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João Pedro Morais/Observador

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Corredores vazios, sinais no chão e novas regras. O novo Colombo já não serve para passear, só para comprar /premium

Poderá ser assim durante um ano — menos, se houver uma vacina. Com quase 300 lojas por abrir, não se entra sem máscara. Há 200 dispensadores de álcool e escadas desinfetadas com luz ultravioleta.

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A música ambiente que antes passava despercebida entre o zun-zun dos clientes está agora em primeiro plano. Audível, quase faz eco e viaja pelos corredores praticamente vazios do Centro Colombo, em Lisboa, contorna as portas encerradas de muitas lojas e as montras a meio gás. É dos poucos sinais de vida daquele que é um dos maiores centros comerciais do país e que foi duramente afetado pela pandemia: das 320 lojas, apenas 50 estão abertas. Antes, durante estado de emergência, contavam-se apenas 36.

O Centro Colombo nunca fechou, até pela importante presença do retalho alimentar, mas desde meados de março e até hoje foi votado a um certo abandono forçado. São poucas as pessoas que circulam no seu interior além dos lojistas que pouco a pouco retomam os negócios. A mudança para o estado de calamidade trouxe mais clientes, mas, ainda assim, nada comparado com o fluxo de outros tempos — o centro chegou a receber a visita de 25 milhões de pessoas ao ano. 2020 ficará certamente para a história, não pelas melhores razões.

Agora que se aproximam as datas de reabertura gradual de alguns espaços, também já é tempo de olhar para o futuro. A normalidade, porém, ainda vai demorar. Para reabrir as cerca de 300 lojas ainda fechadas, há muitas mudanças e novas regras por causa da pandemia.

Chão com sinalética e medição da temperatura. Como se adapta o Centro Colombo à nova realidade?

Sinalização no chão e circuitos separados, o “novo Colombo”

“Bem-vindos ao novo Colombo”, diz o diretor Paulo Gomes. A máscara cirúrgica cobre-lhe o rosto e o cabelo — que ainda não conseguiu cortar, por causa da pandemia — está ligeiramente puxado para trás. O relógio marca as 10h30 de uma terça-feira atípica quando Paulo Gomes recebe os jornalistas na porta norte do centro comercial para uma visita guiada. Não para que, finalmente, possamos percorrer o labirinto de corredores, mas antes para conhecer as medidas de segurança e higiene que estão a ser implementadas no vasto espaço. A começar pelas entradas, onde vigilantes se encarregam de assegurar que ninguém acede ao interior sem máscara.

No chão, antes e depois das portas de vidro, estão marcas que assinalam não só a distância de segurança que os clientes devem ter entre si — dois metros —, como a ordem que devem seguir. Os circuitos de entrada e de saída são propositadamente distintos para evitar que as pessoas se cruzem. Três placards estão também junto à entrada: um contém as lojas abertas, o outro anuncia as normas de conduta para o “serviço delivery” — leia-se funcionários da Uber Eats ou da Glovo, por exemplo — e num terceiro cartaz estão as normas de condutas gerais. As mais inusitadas serão “caminhe sempre pela direita” ou “deixe a sua máscara e luvas nos caixotes para o efeito”.

No Centro Colombo podem estar 0,05 pessoas por cada metro quadrado, ou seja, 5 pessoas por 100 metros quadrados. Considerando o espaço das lojas atualmente abertas, isto significa que, no interior, e até nota em contrário, podem estar 3.600 clientes em simultâneo. Se no próximo dia 18 de maio a restauração abrir também nos centros comerciais, como é ambicionado pelos lojistas, o número ascenderá a 7.000. “Vai ser sempre possível balizar os nossos espaços”, assegura Paulo Gomes, referindo-se às câmaras térmicas estrategicamente colocadas, que permitem contabilizar entradas e saídas. O diretor recusa-se, porém, a dizer quantas pessoas atualmente visitam o centro comercial. Mas o impacto económico, esse, é “enorme” e de uma dimensão difícil de avaliar.

Todas as entradas têm avisos relativos à Covid-19; são muitas as áreas encerradas no interior

João Pedro Morais/Observador

O velhinho plano de contingência para uma pandemia

Os dispensadores de álcool em gel estão um pouco por todo o lado: junto aos ecrãs tácteis, que antes permitiam conhecer a planta dos diferentes pisos e que, agora, não estão autorizados a funcionar, ou ao lado das máquinas multibanco. “São mais de 200 dispensadores. O número cresce todos os dias”, continua o diretor.

À medida que avançamos para o interior do centro, para a praça que figura debaixo de enormes claraboias, torna-se evidente que este já não é um espaço para passear ao fim de semana à tarde. A cultura do Colombo mudou temporariamente e o objetivo passa agora por assegurar “compras seguras”. “Não queremos que as pessoas venham passear, mas sim fazer compras.” Por esse motivo, foram retirados os sofás e os bancos de zonas que deixaram de ser lounge. Também o parque infantil não está de momento disponível. A expetativa é que o centro seja obrigado a funcionar desta forma durante um ano, no máximo. Se a vacina contra a Covid-19 chegar antes disso, tanto melhor.

De facto, nada havia preparado os lojistas do Colombo para uma situação como esta, nem mesmo os dois simulacros de emergência feitos anualmente. Ou melhor, quase nada… O centro que abriu as portas em 1997 tinha, desde há uns anos, um plano de contingência para uma pandemia. “Só não sabíamos qual seria o nome da pandemia: Covid-19. Naturalmente que tivemos de atualizar este plano de contingência”, explica Paulo Gomes. “Nunca tínhamos testado o cenário de pandemia porque exige muitos recursos.”

