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Caça ao Voto - Pode uma campanha fazer-se sem candidato? /premium

António Costa é o candidato que menos anda na rua. E o único que só faz campanha "nos tempos livres". Na dupla função de primeiro-ministro e candidato, tem um adversário a morder-lhe os calcanhares

É uma estranha campanha esta, em que o principal favorito para ganhar as eleições mal aparece na rua. O atual primeiro-ministro já provou ser capaz de soluções inovadoras na democracia portuguesa, mas a verdade é que até agora nunca se viu ninguém conquistar um resultado “absolutamente inequívoco” com o candidato enfiado em gabinetes.

As dores de costas e o furacão nos Açores são circunstâncias que António Costa não pode controlar, obviamente. Mas já antes, daquilo que dependia dele, e da organização desta volta pelo país para pedir votos, as coisas também não seriam muito diferentes. Uma aparição num almoço ou numa arruada e depois um comício à noite e já está.

Esta terça-feira, por causa do possível impacto do furacão Lorenzo, a equipa do PS anunciou à última hora que se cancelava uma ação de campanha e substituía pela que estava prevista para o dia seguinte. Esta quarta-feira, Costa queria ter a agenda livre para o que fosse preciso. Deixou assim de haver arruada na Nazaré, seguiu tudo para Viseu (onde Costa também queria muito mostrar as obras do troço do IP3 entre Viseu e Coimbra).

“Vão trabalhar!” Costa pelo IP3 a dizer que só faz campanha “nos tempos livres” de primeiro-ministro

E às seis da tarde, o candidato lá apareceu pela primeira vez. “Não posso meter férias das minhas funções de primeiro-ministro”, explicou. Campanha, “faz-se nos tempos livres”, para não prejudicar o cargo. Costa disse isto enquanto visitava uma obra do governo que diz ser “prioritária”, acompanhado do seu ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos, que é também cabeça de lista pelo distrito de Aveiro, num passeio que parecia uma inauguração do governo.

Que não haja dúvidas, Costa estava ali “manifestamente como candidato e não como primeiro-ministro”. E portanto, não terá sido totalmente descabido que, sendo esta uma atividade de tempo livre, alguns motoristas e condutores que assistiam à cena tenham gritado “vão mas é trabalhar!”.

A mesma dupla, Costa e Pedro Nuno, juntar-se-ia a um terceiro membro do governo (Vieira da Silva) em Aveiro para um comício onde se puxou à esquerda e malhou na direita, mais o seu “projeto de sociedade assente nos valores do individualismo e da competição” ou na direita que pratica a “política da calúnia, da insinuação, das meias palavras”.

O “fresquinho da costa” foi atirar à direita e puxar à esquerda (e não foi o único)

Pode uma campanha fazer-se quase sem candidato? Pode. Colocando os pesos pesados a trabalhar a mensagem, a disparar o soundbyte. PS a puxar à esquerda, PSD a puxar ao centro. Nem à esquerda, nem à direita. É no centro que está “a virtude, a mudança, a moderação”, defendeu Rui Rio no jantar-comício de Viseu. Talvez entusiasmado com as sondagens que confirmam uma aproximação dos sociais-democratas aos socialistas, Rio (que tem estado sempre na estrada), quer ser “o novo chefe dos lusitanos”.

Rio dramatiza apelo ao voto “ao centro”, porque é “ao centro que está a moderação”

E não só já tem uma lista de ministeriáveis, como já começou a disparar convites. O histórico PSD Arlindo Cunha, que foi ministro nos governos de Cavaco Silva e Durão Barroso tem assegurada a pasta da Agricultura. Uma atribuição que, mais tarde, mereceu o comentário ácido de Costa: “Não há nada como partidos que renovam quadros”.

No PSD, por estes dias, o problema é mais a renovação dos mesmos erros. Depois das presenças-fantasma, as assinaturas assombradas que aparecem sem que ninguém tivesse dado por isso. Rio até admitiu que era estranho mas desvalorizou, só que o PS farejou aqui a possibilidade de sangue e foi atrás.

PS acusa Rio de “dualidade de critérios” em relação a assinaturas de deputados do PSD

Ainda sem Costa ter posto um pé na rua, já Pedro Delgado Alves acusava Rio de “dualidade de critérios” num caso “grave no plano ético e no plano jurídico”. E Carlos César lhe dava consequência anunciando à TSF que os socialistas vão enviar ao Ministério Público e aos serviços jurídicos da Assembleia da República cópias das notícias sobre o caso por poder estar em causa a “falsificação dos subscritores” e indícios “da prática de ilícito criminal”.

É o chamado amor com amor se paga, na véspera da reunião da conferência de líderes pedida pelo PSD por causa do caso de Tancos, que claramente já não vai sair da campanha até ao fim.

Tancos. Procuradores equacionaram chamar Costa e Marcelo. Diretor do DCIAP não concordou

O CDS, aliás, começou a manhã logo a tentar fazer pressão sobre Ferro Rodrigues ao anunciar que o líder parlamentar, Nuno Magalhães vai aproveitar a reunião para saber se o presidente da Assembleia da República vai ou não enviar as declarações do primeiro-ministro à comissão de inquérito ao Ministério Público.

