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As vespas-asiáticas não são mais perigosas que as outras. Sete respostas sobre os riscos /premium

Três mortes por picadas lançaram o alerta, mas nem todas foram causadas pela vespa-asiática. Esta espécie é, de facto, mais agressiva, mas só corre risco quem for alérgico ao veneno.

Um ninho de vespa-asiática, preso a 20 metros de altura numa árvore, levou ao encerramento da zona ocidental do Parque da Pena, em Sintra. A medida é preventiva, como explica Álvaro Terezo, coordenador da Proteção da Civil Municipal da Câmara de Sintra. Por um lado, não se sabe que comportamento podem ter as vespas. Por outro, também não se sabe como podem agir os visitantes se perceberem que ali se encontra um ninho de vespas-asiáticas. É que as vespas, quando sentem o ninho ameaçado, não hesitam em atacar — estão confiantes no veneno que possuem.

É esse comportamento mais agressivo que está, na verdade, por detrás da maioria dos alertas que as autoridades têm feito. Porque, apesar do alarme, as vespas-asiáticas não são, ao contrário do que se pensa, mais perigosas para as pessoas que as outras. Podem, de facto, ser fatais, mas não para todos. As potenciais vítimas são alérgicas a veneno de vespas — asiáticas e europeias.

Isto porque o veneno destas vespas-asiáticas (Vespa velutina nigritorax), injetado pela picada, é uma forma de defesa, mas não é exclusivo desta espécie. As vespas-europeias (Vespa cabro) — comuns em Portugal — e as abelhas também picam para se defenderem e protegerem as suas colónias. E, se for alérgico a uma destas espécies, o resultado também pode ser fatal. Estima-se que, em Portugal, morram em média cinco pessoas por causa da picada de um destes insetos. A diferença aqui estará na maior probabilidade de, se a sua presença fizer um deles sentir-se ameaçado, ser picado por uma vespa-asiática, quer por ser mais defensora do ninho, quer por serem ninhos com muito mais vespas que os das outras espécies.

E é também por isso que, sempre que é detetado um ninho num local que possa pôr em risco as pessoas que ali circulam, esse ninho é retirado — como estava previsto ser feito no Parque da Pena, a partir das 19h30 desta terça-feira. A hora é escolhida para garantir que as vespas já voltaram todas à colónia, o ninho é depois recolhido e destruído, mas tudo isto feito por uma empresa especializada neste trabalho. As pessoas não devem tentar destruir os ninhos pelos próprios meios: não só correm o risco de serem atacadas de forma agressiva, como podem contribuir para que a colónia disperse e as futuras rainhas se instalem noutros sítios e deem origem a novos ninhos.

José Piedade, de 50 anos, morreu na vinha, em Cantanhede, depois de ser picado por várias abelhas e vespas-asiáticas. Acácio Vela, de 79 anos, morreu no quintal da casa, em Oliveira do Bairro, depois de ter sido, alegadamente, picado por vespa-asiática. Bruno Silva, de 32 anos, estava no exterior de casa, no concelho de Guimarães, quando foi atacado por uma vespa-europeia e acabou por morrer. São três mortes no espaço de um mês, mas apenas uma parece estar a ser claramente associada à vespa-asiática.

Quando há referência a uma morte causada por uma picada, a suspeita recai sobre a vespa-asiática, mas, como estes três casos ilustram, pode não ser esse o caso. Porque é que as atenções estão focadas nesta espécie invasora? Que riscos correm as pessoas? E o que se pode fazer para controlar a dispersão das vespas-asiáticas? Em sete respostas procuramos perceber o problema.

A vespa-asiática é mais perigosa que as outras vespas?

Não mais do que a vespa-europeia e apenas para pessoas que sejam alérgicas. A vespa-asiática, como a vespa-europeia, pode picar quando se sente ameaçada. E, a cada picada, injeta uma quantidade variável de veneno. Ninguém se livra da dor da injeção do líquido tóxico, mas a reação que essa picada provoca em cada pessoa pode ir de nada a registar, a um inchaço e vermelhidão ou, no limite, a uma reação alérgica muito grave, que pode levar à morte.

