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Tal como aconteceu com os interrogatórios na fase de inquérito, as declarações de Carlos Santos Silva ao juiz Ivo Rosa voltaram a surpreender. O engenheiro negou que fosse testa-de-ferro de José Sócrates, rejeitou qualquer crime de corrupção, fraude fiscal ou branqueamento de capitais mas confessou uma evasão fiscal sistémica entre 1986 e 1996 no mercado das obras públicas e da construção civil, declarou que levava dinheiro vivo sempre que ia em trabalho para Marrocos, Argélia, Líbia ou Roménia para pagar a “facilitadores” de negócios nesses países e ainda afirmou que Maria Adelaide Monteiro, a mãe de Sócrates, pagava campanhas eleitorais do PS em Castelo Branco.

E repetiu nesta quarta-feira — o primeiro dia em que foi ouvido na instrução do processo Operação Marquês —, o que já tinha dito nos primeiros interrogatórios como preso preventivo entre 2014 e 2015: os 23 milhões de euros reunidos na Suíça são efetivamente seus, o dinheiro em numerário que transmitiu a Sócrates foram um empréstimo e representam uma ajuda a um amigo em dificuldades.

Carlos Santos Silva foi acusado pelo Ministério Público da prática de um crime de corrupção passiva para ato ilícito, de corrupção ativa de titular de cargo político, dezassete crimes de branqueamento de capitais, dez crimes de falsificação de documento e quatro de fraude fiscal.

Os 50% pagos por fora no mercado das obras públicas e construção civil

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