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Bistrô, cantina argentina, casa de bonecas italiana e o santo produto nacional: 11 restaurantes que levamos connosco para 2025

Com tantas novas mesas a abrir na capital talvez lhe tenham escapado algumas moradas lisboetas deste ano. Resgatamos destinos de 2024 para levar consigo — e reservar — para o próximo ano.

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Sala Rosa

Rua do Vigário, 44. Aberto aos jantar, de quarta a domingo

É difícil convencê-lo a cruzar a cidade rumo a Alfama? Pense duas vezes. Na mesma rua onde até há bem pouco tempo funcionou o badalado Boi Cavalo, abriu portas o Sala Rosa. Saído do grupo Rosettas (que detém o Rosetta’s com a sua lógica de small plates, e o Bar Rosette, ambos no Bairro Alto) tem menos de 20 lugares (ideal para jantar a dois ou máximo a quatro) e inspiração de bistrot, mas seguindo um receituário italiano (parece uma pequena casa de bonecas saída do país da bota). A ementa não se perde num número infindável de items: contas feitas, são cinco contra cinco (cinco sugestões para partilhar, entre os 6 e os 14 euros, e cinco sugestões de massas, entre os 14 e 18 euros). E quem põe as mãos nelas, neste caso o chef Christina Daura Lobato, tratará de as apresentar quando estiver sentado à mesa.

Na primeira mão cheia, destaque para uma bela panzanella com camarão e um tártaro com polenta frita. Na mão cheia seguinte, a servir de cama há spaguetti, fettucine e pici, a conhecida massa de origem toscana — pode escolher a sua preferida. A bolonhesa vive do borrego; a carbonara não prescinde do guanciale; há uma opção com beurre blanc e bottarga; e nos tortelini cacio e pepe uma ligeira variação, com pimenta de sichuan (se optar pelo molho de tomate, previnem-nos, este inclui uma gordurinha de porco).

Se dispensar o vinho (incluindo a copo, até 8 euros, ou garrafas entre 25 e 60) há birra italiana, e duas sobremesas para finalizar: o coco e a ricota destacam-se numa espécie de butter cake, enquanto na outra sugestão, bem fresca, prevalecem o creme inglês e a erva príncipe (6 euros). Nota final: só falta uma curadoria musical à altura.

IRÚ

Travessa Fábrica das Sedas, 30B. Terça a sábado, das 19h00 às 23h00

Pé ante pé, o conceito de omakase vai conquistando lugar na capital. Ganhando lugar e fiel ao número reduzido de lugares (neste caso 8), para uma experiência intimista mas também de proximidade com as manobras atrás do balcão. Uma das entradas recentes da lista abriu portas há uns meses, discretamente junto ao Pátio Bagatela e Jardim das Amoreiras. De volta do peixe, está o chef Pedro Binotti. Já o anfitrião de serviço, que fará todas as apresentações ao longo de duas horas, tem sido Pedro Lopes, que junta o IRÚ ao seu portfolio de espaços nas imediações, onde se inclui o restaurante Salta e o bar Black Sheep — escrevemos “tem sido” já que a previsão, no dia da nossa visita, era em breve passar o testemunho a outro host.

“Conhecemo-nos numa after party, onde começam todas as boas relações”, brinca o brasileiro, que já conhecia a paixão do amigo pela cozinha japonesa. Descobriu este pequeno reduto (onde para além do lustre no teto, das fotos em grande formato e da montra de produto maturado não há espaço para muito mais) e desafiou Binotti a “andar para a frente”. Disponível apenas ao jantar, dividida em dois turnos (19h00 e 21h00), a experiência quer-se “algo vagabunda, como se diz no Brasil, nada fancy”, com uma vibe chill servida pelos “the guys” — que bem podem terminar o serão a fumar um cigarro com os convivas. Bom, mas vamos ao menu, que ronda os 12 pratos (para um pairing que ascende aos nove vinhos e sakés) com a surpresa sempre na ordem do dia. Num destes dias, a experiência arrancou com um quente a piscar olho ao país natal, e a moqueca a servir de cama ao lírio dos Açores. De seguida, alistaram-se para estas etapas o camarão com tomyhang, enguia, cavala, hamachi (a única referência importada do Japão), ou o atum, antes de seguirmos para a secção de nigiris, ao sabor do parguete, toro ou akami.