Quantas pessoas morrem com picada de vespa?

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Portugal não tem dados atualizados sobre as mortes de picadas de abelhas ou vespas. Os dados são recolhidos pela Direção-Geral da Saúde, mas só existem números até ao primeiro semestre de 2018, que indicam a morte de quatro pessoas. No ano anterior, registaram-se três mortes. Os números estão dentro das estimativas europeias, que indicam uma média de cinco mortes por ano, em Portugal, diz ao Observador Elisa Pedro, imunoalergologista no Hospital de Santa Maria.

Numa reação alérgica grave, o sistema imunitário reage de forma agressiva contra um elemento que considera estranho — neste caso, o veneno da vespa — e pode provocar um choque anafilático, que é um colapso do sistema circulatório causado por essa reação. Inchaço nos lábios, na língua e nas pálpebras, dificuldades em respirar ou vómitos são alguns dos sintomas associados ao choque anafilático.

Se o inchaço dos olhos e da língua são sinais de alerta, o inchado de uma estrutura da laringe (edema da glote) pode mesmo impedir a chegada de ar aos pulmões. E, se não for revertido, pode provocar a morte da pessoa que sofreu a picada.

As picadas da vespa-asiática e da vespa-europeia não são, segundo Elisa Pedro, imunoalergologista no Hospital de Santa Maria, muito diferentes uma da outra. A diferença está na forma como cada pessoa reage ao veneno e no local onde foi a picada. “As picadas na face — por estarem junto à via aérea ou por estar junto às mucosas — aumentam o risco de uma reação mais grave”, alerta a médica. Além disso, o número de picadas e o curto espaço de tempo entre cada uma delas também podem aumentar o risco de uma reação grave. Em duas das mortes noticiadas no último mês era referido que as vítimas apresentavam um grande número de picadas.

“As picadas na face — por estarem junto à via aérea ou por estar junto às mucosas — aumentam o risco de uma reação mais grave.”
Elisa Pedro, imunoalergologista no Hospital de Santa Maria

A vespa-asiática é mais agressiva que a vespa-europeia?

José Aranha, um investigador da UTAD que estuda as vespas-asiáticas desde 2012 — um ano depois de terem sido localizadas pela primeira vez em Portugal —, é taxativo: “É exatamente ao contrário. A vespa-asiática é muito menos agressiva do que a vespa-europeia.” E, para se justificar, diz que as vespas-europeias, se andarem a caçar (abelhas ou outros insetos), são capazes de picar as pessoas, mas as vespas-asiáticas deixam-se apanhar com alguma facilidade com uma rede.

Mas no que toca à defesa do ninho, José Aranha é claro: “Aí, [as vespas-asiáticas] são extremamente agressivas”. A página do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas dedicada a esta espécie diz mesmo que “no caso de sentirem os ninhos ameaçado reagem de modo bastante agressivo, incluindo perseguições até algumas centenas de metros”.

Esta agressividade na defesa dos ninhos justifica que ninguém deva tentar eliminá-los sozinho. As pessoas sempre conviveram com a vespa-comum e, quando encontravam um ninho nos beirais, destruíam-no sem grandes problemas, diz José Aranha. O problema com os ninhos de vespa-asiática é que são muito maiores (chegam a medir um metro de altura), costumam estar em locais de difícil acesso e têm muito mais vespas lá dentro. Se um ninho de vespas-comuns pode ter 400 a 500 adultos e 3.000 larvas, um ninho de vespa-asiática pode ter dois a três mil adultos e 15 a 20 mil larvas. Imagine o resultado de um ninho partido, com toda a colónia a sair para o defender — e isto é válido para uma ou para outra espécie.

Dentro de um ninho de vespa-asiática podem estar 15 a 20 mil larvas, que vão substituindo as operárias à medida que estas vão morrendo — GUILLAUME SOUVANT/AFP/Getty Images

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Como se previne uma reação alérgica grave à picada da vespa?

O ideal, para quem já sabe que é alérgico, é evitar estar em locais onde a presença das vespas, em geral, é mais comum, como os jardins, o campo, as florestas ou os terrenos agrícolas — sobretudo na primavera, quando os insetos estão mais ativos. Mas, naturalmente, há profissões em que é mais difícil evitar estar exposto a estes riscos, como para um jardineiro ou um agricultor.

