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Não havia droga na prisão de Paços de Ferreira há três dias. Os guardas prisionais estavam em greve e a “fruta”, como ali é chamada, tinha acabado. Os nervos, por isso, eram muitos. Pedro (nome fictício) estava preparado para que, a qualquer momento, se gerasse um motim. Havia uma “ansiedade enorme para a receber”, recorda ao Observador o ex-recluso — 24 anos atrás das grades, há três em liberdade. Os ânimos só acalmaram no final daquele terceiro dia de greve, com o anúncio involuntário de um chefe de ala. “Já entrou. Já podem estar descansados porque já entrou”, desabafou.

Estava a falar de droga. O chefe de ala sabia que um guarda prisional, seu colega, já a tinha trazido e, em tom de desprezo, acabou por atirar o pensamento para o ar. Pedro e outros reclusos que ali estavam por perto acabaram por ouvi-lo e a mensagem espalhou-se. “O guarda até era contra isso. Disse-o no gozo”, explica o ex-recluso. Mas isso bastou para que o ambiente em Paços de Ferreira regressasse à normalidade. “Em algumas cadeias, o problema de agressividade pode aumentar se faltar a droga. Já tem acontecido”, diz, ao Observador, Vítor Ilharco, secretário-geral da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR).

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