Também do outro lado floresceu a tolerância. Os mercadores muçulmanos do Norte de África realizavam os seus negócios usando moedas cristãs como o florim florentino, o ducado veneziano e o gigliato napolitano. Até os governantes muçulmanos que clamavam por uma jihad contra os cristãos infiéis não tinham problemas em receber impostos em moedas que invocavam Cristo e a Virgem Maria.

Quanto é?

Os caçadores-recoletores não tinham dinheiro. Cada bando caçava e produzia quase tudo do que necessitava, da carne aos remédios, das sandálias à feitiçaria. Diferentes elementos do grupo podiam especializar-se em tarefas diferentes, mas partilhavam os bens e serviços através de uma economia de favores e obrigações. Um pedaço de carne oferecido levaria consigo uma presunção de reciprocidade — por exemplo, assistência médica gratuita. O bando era economicamente independente; apenas alguns artigos raros, que não podiam ser encontrados localmente — conchas, pigmentos, obsidiana e outros —, tinham de ser obtidos de estranhos. Isto podia, por norma, ser feito através de trocas simples: «Nós damos-vos belas conchas e vocês dão-nos sílex de grande qualidade.»

Isto podia, por norma, ser feito através de trocas simples: «Nós damos-vos belas conchas e vocês dão-nos sílex de grande qualidade.»

Esta situação pouco se alterou com a chegada da Revolução Agrícola. A maior parte das pessoas vivia em comunidades pequenas e íntimas. De forma muito semelhante aos bandos de caçadores-recoletores, cada aldeia era uma unidade economicamente autossuficiente, sustentada por favores mútuos e obrigações, aliados a algumas trocas com estranhos. Um aldeão poderia ser particularmente bom a fazer sapatos, outro a dispensar cuidados médicos, pelo que os aldeões sabiam a quem recorrer quando ficavam descalços ou doentes. No entanto, as aldeias eram pequenas e as suas economias limitadas, pelo que não podiam existir sapateiros e médicos a tempo inteiro.

As aldeias que ganharam reputação por produzir vinho, azeite ou olaria de excelente qualidade descobriram que valia a pena especializarem-se quase exclusivamente nesses produtos e comerciar com outras povoações, para obterem os demais bens de que necessitavam.

O surgimento de cidades e reinos, e as melhorias nas redes de transporte, trouxeram novas oportunidades de especialização. As cidades densamente povoadas garantiam emprego a tempo inteiro, não só para sapateiros e médicos profissionais como também para carpinteiros, sacerdotes, soldados e advogados. As aldeias que ganharam reputação por produzir vinho, azeite ou olaria de excelente qualidade descobriram que valia a pena especializarem-se quase exclusivamente nesses produtos e comerciar com outras povoações, para obterem os demais bens de que necessitavam. Era algo que fazia todo o sentido. Os climas e os solos diferem, então porquê beber o vinho medíocre do nosso quintal, se podemos comprar uma variedade mais suave de um local cujos solo e clima são muito mais adequados às vinhas? Se o barro do nosso quintal faz potes mais fortes e belos, então vamos proceder a uma troca. Além disso, viticultores e oleiros especializados, já para não falar em médicos e advogados, podem apurar as suas especialidades em proveito de todos. No entanto, a especialização criou um problema — como gerir a troca de bens entre especialistas?

Uma economia de favores e obrigações não funciona quando um grande número de estranhos tenta cooperar. Uma coisa é ajudar uma irmã ou um vizinho sem que se lhes cobre, outra muito diferente é cuidar de estranhos que poderão nunca retribuir o favor. Podemos recorrer à troca direta; no entanto, a troca direta só é eficaz na permuta de uma gama de produtos limitada. Não pode servir de base a uma economia complexa.

Para compreender as limitações da troca direta, imagine que tem um pomar, nas colinas, que produz as maçãs mais suculentas e doces de toda a província. Trabalha tanto no seu pomar que acaba por gastar os sapatos. Assim sendo, prende a carroça ao burro e dirige-se ao mercado da cidade, junto ao rio. Um vizinho seu disse-lhe que um sapateiro, no limite sul do mercado, lhe fez um par de botas muito resistentes, que lhe duraram cinco estações. Descobre a banca do sapateiro e oferece-se para trocar algumas das suas maçãs pelos sapatos de que precisa.