Saber que se é alérgico à picada de vespa (de abelha ou de outro inseto) não é imediato. À primeira picada, não há uma reação visível do sistema imunitário e a pessoa pode nem se aperceber. Uma pessoa alérgica só terá uma reação mais ou menos grave quando for picada pela segunda vez. E quem teve uma reação grave pode, muito provavelmente, vir a ter outra reação do mesmo tipo, refere Elisa Pedro, portanto o melhor é evitar que isso aconteça.

A alergologista do Hospital de Santa Maria usa como estratégia uma vacina para ir tornando os doentes menos sensíveis ao veneno. Os doentes que tenham o perfil ideal podem levar vacinas com uma dose de veneno 100% puro (ajustada a cada pessoa), durante três a cinco anos — todos os meses, durante o primeiro ano, mais espaçada depois. A ideia é que percam a sensibilidade ao veneno e, na picada seguinte, ou não tenham reação ou tenham uma reação muito menos grave. “O que sabemos é que a vacina da vespa [europeia] protege contra a vespa-asiática”, diz Elisa Pedro, com base nos estudos que já foram feitos em Espanha.

“O que sabemos é que a vacina da vespa [europeia] protege contra a vespa-asiática.”
Elisa Pedro, imunoalergologista no Hospital de Santa Maria

O que devem fazer as pessoas quando forem picadas?

Quem sabe que é alérgico à picada das vespas ou das abelhas e costuma ter reações alérgicas graves deve ter sempre consigo uma caneta de adrenalina, especialmente se estiver numa situação de maior risco — tão simples como estar a arranjar as flores no jardim de casa.

As canetas de adrenalina são simples de usar e podem ser aplicadas pelo próprio doente. Além disso, podem ser receitadas pelo médico de família (e não apenas pelo imunoalergologista) e estão disponíveis em todas as farmácias. O que Elisa Pedro alerta é que devem ser usadas nos 15 minutos seguintes, sob o risco de ser tarde demais. Ainda assim, e porque injetar adrenalina requer vigilância médica, o doente que use a caneta deve ser visto depois no centro de saúde ou no hospital, alerta a médica.

As ambulâncias devem ter adrenalina?

João Paulo Saraiva, presidente da Associação de Proteção e Socorro (Aprosoc), disse ao jornal i que as ambulâncias dos bombeiros e as ambulâncias de suporte básico de vida do INEM não têm adrenalina e que são estas que normalmente respondem às situações de picada de vespa ou abelha.

Quase 1.800 chamadas em 14 meses

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Entre julho de 2018 e setembro de 2019, em mais um milhão de chamadas de recebidas no Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), houve 1.769 chamadas cujo motivo foi “picada de abelha ou vespa”, diz o INEM ao Observador:

  • 644 foram consideradas situações graves e exigiram o acionamento de pelo menos um meio de emergência diferenciado;
  • 867 apresentavam sinais ou sintomas menos graves e o meio de emergência acionado pelo CODU foi uma ambulância de emergência do INEM ou uma ambulância de socorro dos parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica (Bombeiros ou CVP);
  • 258 ocorrências não foram consideradas emergentes e as chamadas foram transferidas para o Centro de Contacto SNS24.

INEM

O INEM confirma ao Observador que a administração de adrenalina é, no momento, uma competência exclusiva dos meios de emergência médica mais diferenciados: ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e helicópteros de emergência médica, mas diz que os técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) que tripulam as ambulâncias e motociclos de emergência médica também estão a receber formação para o fazer.

Sobre o tipo de meios de socorro aos doentes em caso de picadas de vespa, o INEM explica, no entanto, que isso depende da triagem da chamada em função da situação clínica da vítima. Se a situação não for grave, a pessoa pode ser aconselhada a ir ao centro de saúde. Noutros casos pode ser enviada uma ambulância de suporte básico de vida, mas, se houver suspeita de reação anafilática grave, serão “sempre” enviados meios de emergência médica diferenciados, como as ambulâncias SIV e/ou VMER — porque, quando as reações alérgicas comprometem as funções vitais, “o tratamento não se resume à aplicação [da adrenalina]”.