Este país não é para Tancos. Depois de Ferro e fogo, Cristas dedica tarde a idosos

Feita a paragem habitual em Tancos na campanha centrista, à noite, Cristas seguiu para Ponte de Lima onde dançou o vira (para “virar isto”) e fez a desfolhada com o milho transportado por uma parelha de vacas. Alguém fez a piada óbvia (“vem aí o PAN”) e Cristas garantiu: “O PAN aqui não entra. Alguém tem de defender o mundo rural“.

Na desfolhada de Cristas “o PAN não entra”. Líder do CDS dança o vira para “virar isto”

O PAN, de facto, estava noutras guerras. Tal como o Bloco que passou a manhã a chamar a atenção para os direitos dos cuidadores informais. À tarde, em Braga, houve festa de rua e críticas ao PSD de Rio por estar já a formar um governo em público – críticas estendidas a todos os partidos que “falam de tudo em vez de debater o país que querem”.

Catarina Martins responde a Rui Rio: “Falam de tudo menos do país que querem”

Já a CDU, no dia em que entraram em vigor as alterações às leis do trabalho, trazia obviamente esse tema na agenda. Ainda começou por elogiar a experiência da “geringonça” que terá “diminuído preconceitos” relativamente ao comunismo. Mas depois, foi um ataque cerrado ao PS, de manhã à noite, por ter governado “à direita” em matérias laborais.

CDU: Na rua a lei laboral, dentro de casa as preocupações de “uma vida difícil”

Pode um candidato dar resposta a isto, quase não aparecendo na estrada? Pode. Pode até responder sem dizer o nome de qualquer um dos parceiros da esquerda. No comício de Aveiro, para além de António Costa e Pedro Nuno Santos, o PS pôs a discursar Vieira da Silva, precisamente o ministro com a pasta do Trabalho cuja legislação tanto tem irritado Bloco e PCP. O candidato Costa aparece esporadicamente na rua, mas tem os seus homens posicionados estrategicamente para cobrir todos os flancos. E assim, pode ficar com a agenda livre. Esta quarta-feira, só está previsto que apareça na campanha às nove da noite.

 

Voto a favor

Uma manifestação de 20 pessoas, a maioria idosas, na freguesia da Bajouca, concelho de Leiria, dificilmente teria visibilidade. Protestavam contra a exploração de gás natural que está equacionada para aquela localidade, e que pode afetar os lençóis friáticos que abastecem de água as populações. André Silva viu ali uma causa que lhe agrada, juntou-se e, atrás dele, vieram os jornalistas que seguem em permanência a caravana do PAN. Foi uma forma de dar voz a quem não a tem. E esse é também o papel de quem quer ser deputado.

Voto contra

Por mais que os argumentos sejam compreensíveis, a campanha de António Costa tem sido desde o início uma sombra daquilo que já foram as campanhas eleitorais do PS. É verdade que os modelos da volta pelo país estão ultrapassados e o circuito de todas as capelinhas já não faz sentido. Mas há uma diferença entre ter 8 ações de campanha por dia em 4 distritos diferentes, e só aparecer “nos tempos livres”. Esta terça-feira apareceu pela primeira vez ao final do dia. Até aí, o palco ficou todo entregue aos adversários.

Fotografia do Dia

O secretário-geral do Partido Socialista (PS) e cabeça de lista por Lisboa, António Costa, acompanhado pelo cabeça de lista por Aveiro, Pedro Nuno Santos, durante uma visita às obras do IP3 no âmbito da campanha eleitoral para as eleições legislativas 2019, em Penacova, Coimbra. 1 de outubro de 2019.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Papa-quilómetros

PS – Com a caravana a partir de Coimbra, a equipa de jornalistas que seguia António Costa deslocou-se até à Nazaré, onde estava prevista uma arruada. Foi cancelada em cima da hora e substituída pela ação prevista para o dia seguinte, uma visita às obras do IP3, na zona de Viseu. Daí foi seguir até Aveiro, para o comício da noite. Estas voltas totalizam 278 km. O PS já leva 2164 km.

PSD – Partindo de Esposende, a caravana rumou a Lamego e depois fechou o dia em Viseu. No total, percorreram esta terça-feira 236 km. Acumulam 2656 km de estrada.

CDS – Na competição pela campanha com mais quilómetros de estrada, o CDS fez o percurso Pombal-Coimbra-Viana-Ponte de Lima, tendo como último destino o Porto. Ou, em números, 362 km. Total: 3442 km.Vai na frente.

BE – O Bloco fez distâncias curtas neste dia. Partiu do Porto, fez um curto desvio até Braga e regressou ao Porto. No total, 110 km para o dia. Leva 2384 km.

CDU – A CDU arrancou de Coimbra, seguiu para Sobral de Monte Agraço, depois Lisboa, Azambuja e a noite fechou em Rio de Mouro. Mais 334km para acumular num total que disputa o primeiro lugar com o CDS, 3349km.

PAN – De Coimbra, a campanha que viaja num híbrido seguiu para Leiria, Bajouca e depois fechou a rota em Lisboa onde assenta arraiais para o dia seguinte. Percorreu uns respeitáveis 258 km, mas continua a ser a caravana com a menor pegada ecológica. Um total de 1548 km.

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