Santa Joana

Locke de Santa Joana, Rua Camilo Castelo Branco, 18. Jantares das 18h00 às 23h00

As tentativas de demovê-lo caem por terra: a presa de porco alentejano regressa à cozinha para novo empratamento. Passaram poucos minutos desde que o gravador começou a registar a conversa mas Nuno Mendes teme que o prato já esteja frio. “O chef é mesmo assim”, ri-se Ricardo sobre a vigilância meticulosa do timoneiro, “quem vem para esta carreira tem que ser assim”. Do outro lado do balcão, à vista de quem se senta, o frio é não só tolerado como obrigatório: circulam ostras e crudos, para uma invasão de tártaros de boa memória (incluindo o de vaca maturada com nabos marinados e pinhões, 18 euros). Para uma pluralidade da experiência, pode chegar e ficar por esta zona — ou seguir para uma mesa para o resto do repasto.

Henrique Isidoro

O hamashi terá chegado para encher olho e barriga mas, em boa hora, Mendes (secundado na aventura pelo head chef Maurício Varela e pela chef pasteleira Maria Ramos) insistiu para que juntássemos ao pedido o atum dos Açores (17 euros). “É só produto, produto, produto”, ou gulosa simplicidade. Antes de seguirmos para a carne, nova insistência atendida: a pescada escalfada com moldo de manteiga fumada (25 euros). Tudo certo. Para trás ficou o biquini de farinheira dos acepipes (a forma triangular explica o batismo da entrada, 11 euros), e por diante espreita a presa de porco com esparregado rematar.

Inserido no Locke de Santa Joana, o principal restaurante do complexo abriu portas no último trimestre no cenário de um antigo convento. Ainda a aquecer motores, aos fins de semana já se sentam por aqui uma centena de comensais, teto máximo ideal para receber dentro dos planos. Numa segunda-feira, dividida entre o turno das 19h00 ou 21h00, a fauna compõe-se de caras bem conhecidas dos anfitriões. Chefs e outros elementos do setor vêm provar o menu traçado pelo diretor criativo que divide a semana entre Londres (Lisboeta), Porto (Cozinha das Flores) e agora este regresso a Lisboa, deixando escapar alguns sonhos: “Ainda tenho esperança de abrir o Viajante em Portugal”, e de hastear uma bandeira no Japão e em Singapura, confessa.

©Charles McCay

Fã de projetos mais alargados de lifestyle, Nuno Mendes dispensa apresentações. Encontra pontes entre o novo desafio lisboeta e um antigo projeto, o Chiltern Firehouse, mas os tempos são outros. Na capital alfacinha abunda o hype — e é possível escapar aos dilemas de um mundo pós-Brexit. “Em Londres agora é praticamente impossível trabalhar com produtos frescos, porque as coisas perdem qualidade, muita qualidade. O tempo de viagem e as taxas…”. Por aqui, e possível contar com a melhor carne da Laborela ou o atum dos Açores. Há principais para partilhar como o robalo grelhado com berbigão do Algarve e molho à Bulhão Pato (54 euros)ou o arroz de marisco caldoso com caranguejo e lavagante nacional (65 euros) — e é imperdoável despedir-se sem a mousse de chocolate aquecida com gelado.

Bar Alimentar

Rua Nova de Piedade, 62, Lisboa. Terça a sábado das 19h00 às 22h00

Talvez já tenhamos sugerido isto algures por aqui, ou então está a ler em estreia, mas ainda assim aqui fica: iguarias durante algum tempo relativamente proscritas como língua de boi ensaiam um retumbante regresso à ribalta, neste caso acomodadas num panino com salsa verde e malagueta (8.5 euros) (mas podia ser em qualquer outro registo). Pela parte que nos toca, gente de boa boca, também não tememos um carpaccio de atum à Putanesca (12.5 euros), a fregola de polvo (16 euros), muito menos uma overdose de cannoli com cebola caramelizada, bacalhau e pistachios (3.5 euros unidade). Ou mesmo uma convocatória de cocktails batizados com nomes de lendas do calcio.