Há maneira de controlar a população de vespas-asiáticas?

“Aquilo que o fundamental é apanharmos as fundadoras”, diz José Aranha, investigador na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). E o momento mais favorável para o fazer é entre fevereiro e abril, antes de estas futuras rainhas criarem uma colónia com milhares de indivíduos. Outra hipótese pode ser quando as potenciais fundadoras da primavera seguinte abandonam os ninhos onde nasceram para irem formar um ninho primário onde passam o inverno.

O ataque à abelhas

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As vespas-asiáticas alimentam-se sobretudo de abelhas e montam guarda junto às colmeias, disse Paulo Russo, investigador na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, ao Diário de Notícias. As abelhas, quando não morrem porque foram caçadas, morrem de fome dentro das colmeias com medo de sair e ser atacadas, o que leva ao colapso dos apiários.

As vespas-europeias também podem caçar abelhas, como caçam outros insetos, mas, normalmente, caçam as abelhas moribundas, o que até tem a vantagem de fazer uma limpeza seletiva da colmeia, explicou o investigador.

Desde 2012, a equipa da UTAD tem ajudado os apicultores a instalarem estas armadilhas primárias, que podem ser algo tão simples como uma garrafa de água, cortada a meio, com a parte de cima invertida sobre a parte de baixo, como se de um funil se tratasse — as vespas entram, mas, quando tentam trepar pelas paredes, não conseguem sair. Para atrair as vespas para a armadilha basta usar uma bebida alcoólica açucarada.

O risco destas armadilhas é que podem apanhar outros insetos, o que não é positivo nem para o ambiente, nem para a polinização das várias flores, árvores de fruto e plantas hortícolas. O primeiro passo é usar uma bebida alcoólica e não simplesmente açucarada para evitar apanhar as abelhas. O segundo é fazer furos pequenos, até cinco milímetros, no bordo do copo da armadilha, para deixar passar insetos mais pequenos, mas não as vespas. Só não há é forma de apanhar vespas-asiáticas sem apanhar vespas-europeias.

O combate secundário, aquele que se faz quando os ninhos já estão instalados, é muito mais difícil, diz o investigador. Desde 2012, já foram identificados 40 mil ninhos de vespa-asiática, mas nem metade deles foi destruída. “É humanamente impossível.”

Um ninho de vespa-asiática no topo de uma árvores — Andia/Universal Images Group via Getty Images

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É por isso que o projeto Grupo Operacional Vespa (GO Vespa) tem tentado criar mapas de provável invasão e aconselhado os apicultores a colocarem armadilhas nessa zona — as abelhas não são o alimento principal das vespas, mas encontrar uma colmeia é como assaltar um banco alimentar. “Este ano tivemos menos ataques do que no ano passado e já levamos um ano e meio de colocação de armadilhas”, diz o coordenador do projeto. Entre julho e outubro também se colocam armadilhas, não para apanhar as potenciais fundadoras, mas para apanhar as obreiras que poderiam regressar ao ninho com o mapa do tesouro, a localização da colmeia.

Apesar de todas as medidas, é impossível erradicar a vespa-asiática. “Está instalada. Vai ser impossível acabar com ela”, diz José Aranha. “Ecologicamente nunca se atingirá o equilíbrio, porque nunca deixará de ser um inseto exótico e uma invasora, mas, economicamente e socialmente, se as medidas preventivas forem bem feitas, chegamos a uma situação onde se pode conviver com a vespa-asiática.”

“Por cada fundadora que capturemos será um ninho em potência que vamos eliminar”, disse à rádio Observador Tiago Moreira, da Associação de Apicultores do Cávado e Ave

É por isso que o projeto GO Vespa tem outra vertente: o apoio à transumância — isto é, ajudar os apicultores a levar os apiários de uns locais para os outros. Basicamente, com base no conhecimento disponível e na altura do ano, as colmeias vão sendo colocadas em locais onde exista néctar disponível, mas onde haja pouca probabilidade de existirem vespas. Isto pode implicar a deslocação dos apiários em dois momentos por ano, mais o regresso ao ponto de partida.