O sapateiro hesita. Quantas maçãs deverá pedir como pagamento? Todos os dias encontra dezenas de clientes, alguns dos quais lhe trazem sacas de maçãs, enquanto outros transportam trigo, cabras ou tecidos — todos de qualidade variável. Outros ainda oferecem-lhe os seus serviços para realizar petições ao rei ou curar dores de costas. A última vez que o sapateiro trocou sapatos por maçãs foi há três meses e, nessa ocasião, pediu três sacas de maçãs. Ou terão sido quatro? No entanto, pensando bem, essas maçãs eram maçãs amargas do vale, não excelentes maçãs do monte. Por outro lado, dessa vez as maçãs foram dadas em troca de pequenos sapatos de mulher. Aquele tipo estava a pedir grandes botas de homem. Além disso, nas últimas semanas, uma doença andava a dizimar os rebanhos em redor da cidade e as peles estavam a tornar-se escassas. Os curtidores começavam a pedir o dobro dos sapatos acabados em troca da mesma quantidade de peles. Não deveria isso ser tido em consideração?

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Numa economia de trocas diretas, todos os dias o sapateiro e o produtor de maçãs terão de atualizar os preços relativos de dezenas de bens. Se forem trocados 100 bens diferentes no mercado, então os compradores e vendedores terão de conhecer 4950 taxas de troca diferentes. E, se forem trocados 1000 bens, os compradores e vendedores terão de lidar com 499500 taxas de troca! Como é isso possível?

Algumas sociedades tentaram resolver o problema estabelecendo um sistema de trocas diretas central, que recolhia os produtos de produtores especializados e distribuía-os pelos que deles necessitavam.

As coisas ficam ainda pior. Mesmo que o sapateiro consiga calcular quantas maçãs equivalem a um par de sapatos, a troca nem sempre é possível. Afinal de contas, a troca direta requer que os dois lados queiram o que o outro tem para oferecer. O que aconteceria se o sapateiro não gostasse de maçãs e se, nesse momento, o que quisesse mesmo fosse um divórcio? É verdade que o agricultor podia procurar um advogado que gostasse de maçãs e estabelecer um acordo tripartido. Então, e se o advogado estiver farto de maçãs mas precisar mesmo de um corte de cabelo?

Algumas sociedades tentaram resolver o problema estabelecendo um sistema de trocas diretas central, que recolhia os produtos de produtores especializados e distribuía-os pelos que deles necessitavam. A maior e mais famosa de tais experiências foi conduzida na União Soviética e falhou miseravelmente. «Trabalhar de acordo com as suas possibilidades e receber segundo as necessidades» transformou-se, na prática, em «todos trabalhariam tão pouco quanto fossem capazes e receberiam de acordo com o que conseguissem apanhar». Experiências mais moderadas e bem-sucedidas foram realizadas noutras ocasiões, por exemplo no Império Inca. No entanto, a maior parte das sociedades encontrou uma forma mais fácil de aglutinar um grande número de especialistas — desenvolveram o dinheiro.

Conchas e Cigarros

O dinheiro foi criado muitas vezes, em muitos locais. O seu desenvolvimento não requeria quaisquer avanços tecnológicos — tratou-se de uma revolução puramente mental. Envolvia a criação de uma nova realidade intersubjetiva, que só existe na imaginação partilhada das pessoas.

O dinheiro é alguma coisa que as pessoas estiverem dispostas a usar para representar de forma sistemática o valor de outras coisas, com o objetivo de trocar bens e serviços. 

O dinheiro não são moedas e notas de banco. O dinheiro é alguma coisa que as pessoas estiverem dispostas a usar para representar de forma sistemática o valor de outras coisas, com o objetivo de trocar bens e serviços. O dinheiro permite às pessoas compararem rápida e facilmente o valor de diferentes bens (como maçãs, sapatos e divórcios), para trocarem, facilmente, uma coisa por outra e para armazenarem riqueza de forma conveniente. Já existiram muitos tipos de dinheiro. O mais familiar é a moeda, ou seja um pedaço padronizado de metal gravado. No entanto, já existia dinheiro muito antes da invenção da cunhagem e as culturas prosperaram usando outras coisas como moeda, sejam conchas, cabeças de gado, peles, sal, cereais, contas, tecidos ou promissórias. Os búzios foram usados como dinheiro durante cerca de 4000 anos por toda a África, Ásia Meridional, Ásia Oriental e Oceânia. No início do século XX ainda era possível pagar impostos em búzios, no Uganda britânico.