Por regra, mais com mais dá mais — uma outra forma de dizer que a junção de forças entre João Magalhães Correia, do não menos badalado Tricky’s, e a equipa do Imprensa , dificilmente resultaria num desaire. É com a Nanarella por vizinhança que o Bar Alimentar acrescenta uma nota italiana a um menu à base de produto nacional que não massacra os mais retintos puristas. Abriu portas na zona da Praça da Alegria no final do primeiro trimestre (no espaço onde funcionou o Season) e à despedida de 2024 mantém os níveis de hype, pronto a seguir a marcha, entre o sabor dos pratos, os vinhos, e os tais cocktails (ah, e os castiçais brancos e as garrafas vazias a decorar).

The Capsule – Neo Bistro

Rua do Crucifixo, 71, Lisboa. Quarta a domingo, 10 às 17h00, sexta e sábado abertos também para jantares, 19h00 às 23h00

Primeiro, foi o minimalismo em tons azuis e brancos, para um café com pinta servido na Ericeira, aos pés do Atlântico. Este ano, a vez de chegarem à capital e a uma zona onde encontrar um spot livre de armadilhas está ao nível da descoberta da agulha no palheiro. É na baixa de Lisboa, na rua do Crucifixo, a um passo da saída do metro, que o The Capsule se apresenta em modo Neo Bistrot, insistindo na estética clean, ou “updated Nordic”, como lhe chamam. A suavidade do ambiente é trazida pela Burel, o detalhe estende-se à louça e outros acessórios que chegam à mesa, e na zona de banho há difusores Margiela e sabonete Loewe.

De volta aos pratos, fermentação para cultivar sabor e desperdício zero como filosofia são dois dois eixos da casa. Liderada pelo head chef Alex Horbenko, faz jus à crescente tendência bistronómica de recolocar no mapa iguarias mais fraturantes — e que pode desatar comentários como “hum, este prato é interessante…”, o que encaixa tanto de saboroso como de estranho, da forma ao conteúdo. No capitulo do brunch, por exemplo, servem-se pratos que providenciam refeição completa, como o inesperado derun (Enguia fumada, kimchi, batata, 15 euros); a sanduíche de frango katsu (Algas, sauerkraut, maionese de kimchi, 14 euros) ou a omelete negra (Salsicha de sangue, chips lacto, tinta de lula, 14 euros). À noite há menu especial, composto por iguaria como língua de vaca cozinhada durante 36h, cogumelo coral, doce de habanero (2o euros); ou chouriço de sangue, puré de batata com mostarda, trigo-sarraceno, e ketchup de kimchi (nós bem avisámos) (17 euros), , ou chucrute, peixe confitado, chips 18 euros). Conte ainda com snacks e extras como pickles caseiros, mel negro glaceado ou rillettes de cavala.

Pippo

Rua da Esperança, Lisboa. Aberto de quinta a segunda feira a partir das 18h.

É descontraído, pet friendly, para fins de tarde que se estendem pela noite dentro, e é bem possível que quando regressar a esta morada um dos sócios já tenha reforçado a decoração com mais um achado vintage. “Cada terça e sábado o Mark está na feira da Ladra, anda no Instagram a ver coisas”, avisa Thomas, francês de ascendência italiana que há quatro anos largou o trabalho de consultor na banca frente ao computador pela aventura da restauração, depois de escalas em Itália e Bruxelas. Fez um curso de pizzaiolo, em Biarritz abriu um foodtruck de pizzas, e depois da Covid arriscou um espaço físico na cidade, que ainda mantém, agora em dose dupla. “Chegou a hora de vir para Lisboa”, concluiu Thomas, aliciado pelo amigo Marco. “Vendi tudo, cheguei cá e não estava nada pronto!”. No entretanto, arregaçaram as mangnas com o wine bar Ippolito Maciste, que começou na Rua da Esperança para depois se radicar na Ericeira. Já na Rua dos Correeiros, quando a fome apertar em plena Baixa, vale a pena a paragem na Pizzico Pizzeria.

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“O Pippo surgiu um pouco do nada. Éramos muito amigos do chef, o Yan, luso-suiço, que já tinha o Maluca, nesta rua também. Uma noite estávamos a jantar os três e enviamos uma mensagem para este sítio que estava à venda. O antigo espaço também tinha brunch e pizzas, aqui temos um mix de todos os lugares que tivemos, com pratos de influência italiana e portuguesa”, descreve o anfitrião. O Pippo, nome que evoca um amigo barman em comum, abriu no final de julho, inaugurou oficialmente em outubro e a partir dos próximo ano, lá para fevereiro, março, devem abrir mais cedo aos fins de semana, para um almoço cool para curar ressacas do dia anterior. “Não quero que seja uma pizzaria”.