Há ainda outra parte do projeto — que requer muito mais financiamento — que prevê a colocação de pequenos emissores nas vespas-asiáticas, de forma a poder segui-las até aos ninhos por meio de GPS. Identificados os ninhos, estes podem ser destruídos.

Como é que a vespa-asiática se dispersou até à zona de Lisboa?

José Aranha é claro: a culpa é nossa. “O ser humano está a dar uma ajuda na distribuição da vespa, porque não toma medidas preventivas, nem faz a devida inspeção e a devida quarentena ao material vegetal e de apicultura que transporta de um lado para o outro”. Foi assim que chegou à Europa, em 2004, num bonsai que veio da China para França. Foi assim que chegou a Portugal, em 2011, num carregamento de madeiras. E terá sido assim que deixou de estar concentrada nos concelhos mais a norte e já foi detetada na área metropolitana de Lisboa, levando ao encerramento temporário da Quinta das Conchas, no final de agosto, e de uma zona do Parque da Pena, esta segunda-feira.

Não é preciso muito para que uma nova área seja colonizada: basta uma vespa fundadora, fecundada e pronta a pôr ovos. As primeiras 10 ou 20 obreiras que nasçam constroem o primeiro ninho e a rainha continua a pôr ovos. Quando a colónia está maior, mudam-se para outro território, onde se estabelecem. Aquela rainha só viverá um ano, mas deixa potenciais fundadoras preparadas para fundar novas colónias no ano seguinte.

A equipa da UTAD tem estudado a dispersão da vespa-asiática desde 2012 e José Aranha compara-o com a uma mancha de óleo na água, que, neste caso, caiu em Viana do Castelo, mas que se foi espalhando aos concelhos limítrofes. As vespas preferem as zonas do litoral (ou até 50 quilómetros da costa), porque precisam de água fresca, porque há muitos terrenos agrícolas onde podem caçar insetos e porque não gostam de viver em zonas mais frias ou de maior altitude. Toda a região litoral está, virtualmente, em risco de ser invadida, se não forem asseguradas as medidas que previnam a dispersão.

O que fazer quando encontrar um ninho?

O conselho de todas as entidades é que as pessoas não tentem destruir os ninhos sozinhas. Mesmo a Proteção Civil Municipal, como explicou Álvaro Terezo, contrata os serviços de uma empresa especializada na eliminação da colónia depois de confirmar a presença da vespa-velutina. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) criou um manual de boas práticas para a eliminação dos ninhos e alerta para “nunca usar armas de fogo (por exemplo, armas de caça), mesmo no caso de difícil acesso aos ninhos, pois este método só provoca a destruição parcial do ninho e contribui para a dispersão e disseminação da vespa asiática”.

Comparação entre a vespa-asiática (Vespa velutina, à esquerda) e a vespa-europeia (Vespa crabro) — GUILLAUME SOUVANT/AFP/Getty Images

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Na página do ICNF também encontrará indicação de como pode alertar as autoridades para a presença do ninho. O essencial é que consiga identificar precisamente onde encontrou o ninho ou as vespas. Depois, é informar a Câmara Municipal — com um formulário que pode encontrar aqui — ou a GNR — através da linha SOS Ambiente e Território (808 200 520) do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente.

Só este ano, e até dia 25 de agosto, já tinham sido recebidas 508 denúncias sobre a presença de vespa-asiática, localizadas maioritariamente no distrito do Porto (133), verificando-se um aumento do número de avistamentos desde 2017, com 499 avistamentos — embora menos que em 2018, com 708 —, como revelou a GNR.

Em caso de picada de vespa, seja europeia ou asiática, o INEM recomenda “aplicação de frio no local da picada e imobilização da zona atingida”. Nos casos mais graves, as vítimas, ou quem as acompanhe, devem ligar para o 112 ou, em alternativa, para o Centro de Informação Antivenenos (800 250 250). Para os casos menos graves, o INEM aconselha que se ligue para a linha SNS24 (808242424).

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