Nas prisões e nos campos de prisioneiros de guerra modernos, os cigarros servem muitas vezes de dinheiro. Até os prisioneiros não fumadores se mostraram dispostos a aceitar cigarros como forma de pagamento e a calcular o valor dos seus bens e serviços em cigarros. Um sobrevivente de Auschwitz descreveu o sistema de cigarros usado no campo: «Tínhamos a nossa própria moeda, cujo valor ninguém questionava: o cigarro. O preço de cada artigo era definido em cigarros… Em tempos “normais”, ou seja quando os candidatos à câmara de gás chegavam a um ritmo regular, um pão custava 12 cigarros; uma embalagem de 300 gramas de margarina, 30; um relógio, de 80 a 200; um litro de álcool, 400 cigarros!»

Nas prisões e nos campos de prisioneiros de guerra modernos, os cigarros servem muitas vezes de dinheiro. Até os prisioneiros não fumadores se mostraram dispostos a aceitar cigarros como forma de pagamento e a calcular o valor dos seus bens e serviços em cigarros.

De facto, ainda hoje as moedas e notas de banco são uma rara forma de dinheiro. Em 2006, o total de dinheiro no mundo eram cerca de 473 mil milhões de dólares; no entanto, o total de moedas e notas de banco era inferior a 47 mil milhões de dólares. Mais de 90 por cento de todo o dinheiro — mais de 400 mil milhões de dólares que surgem nas nossas contas — existem apenas nos servidores dos computadores. Da mesma forma, a maior parte das transações são executadas mediante a transferência de dados eletrónicos de um ficheiro de computador para outro, sem qualquer troca de dinheiro físico. Por exemplo, só um criminoso compra uma casa entregando uma mala cheia de notas. Desde que as pessoas estejam dispostas a isso, trocar bens e serviços por dados eletrónicos é ainda melhor do que utilizar moedas brilhantes e notas de banco novinhas em folha — é mais leve, ocupa menos espaço e é mais fácil de seguir.

Cristãos devotos mataram, roubaram e traíram — e, mais tarde, usaram os despojos para comprarem o perdão da Igreja. 

Para que os sistemas comerciais complexos funcionem, é indispensável um qualquer tipo de dinheiro. Um sapateiro numa economia monetária só precisa de saber os preços cobrados pelos diversos tipos de sapatos — não tem de memorizar as taxas de troca entre sapatos, maçãs ou cabras. O dinheiro também liberta os produtores de maçãs da necessidade de procurarem sapateiros que queiram os seus frutos, porque toda a gente quer dinheiro. Esta talvez seja a qualidade mais básica: todos querem dinheiro, porque todos os outros querem dinheiro, o que significa que pode trocar dinheiro pelo que quiser ou precisar. O sapateiro ficará sempre satisfeito por receber o seu dinheiro, porque, independentemente do que quiser para si — maçãs, cabras ou o divórcio —, poderá sempre trocá-lo por dinheiro.

Assim, o dinheiro é um meio de troca universal que permite que as pessoas convertam quase tudo em quase qualquer outra coisa. O músculo converte-se em cérebro, quando um soldado que já cumpriu o seu serviço financia os estudos com o dinheiro que ganhou nas fileiras. A terra transforma-se em lealdade, quando um barão vende propriedades para conseguir manter os seus criados. A riqueza é transformada em justiça, quando um médico usa os seus honorários para contratar um advogado — ou subornar um juiz. Até é possível converter sexo em salvação, como faziam as prostitutas do século XV, quando dormiam com homens em troca de dinheiro, que, por sua vez, usavam para comprar indulgências à Igreja Católica.

Os tipos ideais de dinheiro permitem às pessoas não só transformar uma coisa noutra, como também armazenar riqueza. Muitos valores não podem ser recolhidos, como é o caso do tempo ou da beleza. Algumas coisas podem ser arrecadadas, mas só durante pouco tempo, como os morangos. Outras são mais duradouras, mas ocupam muito espaço e requerem instalações e cuidados dispendiosos. Os cereais, por exemplo, podem ser armazenados durante anos, mas para o fazer é necessário construir armazéns enormes e protegê-los dos ratos, do bolor, da água, do fogo e dos ladrões. O dinheiro, seja em papel, bits informáticos ou búzios, resolve estes problemas. Os búzios não apodrecem, não são do gosto dos ratos, podem suportar incêndios e são suficientemente compactos para serem guardados num cofre.