Manuel Manso

Por aqui, quer-se espírito de partilha e uma roda viva de mini pratos, para picar ou jantar, sentado à mesa, no exterior ou ao balcão. “É um lugar de vida”. A carta, enxuta, arranca com snacks como azeitonas verdes sicilianas, bolas de parmesão, tomate san marzano e anchovas, ou foccacia com salvia e manteiga de algo. Nos principais, berinjela e endro; alface romana com pecorino e miso; sardinhas straciatella fumada e pêssego, ou um crudo de atum, tomate e habanero. Por fim, há pizzetas crocantes de fermentação longa, e produtos sazonais (só o queijo, tomate e farinha vêm de Itália), da carbonara, provola defumada e pleurotus à de tomate vermelho e amarelo, pesto e provola. Sem esquecer a de creme verde, couve e stracciatella fumada ou a de tomate, ragu, soffritto e parmesão. Nas sobremesas, nada como pedir ambas: creme de mascarpone, frutas cítricas e yuzu e cheesecake, pistachio de Bronte e manjericão. Nas bebidas, vinhos naturais e biodinâmicos, e ainda cocktails com infusões home made.

La Joya Cantina

Rua da Cruz dos Poiais 79, 1200-319 Lisboa. Terça-feira a sábado das 18h30 às 00h00.

É uma joia escondida por entre as ruas de São Bento, umas quantas mais abaixo da Praça das Flores. Quem por ali passa quase que nem dá por ela. De luz baixa e velas acesas, a La Joya Cantina convida a entrar num ambiente íntimo onde a atmosfera acolhedora e descontraída anda de mãos dadas com o que lá vai pelos pratos. Simples e despretensiosos, diz-nos Segundo Farrell, têm como foco a técnica e o cuidado nos ingredientes — que não são muitos. “Os pratos aqui não têm muita coisa porque não queremos esconder os produtos, que são bons. Apostamos em três ou quatro ingredientes”, explica o chef argentino que veio para Portugal há nove meses para se juntar aos seus amigos de infância, Santiago Fasolo e Marcos Miguens, os outros dois sócios deste novo restaurante de Lisboa. “A ideia inicial era para ser uma casa de takeaway de milanesas”, revela Santiago, acrescentando logo depois que o conceito mudou devido ao espaço: “Precisávamos de uma planta maior”.

O chef argentino Segundo Farrell

Fizeram por isso uma tradicional cantina argentina — “é como se fosse uma tasca, mais tradicional e com pratos clássicos” —, mas as milanesas ainda cá andam. Enquanto que em Itália são de porco, aqui são de vitela “porque gostamos mais”, comenta Segundo. “Na Argentina as pessoas comem milanesas talvez três ou quatro vezes por semana”, continuou, antes de Santiago acrescentar que “todas as casas têm no congelado um tupperware com umas cinquenta milanesas e, quando não se sabe o que fazer, há sempre uma milanesa”.

Vibe. Entre uma ostra de Setúbal e uma nota de Rockefeller

A La Joya Cantina oferece assim uma carta com pratos que se encontram “nas boas casas Argentinas”. Pequena e simples, apresenta-se como uma lista que começa logo com as empadas de vitela (5 euros) acompanhadas por um molho de tomate, seguidas das anchovas de Cantabria com manteiga em pão (7 euros) — motivo para repetir — e o alho francês com puré de amêndoas e alho assado (12 euros). Nos principais, há polvo com batata aioli e passata (16 euros), polenta cremosa com cogumelos e gema curada (14 euros), nhoqui com molho de limão e salvia (14 euros) e, claro, as milanesas de vitela (16 euros) que, regadas com limão, são acompanhadas por uma mistura de grãos de mostarda com Dijon.

Os pratos do La Joya Cantina são pratos que se encontram nas casas argentinas

A chegar aos doces, a fome parece já não estar por cá mas é suficiente para a leve panqueca (6 euros) — que quase parece um crepe — regada com também ele um leve dulce de leche e acompanhada por uma bola de gelado de nata e para a cremosa mousse de chocolate decorada com pedras de sal e azeite (6 euros). Quanto à carta de vinhos, é “muito boa para acompanhar o menu” e divide-se entre os vinhos naturais e as joyas de la abuela (argentina). Há espumantes naturais, branco, laranja, rosé e tinto, que se espalham por Itália, Espanha, Franca, Geórgia, Argentina e Portugal.

