Uma página de Instagram foi o maior azar de um jovem casal detido pela Polícia Judiciária sob a suspeita de vender drogas na Internet. Há alguns anos que João e Maria (nomes fictícios) se dedicariam ao negócio de enviar encomendas de canábis por correio aos seus clientes — mas terá sido uma tentativa de aumentar o negócio, através do Instagram, que levou a PJ até eles.

Esta terça-feira, dia 14, foram detidos por inspetores da Diretoria do Norte da PJ numa operação que visou a zona de Cantanhede e de Vagos. Foi o culminar de uma investigação que começou em abril de 2024, quando foi detetada não só uma página de Instagram, mas também grupos no Telegram em que se publicitava a venda de canábis — um estupefaciente — em várias formas. Ao Observador, fonte da investigação detalha que os endereços IP dos computadores a que as páginas estavam ligadas levaram à casa onde viviam João, de 29 anos e Maria, de 25 anos.

A investigação ainda está em curso, mas até agora nada indica que os dois se dedicassem a outra atividade profissional além do negócio de tráfico de droga.

O modus operandi era simples: ao encomendar a droga, os clientes forneciam a morada e recebiam a mercadoria na caixa do correio. Os pagamentos eram feitos por transferência bancária ou MBWay. Fonte da PJ adianta que, por ser em quantidades muito pequenas, o produto estupefaciente escapava a qualquer controlo postal. E as encomendas não ficavam pelo território nacional: a droga também era expedida para o estrangeiro.

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Casal tinha duas estufas de canábis e um carro de luxo

Em casa dos dois detidos, a PJ deparou-se não só com “duas estufas destinadas ao cultivo da planta de canábis” mas também com “produto estupefaciente já pronto para ser comercializado: folhas e sumidades [ou seja, flores ou frutos de canábis], resina e óleo de canábis” e “uma parafernália de artigos associados ao negócio”, indicou em comunicado.

Além do crime de tráfico de droga, sobre o casal recaem também suspeitas de posse de arma proibida, devido à deteção de uma arma de fogo transformada e de uma navalha ponta e mola.

Contudo, fonte da investigação não põe de parte que possam ser indiciados por outros crimes como fraude fiscal ou branqueamento de capitais. Afinal, foram apreendidos pela PJ dois carros, um deles que se suspeita ter sido usado na atividade criminosa, e outro de gama alta, um Audi. Foram ainda levados pelos inspetores vários equipamentos informáticos.

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Redes sociais são mais atrativas para os clientes, diz agência europeia

A venda de drogas através de plataformas online é um fenómeno que marca presença no Relatório Europeu sobre Drogas de 2025, realizado pela Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA, baseada em Lisboa). “A nível de comércio retalhista os sítios Web ‘de superfície’, incluindo plataformas de comércio eletrónico legítimas e sítios de redes sociais, são utilizados para vender novas substâncias psicoativas, medicamentos produzidos ilegalmente, medicamentos falsificados e, em menor medida, drogas ilícitas tradicionais”, indica o documento.

No caso em investigação pela PJ, foram usadas o Instagram e o Telegram. “Os estudos indicam que os compradores e os vendedores consideram as redes sociais mais atrativas do que as Internets obscuras (darknets), na medida em que facilitam as transações rápidas e convenientes, quer sejam efetuadas pessoalmente, através de pagamentos em linha, entrega direta ou utilização de pontos de recolha”, detalham os especialistas da EUDA.

Ao Observador, fonte da investigação adianta que as páginas de Instagram com a finalidade de vender de droga não são habituais, mas vão surgindo. Contudo, à medida que aumenta o número de clientes, os criminosos acabam por perder o controlo de quem acede ou não à informação.

Os dois jovens iam ser presentes esta quarta-feira a primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação. Não têm antecedentes criminais.

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