Para usar a riqueza, não basta armazená-la. Ela precisa, muitas vezes, de ser transportada de um lado para o outro. Algumas formas de riqueza, como a propriedade imobiliária, não podem ser transportadas de todo. Bens como o trigo ou o arroz só podem ser transportados com dificuldade. Imagine um agricultor rico, de uma terra sem moeda, que emigrasse para uma província distante. A sua riqueza consiste, sobretudo, na sua casa e nos arrozais. O agricultor não pode levar a casa ou os arrozais consigo. Poderá trocá-los por toneladas de arroz, mas seria difícil e dispendioso transportar todo esse arroz. O dinheiro resolve estes problemas. O agricultor pode vender a sua propriedade em troca de um saco de búzios, que poderá transportar facilmente para onde quer que vá.

Como o dinheiro pode converter, armazenar e transportar riqueza, de forma fácil e barata, deu um contributo vital para o surgimento de redes comerciais complexas e de mercados dinâmicos. 

Como o dinheiro pode converter, armazenar e transportar riqueza, de forma fácil e barata, deu um contributo vital para o surgimento de redes comerciais complexas e de mercados dinâmicos. Sem dinheiro, as redes comerciais e os mercados estavam condenados a permanecerem muito limitados no seu tamanho, na sua complexidade e no seu dinamismo.

Como funciona o dinheiro?

Os búzios e os dólares só têm valor na nossa imaginação comum. O seu valor não é inerente à estrutura química das conchas e do papel, à sua cor ou à sua forma. Por outras palavras, o dinheiro não é uma realidade material — é uma construção psicológica. Funciona convertendo matéria em conceitos mentais. Mas como consegue fazê-lo? Porque haveria alguém de estar disposto a trocar um arrozal fértil por uma mão-cheia de búzios inúteis? Porque estamos dispostos a virar hambúrgueres, vender seguros de saúde ou cuidar de fedelhos irritantes, quando tudo o que recebemos em troca dos nossos esforços são uns pedaços de papel colorido?

A confiança é a matéria-prima a partir da qual são cunhados todos os tipos de dinheiro. (…) O que gerou esta confiança foi uma rede complexa e duradoura de relações políticas, sociais e económicas.

As pessoas estão dispostas a fazer estas coisas quando confiam nas criações da sua imaginação coletiva. A confiança é a matéria-prima a partir da qual são cunhados todos os tipos de dinheiro. Quando um agricultor rico vende os seus bens em troca de um saco de búzios, e viaja com eles para outra província, confia em que, ao chegar ao seu destino, outras pessoas estarão dispostas a vender-lhe arroz, casas e campos em troca de conchas. O dinheiro é, como tal, um sistema de confiança mútua, mas não um sistema de confiança mútua qualquer: o dinheiro é o mais universal e eficiente dos sistemas de confiança mútua alguma vez criados.

O que gerou esta confiança foi uma rede complexa e duradoura de relações políticas, sociais e económicas. Porque acredito eu nos búzios, nas moedas de ouro ou nas notas de euro? Porque os meus vizinhos acreditam neles. E os meus vizinhos acreditam porque eu também acredito. E todos acreditamos neles porque o nosso rei acredita e exige-os em pagamento de impostos, e porque os nossos sacerdotes acreditam neles e exigem-nos para pagamento de dízimos. Pegue numa nota de euro e olhe atentamente para ela. Verá que se trata apenas de um pedaço de papel colorido com a assinatura do presidente do Banco Central Europeu e imagens de janelas e pórticos de um lado e pontes do outro. Aceitamos o euro em pagamento porque confiamos no espírito de abertura e comunicação da União Europeia e no presidente do Banco Central Europeu. O papel crucial da confiança explica porque estão os nossos sistemas financeiros tão fortemente ligados aos nossos sistemas políticos, sociais e ideológicos, porque são as crises financeiras, frequentemente, despoletadas por desenvolvimentos políticos e as razões por que o mercado de ações pode subir ou descer, dependendo da forma como os corretores se sentem numa determinada manhã.

Aceitamos o euro em pagamento porque confiamos no espírito de abertura e comunicação da União Europeia e no presidente do Banco Central Europeu.