Fysh

Av. Praia da Vitória 77B, 1050-183 Lisboa. Todos os dias das 12h00 às 00h00.

Este é só de peixe. “Uma peixaria moderna”, diz-nos o chef Pedro Quinta. E é assim mesmo que se apresenta logo na entrada. Com uma montra de peixe fresco — que é quase “um bocadinho de mim” — convida a espreitar o produto, escolher e pedir para amanhar. Já na mesa, passada a cascata de água que cai pela parede e os aquários onde nadam as lagostas, o peixe chega de duas formas: clássica ou tradicional. Na primeira é ao pão ou ao sal enquanto que, na segunda, é grelhado, ao forno ou à basca. “Recomendamos que o cliente ligue com antecedência para o restaurante quando quer pedir o peixe ao sal, porque chega a demorar uma hora de confeção”, sugere.

Dos croquetes de carabineiro ao prego de lavagante: Orla, a nova marisqueira das Janelas Verdes

Natural da Costa da Caparica, Pedro Quinta está agora de regresso às origens com este projeto by fullest. Desde sempre ligado àquilo que o mar oferece, não fosse ter dado os seus primeiros passos na gastronomia na marisqueira de família, o chef traz agora para a carta do Fysh o seu cunho pessoal — tanto na forma como os pratos são confecionados como na escolha do produto. Onde é que podemos vê-lo? A começar nas entradas, o chef destaca o ceviche de peixe branco (14 euros) “com a banana pão frita que trouxe da ilha do Príncipe” quando esteve por lá a trabalhar, o carpaccio de gamba rosa (11 euros) decorado com romã e gotas de maionese de kizawi e a nata (3 euros), um pastel de bacalhau com natas, batata palha, pó de salsa e azeitona. Nos principais, a lula grelhada (22 euros), com arroz de berbigão, cujo corte veio diretamente da tradição de street food na Tailândia, e nas sobremesas o carpaccio de abacaxi (5 euros) com gelado de lima e pimenta rosa e a mousse de chocolate (5 euros), à qual acrescentou “um bocadinho de vinho do Porto”.

O chef Pedro Quintas na peixaria da entrada do Fysh

Andre Pires Santos

Face ao público empresarial e executivo da zona, o Fysh apresenta ainda a opção freestyle do chef (20 euros) disponível sempre ao almoço, estilo prato do dia mas sem o ser: “Decidimos fazer alguma coisa rápida, com um food cost apelativo e que não fosse mais um prato do dia”. Assim, todos os dias depois de almoço o chef olha para a montra, vê o que tem e começa a idealizar o prato que vai preparar no dia seguinte. “Ontem agarrei na garoupa e fiz um molho para apurar para hoje e hoje temos então a caldeirada de garoupa e limão. Ontem tínhamos os carapauzinhos fritos com arroz de tomate. Já sabíamos que ia vender”, exemplificou.

Parra Wine Bistro

Rua da Esperança, 72, Lisboa. Quarta a segunda, 17h00 às 00h00

Facto: há cada vez mais novos spots na cidade que se recusam a satisfazer apenas a vista ou o feed mais próximo. Resumindo: sim, são bonitos, têm boa pinta, resultam da intervenção cuidada ao nível dos interiores (aqui manteve-se o acabamento do anterior talho), ficam a matar na fotografia de quem chega e, voilá, a comida também é altamente recomendável — neste caso, junte-se a não menos simpática e robusta garrafeira.

O Parra Wine Bistro é um desses sítios. Pequeno, cosy, onde predominam forasteiros mas também se encontram legítimos comensais tugas, cuidado mas livre de salamaleques, e com anfitriões informados — conte com a sommelier Anna para o guiar entre rótulos ou subtilezas do menu.

É certo que nem todos morrem de amores por anchovas, um dos mais ilustres convidados dos menus recentes, mas há alternativas seguras ao tártaro na casa fundada pelo russo Arthur Emashev. Para começar, há bom pão, boa manteiga e bom azeite (3 euros), um triunvirato imbatível, queijos (12 euros), azeitonas (3,50 euros) e charcutaria (10 euros). Nos petiscos, croquetes de bochecha de porco (10 euros), sapateira melhorada (16 euros), carapau com maioneses de lima (11 euros) ou dióspiro com taleggio e salvia (14 euros).