Ao centro comercial em si, dotado de vários “vigilantes” devidamente equipados contra o novo coronavírus e de zonas de isolamaneto para potenciais infetados, não compete fiscalizar a atividade das lojas, que têm o seu próprio plano de contingência. “Não temos dúvidas de que os lojistas estão preparados”, diz Gomes olhando em volta. “O papel do centro é reforçar recomendações e garantir uma relação de qualidade com os lojistas.” Talvez por isso, as rendas de todos os espaços, até daqueles que continuam a trabalhar, permanecem suspensas até data incerta.

Apesar de haver maior afluência após o fim do estado de emergência, ainda há poucos clientes

João Pedro Morais/Observador

Medições de temperatura e lay off

As setas pintadas a laranja vivo, no chão de azulejo do Colombo, apagam as dúvidas sobre que caminhos seguir em momentos de indecisão. As barreiras que impedem o acesso aos corredores laterais também. São muitos os circuitos limitados, até porque são muitas as lojas que ainda estão de portas fechadas, mesmo que no interior as equipas já estejam a trabalhar no sentido de reorganizar mobília para libertar espaço.

No próximo dia 1 de junho está previsto que todos os espaços do centro comercial possam reabrir em pleno. Ainda que o horário recomendado seja das 12h às 20h, cada estabelecimento tem flexibilidade para escolher as horas de funcionamento. Já o Colombo estará de portas abertas entre as 08h30 e as 23h.

“Alguns lojistas poderão adotar a medição de temperaturas” no Centro Colombo

A lei não obriga a que os lojistas sejam testados para despistar a Covid-19, mas Paulo Gomes admite que alguns atuem no sentido da prevenção. Emanuel Berenguer, sócio-gerente do restaurante Sabores da Ilha, prevê tirar a temperatura a todos os funcionários todos os dias. É uma das medidas de segurança que está a equacionar na esperança de abrir as portas já na próxima segunda-feira. De acordo com o Plano de Desconfinamento do Governo, divulgado a 30 de abril, os restaurantes e cafés retomam a atividade no dia 18 de maio. No entanto, não é claro que isso se aplique aos seus semelhantes inseridos em centros comerciais. A expetativa — e a vontade — é que o dia assinale a reabertura por igual, algo que só ficará claro aquando da publicação do decreto-lei.

Emanuel Berenguer está por estes dias a fazer uma limpeza pormenorizada ao restaurante dedicado à gastronomia da ilha da Madeira. Ao Observador, explica que usa os produtos recomendados pela Direção-Geral da Saúde e que está apostado em reduzir o número de lugares sentados no interior do estabelecimento que está fechado desde o dia 19 de março, situação que o obrigou a optar pelo regime de lay off e só assim manter os 14 postos de trabalho. Por enquanto, toda a zona da restauração permanece vazia, apenas aberta para entregas ao domicílio.

A escadas rolantes são desinfetadas através de luz ultravioleta

João Pedro Morais/Observador

Escadas rolantes desinfetadas com luz ultravioleta

A ânsia para voltar a funcionar é grande. São muitas as zonas de cafetaria que, ainda de portas fechadas, já se reorganizaram para receber clientes: a distância social é assegurada pela disposição das mesas, algumas de acesso restrito de modo a criar intervalos entre si.

A desinfeção automática das escadas rolantes, através de luz ultravioleta, está a ser instalada aos poucos — são cerca de 30 escadas espalhadas pelo centro, o que representa um investimento significativo, na ordem das dezenas de milhares de euros. Foi, por isso, “uma decisão difícil”, atesta Paulo Gomes. A isso acrescem as equipas em permanência cuja função é desinfetar constantemente maçanetas, corrimões ou puxadores. Ecrãs espalhados pelo centro comercial vão ainda dando avisos úteis, como este: “O ar do centro comercial é renovado a cada 10 minutos”.

Sinalizações no chão, folhetos informativos a alertar que, no máximo, só duas pessoas podem estar no interior da loja e viseiras junto ao balcão que protegem as funcionárias são algumas das medidas de segurança da Tabak, a tabaqueira especializada em imprensa que existe há 40 anos e que está no centro comercial há quatro. Carlos Lomba ainda fechou a loja durante alguns dias, assim que foi decretado do estado de emergência, mas logo retomou o negócio. Ainda assim, as quebras nas vendas rondam os 80% — foi sobretudo o tabaco que contribuiu para as receitas, com o negócio dos jogos a ser votado ao azar. Também nesta loja se conseguiu manter todo o pessoal e também nesta loja a expetativa para os próximos dias não vai além de “moderada”.

A zona da restauração apenas está aberta para entrega ao domicílio

João Pedro Morais/Observador

Se, por um lado, há lojas que nunca fecharam e que, nos últimos dias, atestam mais movimento, há outras que estão encerradas há cerca de dois meses, tanto tempo que, na montra, ainda figuram presentes para o dia do pai, celebrado a 19 de março, altura em que foi primeiramente declarado o estado de emergência. Já na zona junto ao retalho alimentar — o hipermercado, por exemplo, que fica dentro do centro comercial — existe uma maior circulação de pessoas e uma certo retomar da normalidade, ainda que com sinalética no chão e com máscaras de todos os tamanhos e feitios a cobrirem os rostos de quem aqui faz compras. Filas só aí e nas lojas de câmbio.

À data da inauguração, o estacionamento do Centro Colombo era considerado o maior parque fechado da Europa, com mais de 6.000 lugares. Atualmente, todos os visitantes estão a ser encaminhados para o piso -1. Além de permitir o acesso mais rápido ao shopping, impede que as pessoas se percam. Porque o parque “é mesmo grande”. Por agora, grande e vazio.

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