Inicialmente, quando foram criadas as primeiras versões do dinheiro, as pessoas não tinham este tipo de confiança, pelo que era necessário definir como «dinheiro» coisas que tivessem valor intrínseco. O primeiro dinheiro conhecido da História — a cevada suméria — é um bom exemplo. Esta forma de dinheiro surgiu na Suméria por volta de 3000 a. C., no mesmo tempo, no mesmo local e nas mesmas circunstâncias em que apareceu a escrita. Tal como a escrita se desenvolveu para responder às necessidades de atividades administrativas cada vez mais intensas, também a cevada pretendia dar resposta aos requisitos de atividades económicas cada vez mais intensas.

Este tipo de moeda consistia, simplesmente, em grãos de cevada — quantias fixas de grãos de cevada eram usadas como medida universal para avaliar e trocar todos os outros bens e serviços. A medida mais comum era a sila, que equivalia a cerca de um litro. Tigelas padronizadas, cada uma capaz de conter uma sila, eram produzidas em massa para que, sempre que precisassem de comprar ou vender alguma coisa, as pessoas pudessem medir as quantidades de cevada necessárias. Também os salários eram definidos e pagos em silas de cevada. Um trabalhador do sexo masculino recebia 60 silas por mês e outro, do sexo feminino, 30 silas. Um capataz podia ganhar entre 1200 e 5000 silas. Nem mesmo o mais esfomeado dos capatazes conseguia comer 5000 litros de cevada por mês, mas podia usar as silas que não comia para comprar todo o tipo de bens: óleo, cabras, escravos e outras coisas para comer para lá de cevada.

Embora a cevada tenha valor intrínseco, não foi fácil convencer as pessoas a usá-la como dinheiro em vez de apenas como outro bem. Para compreender porquê, pense no que aconteceria se levasse um saco cheio de cevada até ao hipermercado mais próximo e tentasse comprar uma camisa ou uma pizza. O mais certo é que a empregada da caixa chamasse o segurança. Ainda assim, era um pouco mais fácil conquistar a confiança na cevada como primeiro tipo de dinheiro, porque tem um valor biológico intrínseco: os seres humanos podem comê-la. Por outro lado, era difícil armazenar e transportar cevada. O verdadeiro avanço na história monetária ocorreu quando as pessoas passaram a depositar a sua confiança em dinheiro que não tinha qualquer valor inerente, mas que era mais fácil de armazenar e de ser transportado. Esse dinheiro surgiu na antiga Mesopotâmia, em meados do terceiro milénio antes de Cristo. Tratava-se do shekel de prata.

O shekel de prata não era uma moeda, mas antes 8,33 gramas de prata. Quando o Código de Hammurabi declarou que um homem de classe superior que matasse uma escrava tinha de pagar ao seu senhor 20 shekels de prata, queria dizer que tinha de pagar 166 gramas de prata, não 20 moedas. A maior parte dos termos monetários do Antigo Testamento é apresentada em termos de prata, não de moedas. Os irmãos de José venderam-no aos Ismaelitas por 20 shekels de prata, ou seja por 166 gramas de prata (o mesmo preço de uma escrava — afinal, ele ainda era uma criança).

Quando o Código de Hammurabi declarou que um homem de classe superior que matasse uma escrava tinha de pagar ao seu senhor 20 shekels de prata, queria dizer que tinha de pagar 166 gramas de prata, não 20 moedas. 

Ao contrário das silas de cevada, os shekels de prata não tinham qualquer valor inerente. Não podemos comer, beber ou vestir prata e ela é demasiadamente macia para o fabrico de ferramenta úteis — os arados ou as espadas de prata desintegrar-se-iam quase tão depressa como se tivessem sido feitos com folha de alumínio. Quando usados para alguma coisa, ouro e prata são transformados em joias, coroas e outros símbolos de estatuto social — bens de luxo que membros de determinadas culturas identificam com um elevado estatuto social. O seu valor é puramente cultural.

Os pesos padronizados de metais preciosos acabaram por dar origem às moedas. As primeiras moedas da História foram cunhadas por volta de 640 a. C. pelo rei Aliates, da Lídia, na Anatólia ocidental. Estas moedas tinham um peso de ouro ou de prata padronizado e estavam gravadas com uma marca identificativa. A marca atestava duas coisas: em primeiro lugar, indicava quanto material precioso a moeda continha; em segundo, identificava a autoridade que tinha emitido a moeda e que garantia o seu valor. Quase todas as moedas utilizadas hoje descendem das moedas da Lídia.