Nos principais, a corvina com ameijoas e salicórnia (21 euros) mede forças com o porco preto com endívia e uva fumada (25 euros), o pato com groselha vermelha (22 euros) ou o vegetariano gnocchetti de abóbora. Para terminar, nada como fintar invenções: pudim, bolo de chocolate com azeite ou creme de baunilha com cardamomo. Contas feitas, rachando entradas e partilhando principais, três pessoas e uma garrafa de vinho conseguem fazer a festa por 30 euros por cabeça — o que já vem sendo raro nestas incursões gastronómicas.

Browers Beato

Tv. Grilo 1, 1950-143 Lisboa. Domingo a quarta-feira das 12h00 às 23h00 e quinta-feira a sábado das 12h00 às 00h00.

É uma microcervejeira com aquele que afirmam ser o maior balcão do país. Com o espírito das cervejarias tradicionais portuguesas, a Browers Beato abriu portas no início do mês de novembro na antiga Central Elétrica da Manutenção Militar de Lisboa, no atual Beato Innovation District, para ser o novo ponto de encontro da capital. Com um balcão de 30 metros de comprimento, que acomoda 40 bancos altos, oferece 15 variedades de cervejas à pressão, de diferentes estilos e aromas. Há IPAs, Lagers ou Stouts e também as sete cervejas Browers, disponíveis de forma permanente (entre elas a Beato Lager), e uma em edição limitada — tudo preparado atrás do balcão, à vista de todos.

O balcão do Browers Beato tem 30 metros de comprimento

Servidas no mega balcão, ou na zona de restauração — que dispõe de 250 lugares—, as rainhas desta casa acompanham uma carta de petiscos, com consultoria do chef Luís Gaspar, inspirados naquilo que melhor se faz em cada região portuguesa. Do mar, chega a gamba da Costa, o bacalhau à brás e a açorda de gambas, enquanto que, da terra, há pica pau, cachorrinho do Beato,  francesinha e prego. Para harmonizar ao almoço ou ao jantar, as cervejas acompanham também as sobremesas: vai um bolo de bolacha ou uma mousse de chocolate?

Skizzo

R. das Trinas 22 24, 1200-856 Lisboa. De segunda-feira a sábado das 18h00 às 1h00.

Irmão mais novo do Da Noi, o descontraído reduto na Madragoa, Skizzo é uma nova casa para receber amigos — “uma casa diferente”.  Foi no início de dezembro que abriu portas na zona da Lapa, em Lisboa, para passar de um rascunho que durante quatro anos foi sendo desenvolvido a um projeto que vem agora mostrar o resultado desse grande processo de aprendizagem. Esse fica pelo menu, descrito como mediterrânico, e onde o fogo é rei, convida à partilha e pode ser servido tanto ao balcão como nas mesas.

A cozinha do Skizzo tem como rei o fogo

Informal e modesto, é composto por pratos generosos e sazonais cozinhados no tal fogo — num forno a lenha. Para abrir o apetite, e acompanhar com um cocktail — negroni (9 euros), chilli margarita (12 euros) e moscow (9 euros) —, há ostras com zabaione de soja (12 euros), flatbread com pesto de rúcula e stracciatella (8 euros), pimentos, chimichurri e anchovas (6 euros), tártaro de vieira, kumquat e caldo de carne (10 euros) ou carpaccio de beterraba, amoras e avelãs (10 euros). Entrados no espírito, vão chegando à mesa a massa filo com ricotta e espinafres (4 euros), a lagosta à guilho om manteiga de chilli e lima kefir (32 euros) e os gnocchis em forno de lenha (14 euros).

Se na carta de comida a coisa é curta e direta, nas bebidas é tão equilibrada quanto extensa. Selecionada por Michael Londjine — proprietário do Skizzo, junto de Tomás Blades — afirma-se como bastante satisfatória para os aficionados do vinhos, uma vez que conta com espumosos, brancos, rosé, tintos e laranjas divididos por encorpados, doces, leves, naturais e frescos.

Bisque Bistro. Rosas, velas, lagosta e um teatro gastronómico no Cais do Sodré

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