As moedas tinham duas importantes vantagens em relação aos lingotes de metal: primeiro, este tinha de ser pesado a cada nova transação; segundo, pesar o lingote não é suficiente: como pode o sapateiro saber se o lingote que lhe entrego em troca das botas é feito de prata pura e não de chumbo coberto por uma fina camada de prata? As moedas ajudaram a resolver estes problemas. A marca nelas impressa testemunha o seu valor exato, pelo que o sapateiro não precisa de ter uma balança ao lado da caixa registadora. Mais importante: a marca na moeda é a assinatura de uma autoridade política que garante o seu valor. A forma e o tamanho da marca variaram imenso ao longo da História, mas a mensagem era sempre a mesma: «Eu, o grande rei Fulano Tal, dou a minha palavra em como este disco de metal contém exatamente cinco gramas de ouro. Se alguém se atrever a falsificar esta moeda, significa que está a falsificar a minha própria assinatura, o que manchará a minha reputação. Castigarei um tal crime com a maior severidade.» É por isso que falsificar dinheiro sempre foi considerado um crime muito mais sério do que qualquer outra fraude. A falsificação não é apenas batota — é uma perturbação na soberania, um ato de subversão contra o poder, os privilégios e a pessoa do rei. O termo legal era lesa-majestade (atentado contra o soberano), sendo, tipicamente, punido com a tortura e a morte. Enquanto as pessoas confiassem no poder e na integridade do rei, confiavam nas suas moedas. Mesmo pessoas que nunca se tivessem visto podiam facilmente concordar quanto ao valor dos denários romanos, porque confiavam no poder e na integridade do imperador, cujo nome e cuja imagem os adornavam.

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O poder do imperador, por seu lado, tinha por base o denário. Pense como teria sido difícil manter o Império Romano sem moedas — se o imperador tivesse de cobrar impostos e pagar salários em cevada e trigo, por exemplo. Teria sido impossível cobrar impostos em cevada na Síria, transportar os fundos para o tesouro central, em Roma, e depois levá-los até à Bretanha para pagar às legiões aí destacadas. Teria sido igualmente difícil manter o império se os habitantes da cidade de Roma acreditassem em moedas de ouro mas os Gauleses, os Gregos, os Egípcios e os Sírios rejeitassem essa crença, depositando a sua confiança em búzios, contas de marfim ou rolos de tecido.

O Evangelho do Ouro

A confiança nas moedas de Roma era tão forte que, até fora das fronteiras do império, as pessoas estavam dispostas a receber pagamentos em denários.

A confiança nas moedas de Roma era tão forte que, até fora das fronteiras do império, as pessoas estavam dispostas a receber pagamentos em denários. No século I d. C., as moedas romanas eram um meio de troca aceite nos mercados da Índia, embora a legião romana mais próxima estivesse a milhares de quilómetros. Os Indianos tinham uma tão grande confiança nos denários e na imagem do imperador que, quando os governantes locais cunhavam moedas próprias, estas imitavam de perto os denários, incluindo o retrato do imperador romano! O nome «denário» tornou-se um termo genérico para moeda. Os califas muçulmanos arabizaram o nome e emitiram «dinares». O dinar ainda é o nome oficial das moedas da Jordânia, do Iraque, da Sérvia, da Macedónia, da Tunísia e de vários outros países.

À medida que a cunhagem de estilo lídio se espalhava do Mediterrâneo ao oceano Índico, a China desenvolveu um sistema monetário ligeiramente diferente, baseado em moedas de bronze e lingotes de prata e ouro, sem marcas. No entanto, os dois sistemas monetários tinham o suficiente em comum (em especial a dependência do ouro e da prata) para que fossem estabelecidas relações monetárias e comerciais próximas entre as zonas chinesa e lídia. Os mercadores e conquistadores muçulmanos e europeus disseminaram gradualmente o sistema lídio e o evangelho do ouro até aos cantos mais distantes da Terra. Na Era Moderna tardia, todo o mundo era uma só zona monetária, dependendo primeiro de ouro e de prata e, seguidamente, de algumas moedas de confiança como a libra britânica e o dólar americano.

As pessoas continuaram a falar línguas mutuamente incompreensíveis, a obedecer a senhores diferentes e a adorar deuses distintos, mas todas acreditam no ouro e na prata e nas moedas de ouro e de prata. 

O surgimento de uma só zona monetária transnacional e transcultural dispôs as fundações para a unificação da Afro-Ásia e, por fim, de todo o globo, numa só esfera económica e política. As pessoas continuaram a falar línguas mutuamente incompreensíveis, a obedecer a senhores diferentes e a adorar deuses distintos, mas todas acreditam no ouro e na prata e nas moedas de ouro e de prata. Sem essa crença partilhada, as redes globais de comércio teriam sido praticamente impossíveis. O ouro e a prata, que os conquistadores do século xvi descobriram na América, permitiram que os mercadores europeus comprassem seda, porcelanas e especiarias na Ásia Oriental, fazendo assim girar as rodas do crescimento económico tanto na Europa como na Ásia Oriental. A maior parte do ouro e da prata extraídos no México e nos Andes deslizou pelos dedos dos Europeus, encontrando um lar nas bolsas dos produtores chineses de seda e porcelana. O que teria acontecido à economia global se os Chineses não sofressem da mesma «doença do coração» que afligia Cortés e os seus companheiros — e se se tivessem recusado a aceitar pagamentos em ouro e prata?

No entanto, porque teriam chineses, indianos, espanhóis e muçulmanos — que pertenciam a culturas muito diferentes e eram incapazes de chegar a acordo em relação a quase tudo — de partilhar a crença no ouro? Porque não aconteceu que os Espanhóis acreditassem no ouro, enquanto os muçulmanos acreditavam na cevada, os Indianos nos búzios e os Chineses em rolos de seda? Os economistas têm uma resposta pronta. A partir do momento em que o comércio liga duas áreas, as forças da oferta e da procura tendem a equilibrar os preços dos bens transportáveis. Para compreender porquê, considere um caso hipotético. Parta do princípio de que, quando o comércio regular foi estabelecido entre a Índia e o Mediterrâneo, os Indianos não tinham qualquer interesse no ouro, pelo que este quase não tinha valor. No entanto, no Mediterrâneo, o ouro era um cobiçado símbolo de estatuto, daí o seu elevado valor. O que aconteceria em seguida?

Para terem lucro, Os mercadores comprariam ouro barato na Índia e vendê-lo-iam caro no Mediterrâneo. Consequentemente, a procura de ouro na Índia aumentaria, o mesmo acontecendo com o seu valor.

Os mercadores que viajavam entre a Índia e o Mediterrâneo teriam reparado na diferença de valor do ouro. Para terem lucro, comprariam ouro barato na Índia e vendê-lo-iam caro no Mediterrâneo. Consequentemente, a procura de ouro na Índia aumentariao mesmo acontecendo com o seu valor. Ao mesmo tempo, o Mediterrâneo assistiria a uma subida na quantidade de ouro disponível, o que faria descer o seu valor. Passado pouco tempo, o valor do ouro na Índia e no Mediterrâneo seria muito semelhante. O simples facto de os habitantes do Mediterrâneo acreditarem no ouro faria com que os Indianos começassem a acreditar nele. Mesmo que não tivessem qualquer utilidade para o ouro, o facto de os habitantes do Mediterrâneo o desejarem seria suficiente para que os Indianos o valorizassem.

Da mesma forma, o facto de outra pessoa acreditar em búzios, dólares ou dados eletrónicos é suficiente para fortalecer a nossa crença neles, mesmo que essa pessoa seja odiada, desprezada ou ridicularizada por nós. Cristãos e muçulmanos não conseguiam chegar a acordo em relação a convicções religiosas, mas partilhavam uma crença monetária porque, enquanto a religião nos pede que acreditemos em algo, o dinheiro pede-nos que acreditemos que outras pessoas acreditam em algo.

Durante milhares de anos, filósofos, pensadores e profetas criticaram o dinheiro e chamaram-lhe a raiz de todos os males. Por muito que assim seja, o dinheiro também é o apogeu da tolerância humana. O dinheiro é mais aberto do que qualquer língua, lei estatal, código cultural, crença religiosa ou hábito social. O dinheiro é o único sistema de confiança, criado pelos humanos, capaz de ultrapassar qualquer fosso cultural e não discrimina com base na religião, no género, na raça, na idade ou na orientação sexual. Graças ao dinheiro, até as pessoas que não se conhecem e que não confiam umas nas outras conseguem cooperar de forma eficaz.

O Preço do Dinheiro

O dinheiro tem por base dois princípios universais:

  • a. Conversão universal: graças à alquimia do dinheiro, podemos transformar terra em lealdade, justiça em saúde e violência em conhecimento.
  • b. Confiança universal: graças à intermediação do dinheiro, duas pessoas podem cooperar em qualquer projeto.

Estes princípios permitiram que milhões de estranhos cooperassem eficazmente no comércio e na indústria. Contudo, estes princípios aparentemente benignos têm um lado negro: quando tudo é convertido e quando a confiança depende de moedas anónimas e búzios, assistimos a uma corrupção das tradições locais, das relações íntimas e dos valores humanos, substituídos pelas frias leis da oferta e da procura.

O dinheiro é o único sistema de confiança, criado pelos humanos, capaz de ultrapassar qualquer fosso cultural e não discrimina com base na religião, no género, na raça, na idade ou na orientação sexual.

As comunidades e as famílias humanas tiveram sempre por base a crença em coisas «sem preço», como a honra, a lealdade, a moralidade e o amor. Estas coisas encontram-se fora do domínio do mercado e não deviam ser compradas ou vendidas em troca de dinheiro. Mesmo que o mercado ofereça um bom preço, certas coisas não se fazem. Os pais não devem vender os filhos como escravos; um cristão devoto não deve cometer um pecado mortal; um cavaleiro leal não pode trair o seu senhor e as ancestrais terras tribais nunca devem ser vendidas a estrangeiros.

O dinheiro tem um lado ainda mais negro pois, embora construa uma confiança universal entre estranhos, esta confiança não é investida em seres humanos, comunidades e valores sagrados, mas no dinheiro em si e nos sistemas interpessoais que o sustentam.

O dinheiro tentou sempre quebrar estas barreiras, como água que desliza pelas fissuras de uma represa. Pais viram-se reduzidos a vender alguns dos seus filhos como escravos, para poderem comprar comida para os outros. Cristãos devotos mataram, roubaram e traíram — e, mais tarde, usaram os despojos para comprarem o perdão da Igreja. Cavaleiros ambiciosos leiloaram a sua lealdade pelo preço mais alto, ao mesmo tempo que garantiam a lealdade dos seus seguidores com pagamentos em dinheiro. As terras tribais foram vendidas a estrangeiros, vindos do outro lado do mundo, para comprar um bilhete de entrada na economia global.

O dinheiro tem um lado ainda mais negro pois, embora construa uma confiança universal entre estranhos, esta confiança não é investida em seres humanos, comunidades e valores sagrados, mas no dinheiro em si e nos sistemas interpessoais que o sustentam. Não confiamos no estranho ou no vizinho do lado — confiamos nas moedas que eles possuem. Se eles ficarem sem moedas, nós perdemos a confiança. À medida que o dinheiro vai derrubando as represas da comunidade, da religião e do Estado, o mundo fica em perigo de se tornar num grande e frio mercado.

As pessoas dependem do dinheiro para facilitar a cooperação com estranhos, mas têm medo que corrompa os valores humanos e as relações íntimas. 

Assim, a história económica da humanidade é uma dança delicada. As pessoas dependem do dinheiro para facilitar a cooperação com estranhos, mas têm medo que corrompa os valores humanos e as relações íntimas. Com uma mão, as pessoas destroem conscientemente as barreiras comunais que refrearam o avanço do dinheiro e do comércio durante tanto tempo. No entanto, com a outra mão constroem novas barreiras para proteger a sociedade, a religião e o ambiente da escravização pela força do mercado.

Hoje em dia é comum acreditar que o mercado prevalece sempre e que as represas erigidas por reis, sacerdotes e comunidades não poderão conter as marés do dinheiro. Isto é ingénuo. Guerreiros brutais, fanáticos religiosos e cidadãos preocupados conseguiram, repetidamente, infligir pesadas derrotas a mercadores calculistas e até dar nova forma à economia. Como tal, é impossível compreender a unificação da humanidade como um processo meramente económico. Para compreender como foi que milhares de culturas isoladas se coligaram ao longo do tempo, até formarem a aldeia global de hoje, há que ter em conta o papel do ouro e da prata, mas não podemos ignorar o papel crucial do aço.

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